<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472</id><updated>2012-02-17T02:53:54.957-02:00</updated><title type='text'>Roteiros Cinematograficosérrimos</title><subtitle type='html'>Este é um espaço para publicação de roteiros dos meus filmes favoritos que transcrevi.
Sim, é isso mesmo que você está pensando: mais um blog giselístico de inutilidade pública e fadado ao fracasso.
Aproveitem.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-4785408933211114378</id><published>2011-03-07T19:02:00.002-03:00</published><updated>2011-03-07T19:14:31.929-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Enquanto não transcrevo outro filme-texto, e como vi que os links de downloads já estão quebrados (e estou com preguiça de ecolocá-los um a um), vou recolocá-los todos aqui, novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/dFZuFija/Roteiros_cinematograficosrrimo.html"&gt;Download de todos os roteiros já publicados aqui!!!!!!&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-4785408933211114378?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/4785408933211114378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/4785408933211114378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2011/03/enquanto-nao-transcrevo-outro-filme.html' title=''/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-4463770603123797177</id><published>2010-04-24T18:07:00.006-03:00</published><updated>2010-04-26T16:46:19.007-03:00</updated><title type='text'>A MULHER E O ATIRADOR DE FACAS</title><content type='html'>O quão ruim pode ser nossa vida sem esta coisa que é tão difícil de explicar, mas muito fácil de entender?"&lt;br /&gt;La Fille sur le Pont", de Patrice Leconte, é um filme-texto sobre a sorte, mas também sobre a impossibilidade de se ter sorte sozinho. Dizendo em linguagem-chavão, eu diria que é uma estória sobre almas-gêmeas, que só funcionam quando juntas.&lt;br /&gt;Este filmaço começa mal, muito mal, com uma "entrevista" chatíssima da protagonista, lamentando sua triste existência. Mas depois, ele decola e é então que a sorte dela (e a do espectador) começa a mudar.&lt;br /&gt;Impossível não se render ao preto e branco impecável, às cenas de jogatina, à dinheirama rolando solta, ao toque de irrealismo que permeia esta película, que nos encanta com tantas e tantas cenas de pura magia. É praticamente um conto de fadas moderno, mas sem os tiques nervosos hollywoodianos que só estragariam nossa diversão.&lt;br /&gt;Daniel Auteil está perfeito neste papel, tornando impossível diferenciá-lo de seu personagem, que nos ensina que sorte tem também muito a ver com esperteza e com o destemor de correr riscos. Vanessa Paradis, atriz esforçada, mas longe de ser perfeita, segura bem a onda num papel que lhe cai como uma luva. Uma pena que sua voz irritante quase coloca tudo a perder.&lt;br /&gt;Mas, você me pergunta, afinal, por que diacho este é um filme-texto?&lt;br /&gt;Ora, porque a Gigi disse que é.&lt;br /&gt;E vamos ao roteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rapidshare.com/files/380485310/A_Mulher_e_o_Atirador_de_Facas.txt.html"&gt;Download do roteiro&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE IN&lt;br /&gt;Int. Plano americano. Adele sentada à uma mesa vazia, com expressão triste.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Adiante, Adele, conte-nos.&lt;br /&gt;ADELE - Bem, eu...&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Tem 22 anos&lt;br /&gt;ADELE - Não, terei em dois meses.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - E deixou a escola muito jovem, para começar a trabalhar.&lt;br /&gt;ADELE - Sim, mas não para começar a trabalhar, mas sim porque aos vinte anos conheci alguém. Por isso deixe... saí de casa. Preferia viver com um rapaz ao invés de viver com meus pais, por isso peguei o primeiro disponível. A primeira oportunidade. (focaliza a platéia ao lado) Precisava ser livre. Liberdade, não sei. Tudo que eu realmente queria era dormir com ele porque quando era mais jovem costmava pensar que a vida começava quando se afz amor. Até então não se é nada. Então fugi com o primeiro tipo disponível para que pudéssemos ficar juntos e para que minha vida começasse. O problema é que não começou muito bem.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Não se davam bem? por que não foi um bom começo?&lt;br /&gt;ADELE - Porque sempre é assim comigo. As coisas começam mal e terminam pior. Nunca tenho um bom número. Conhece esse papel que atrai as moscas, em espiral? É a minha saliva, atraio toda a sujeira do lugar. Sou como um aspirador, juntando toda a sujeira dos demais. Nunca tive um bom número. Tudo em que toco fica amargo.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Como você explica isso, Adele?&lt;br /&gt;ADELE - Má sorte não se explica, é como um ouvido para a música, ou se tem ou não.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - O que aconteceu com o rapaz?&lt;br /&gt;ADELE - Com qual?&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - O primeiro, com o qual você se foi. Não chegou ao fim?&lt;br /&gt;ADELE - Sim, foi até o fim.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Mas você estava decepcionada.&lt;br /&gt;ADELE - Não, pelo contrário. Esse é o problema. Se houvesse aproveitado menos, possivelmente não estaria aqui. De qualquer maneira a primeira vez não foi muito confortável.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Claro, a primeira vez nunca é fácil. Não estavam à vontade porque ambos eram muito jovens.&lt;br /&gt;ADELE - Não, estávamos no banheiro de um posto de gasolina. Nada prático. Já fez isso alguma vez? Não é prático, particularmente na estrada. Queria pedir carona. Tinha a fantasia de que as histórias de amor sempre acontecem em frente ao mar. Mas pedir carona não foi uma boa idéia. Não surpreende, de qualquer forma. Minhas idéias quase sempre são más. É clássico. Entusiasmo-me, não penso, esse é meu defeito. Se não me houvessem recolhido, talvez tivesse saltado na frente de um caminhão.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Quem lhe recolheu?&lt;br /&gt;ADELE - Não posso dizer seu nome, porque é casado. Um psicólogo, diagnosticou-me deprimida. Dormiu comigo para levantar meu moral, tanto que pensei que estivesse grávida. Mas, felizmente, era somente apendicite. Se é que se pode dizer felizmente... O anestesista não foi o fim da minha má sorte.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Teve problemas com o anestesista?&lt;br /&gt;ADELE - Não, era muito gentil. Parecia tão apaixonado queo teria seguido até o fim do mundo. Mas chegamos a Limoges. Engraçado, não? Como as pessoas podem aparecer loucamente apaixonadas quando não o estão. Deve ser fácil fingir. Disse que eu havia entrado na cabeça como Cointreau. Suponho que tenha se cansado de Cointreau, então foi fazer uma ligação.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Para quem?&lt;br /&gt;ADELE - Eu nunca soube, pois ele nunca voltou. Etsávamos num restaurante e eu não sabia que havia uma porta nos fundos, então o epserei até a hora de fechar. O proprietário vivia no piso de cima. Seu quarto cheirava a fritura, mas tinha mãos suaves e gentis. As mão enganam, podem nos fazer acreditar no que quiserem. Foi assim que consegui meu primeiro trabalho, como recepcionista na sua casa.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - O que faz uma recepcionista?&lt;br /&gt;ADELE - Dá as boas vindas às pessoas e sorri para todo mundo. Como trabalho não é nenhum desafio, mas você sabe como um sorriso dá idéias às pessoas e Limoges está tão cheio de homens solitários. Não imaginava. O juiz me disse que tinha o povo mais deprimido da França.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Que juiz?&lt;br /&gt;ADELE - O juiz que me consolou quando fecharam o lugar devido às recepcionistas. Ele também estava deprimido. Não que me tenha consolado por muito tempo, nem mesmo um quarto de hora, num quarto de hotel, sem almofadas, televisor ou cortinas. Mas não era tão mau. Quando viu que eu tinha olhos vermelhos pelas lágrimas me deu seu lenço, depois se foi. Talvez nunca tenha merecido coisa melhor. Deve ser uma lei da natureza. Alguns nasceram para ser felizes, ams eu fui enganada cada dia da minha vida. Acreditei em cada promessa que ouvi. Nunca consegui nada, nunca fui útil ou apreciada por ninguém, ou feliz, nem mesmo verdadeiramente infeliz, porque só se é infeliz quando se perde alguma coisa, mas nunc ative nada, exceto má sorte.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Como vê seu futuro, Adele?&lt;br /&gt;ADELE (chorando) - Não sei. Quando era pequena, tudo o que queria era crescer o mais rápido que pudesse. Agora não consigo encontrar o sentido de tudo isso. Não sei mais. Envelhecendo. Vejo meu futuro como uma sala de espera numa grande estação de trem com bancos e bocejos. Lá fora, ordas de pessoas correndo, sem ver. Todos apressados, pegando trens e táxis. Eles têm algum lugar para ir, alguém com quem se encontrar. E eu permanço sentada ai, esperando.&lt;br /&gt;ENTREVISTADOR - Esperando o quê, Adele?&lt;br /&gt;ADELE - Que me aconteça alguma coisa.&lt;br /&gt;Ext. Noite. O mar visto de cima. Navio passando por baixo da ponte. Tilt em Adele, que se enconlhe de frio enquanto olha para baixo. Panorarâmica da ponte. Foco nos pés de Adele, prestes a pular. Close em suas mãos. Montanha russa. Close no rosto de Adele. PA de Gabor fumando um cigarro e observando Adele.&lt;br /&gt;GABOR - Parece alguém que está a ponto de cometer um erro.&lt;br /&gt;ADELE - Estou bem, obrigada.&lt;br /&gt;GABOR - Mas sim, parece desesperada.&lt;br /&gt;ADELE - Acha?&lt;br /&gt;GABOR - De que está brincando, cara ou coroa? A quem quer impressionar?&lt;br /&gt;ADELE - A ninguém. Nunca impressionei ninguém, não vou começar agora.&lt;br /&gt;GABOR - Que idade tem para estar tão triste? Tem alguma doença grave? Te falta um rim, fígado, perna?&lt;br /&gt;ADELE - Não, apenas não tenho amígdalas. Receio que esteja fria.&lt;br /&gt;GABOR - Óbvio que está fria, acha que a esquentam?&lt;br /&gt;ADELE - Não tenho que pensar nisso.&lt;br /&gt;GABOR - Certo, pense em coisas alegres, lhe darão um empurrão.&lt;br /&gt;ADELE - Isso será difícil, pensamentos alegres não são minha especialidade. Por isso estou aqui, vê?&lt;br /&gt;GABOR - Sabe o que vejo? Vejo um desperdício, e isso não suporto.&lt;br /&gt;ADELE - Que desperdício?&lt;br /&gt;GABOR - Você. Não se joga uma luminária fora quando ainda funciona.&lt;br /&gt;ADELE - Esta se queimou há muito tempo.&lt;br /&gt;GABOR - Está me deprimindo.&lt;br /&gt;ADELE - Então vá! Estou no fim do caminho, entende?&lt;br /&gt;GABOR - Que caminho? Olhe para você, sua vida mal começou. È só uma fase ruim, isso é tudo.&lt;br /&gt;ADELE - Minha vida toda foi uma fase ruim, tenho gravada a desgraça, isso não se tira.&lt;br /&gt;GABOR - E acha que a lavará com a água? Aposto que essa é sua primeira tentativa, não?&lt;br /&gt;ADELE - Sim, não passo a vida nas pontes.&lt;br /&gt;GABOR - Eu sim.&lt;br /&gt;ADELE - Fazendo o quê? Você também trata de saltar?&lt;br /&gt;GABOR - Não, eu contrato pessoas.&lt;br /&gt;ADELE - Contrata quem?&lt;br /&gt;GABOR - Assistentes. Mulheres consumidas são minha mercadoria de troca. Geralmente as encontro aqui ou em andares altos. Mas no inverno preferem as pontes.&lt;br /&gt;ADELE - Como eu.&lt;br /&gt;GABOR - Não, não. Não como você. Eas têm fissuras por todo lado, são irreparáveis.&lt;br /&gt;ADELE - E o que faz com elas?&lt;br /&gt;GABOR - Errar, às vezes. Isso depende. É uma questão de equilíbrio.&lt;br /&gt;Gabor tira uma faca do bolso e a enfia no corrimão da ponte, a 2cm. da mão de Adele, que recua, assustada..&lt;br /&gt;GABOR - Passados os quarenta, atirar facas se torna passível de erro, por isso recruto nas pontes. Presto um serviço. (retira a faca) Se quer terminar tudo de verdade posso fazer um teste com você.&lt;br /&gt;ADELE - Não, obrigada. me arranjarei por minha conta.&lt;br /&gt;GABOR - Claro, estará aqui na próxima semana, olhando seus sapatos.&lt;br /&gt;ADELE - Não pense que não o vejo vir, com suas propostas enganadoras. Uma garota numa ponte é uma presa fácil, completamente a sua mercê.&lt;br /&gt;GABOR - Um momento. Não durmo com meus alvos.&lt;br /&gt;ADELE - Sim, pois esse é seu problema. Eu já não acredito em contos de fadas, obrigada.&lt;br /&gt;GABOR - Se quer saltar, salte, vá adiante. E depois...&lt;br /&gt;ADELE - Logo verificarei.&lt;br /&gt;Adele salta da ponte.&lt;br /&gt;GABOR - É idiota ou o quê?&lt;br /&gt;Gabor imediatamente pula. Adele se deixa afundar, ohos fechados, finalmente em paz. mergulha em direção a ela e rapidamente a leva de volta à superfície.&lt;br /&gt;Int. Noite. Ambulância.Dois paramédicos atendem Gabor, que está deitado numa maca, ensopado e muito bravo.&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - Respire, senhor.&lt;br /&gt;GABOR - Não quero respirar, entende?&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - Nome?&lt;br /&gt;PARAMÉDICO #2 - Conte meus dedos.&lt;br /&gt;GABOR - À merda com seus dedos!&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - Tem hipotermia, respire.&lt;br /&gt;GABOR - Eu não! Sou imune. 3:42.&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - O quê?&lt;br /&gt;GABOR - Três minutos e quarenta e dois. Barcelona '74, Recorde europeu. É meu.&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - Fique deitado.&lt;br /&gt;Adele está deitada na maca ao lado, respirando com dificuldade.&lt;br /&gt;GABOR - Por que pulou?&lt;br /&gt;Ela fala algo num volume bem baixo.&lt;br /&gt;GABOR - O que disse?&lt;br /&gt;O paramédico coloca seu ouvido próximo a ela, que sussurra algo.&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - Deixa seu corpo para a ciência.&lt;br /&gt;GABOR - Não ligue para ela. Está brincando.&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - São parentes?&lt;br /&gt;GABOR - Sim, sou sua mãe.&lt;br /&gt;PARAMÉDICO - Foi você quem a resgatou?&lt;br /&gt;GABOR - Estava tão escuro que é difícil dizer quem resgatou quem.&lt;br /&gt;Int. Hospital. Gabor sendo levado às pressas numa maca, pelos corredores.&lt;br /&gt;GABOR - Faz tempo que está aqui?&lt;br /&gt;MÉDICO - Dois meses.&lt;br /&gt;GABOR - Vá embora. Estão todos loucos.&lt;br /&gt;Adele e Gabor são deixados num quarto com outro paciente, cada um em um saco térmico ligado a aparelhos.&lt;br /&gt;PACIENTE - Em que ponte estavam?&lt;br /&gt;GABOR - Numa ponte de pedestres próxima à Torre Eiffel. E você?&lt;br /&gt;PACIENTE - Solferino. Você é esquizofrênico?&lt;br /&gt;GABOR - Caráter maníaco.&lt;br /&gt;PACIENTE - Seu primeiro salto?&lt;br /&gt;GABOR - Com ela, sim.&lt;br /&gt;Olhe para ela. Com esses olhos e bunda, você não se afogaria?&lt;br /&gt;PACIENTE - Não vejo conexão.&lt;br /&gt;GABOR - Depende do contexto.&lt;br /&gt;PACIENTE - Mas que contexto?&lt;br /&gt;GABOR - Talvez para você, mas olhe para ela, todo o excesso de pena que carrega. (a Adele) Ficaria doente se sorrisse de vez em quando.&lt;br /&gt;ADELE - Quer dizer agora?&lt;br /&gt;GABOR - Sim, agora. Deveria estar numa geladeira com uma etiqueta no pé.&lt;br /&gt;ADELE - Deveria saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-4463770603123797177?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/4463770603123797177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/4463770603123797177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/mulher-e-o-atirador-de-facas.html' title='A MULHER E O ATIRADOR DE FACAS'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-2993848928355646298</id><published>2010-04-24T18:07:00.003-03:00</published><updated>2010-04-24T18:07:33.442-03:00</updated><title type='text'>parte 2</title><content type='html'>GABOR - Saber o quê?&lt;br /&gt;ADELE - Que faria bobagem. Nem mesmo consigo me afogar. É sempre a mesma coisa.&lt;br /&gt;GABOR - Lá vamos nós, violinos e lenços. Siga tentando, um dia conseguirá.&lt;br /&gt;ADELE - Não vale a pena tentar com minha má sorte.&lt;br /&gt;GABOR - Que sorte? (levanta-se abruptamente) Não! Venha comigo!&lt;br /&gt;PACIENTE - Deixe-a esquentar, não está bem.&lt;br /&gt;GABOR - A sorte! Acha que a pegará como uma gripe? É preciso fé, força de vontade, esforço! Vamos buscá-la.&lt;br /&gt;Gabor tira Adele da cama e ambos saem às pressas do quarto.&lt;br /&gt;ADELE - Buscá-la onde? Nem sequer sei como se parece.&lt;br /&gt;GABOR - Como eu. Quer ver?&lt;br /&gt;Ao passarem pelo corredor, uma enfemeira os vê.&lt;br /&gt;ENFERMEIRA - Onde vão?&lt;br /&gt;Param e avistam um mosquito no teto do corredor.&lt;br /&gt;GABOR - Me dê açúcar. Três!&lt;br /&gt;A mulher faz o que ele pede. Gabor coloca o açúcar no balcão e tira seu relógio de pulso e o coloca sobre o balcão.&lt;br /&gt;GABOR - Te agrada? Pode ganhá-lo.&lt;br /&gt;ADELE - Como?&lt;br /&gt;GABOR - Tem fé?&lt;br /&gt;ADELE - Em quê?&lt;br /&gt;GABOR - Na sorte. (à enfermeira) Você acredita? Sim ou não. Faça sua escolha ou volte para casa.&lt;br /&gt;ENFERMEIRA - Mas estou de plantão.&lt;br /&gt;GABOR - Concentre-se no açúcar, comos e a sua vida dependesse dele. Atenção.&lt;br /&gt;Todos olham para o mosquito, que rapidamente voa na direção do açúcar. Adele sorri, Gabor dá seu relógio a ela.&lt;br /&gt;GABOR - Dois contra um. Um começo fácil.&lt;br /&gt;Ext. Dia. Adele e Gabor caminham pelas ruas.&lt;br /&gt;GABOR - Então?&lt;br /&gt;ADELE - Ficou folgado, a pulseira é grande.&lt;br /&gt;GABOR - Não é isso. Está disponível ou não?&lt;br /&gt;ADELE - Diria que estou doente de tão disponível.&lt;br /&gt;GABOR - Posso te dar 25%, está bom?&lt;br /&gt;ADELE - Sim, obrigada.&lt;br /&gt;GABOR - Bem vinda.&lt;br /&gt;ADELE - 25% de quê?&lt;br /&gt;GABOR - Dos meus honorários. Variam noite a noite, às vezes com boas surpresas. Alguma doença congênita? Alergias, próteses, surdez?&lt;br /&gt;ADELE - Não, sou normal. Apesar de que meu olho direito é um pouco débil.&lt;br /&gt;GABOR - Os olhos não importam. Quanto menos veja, menos temerá. Sabe seu tipo sanguíneo?&lt;br /&gt;ADELE - AB, acho. Por quê?&lt;br /&gt;GABOR - Para qualquer acidente. As hemorragias são inofensivas se detidas a tempo. (Entram num táxi.) Está com seu passaporte?&lt;br /&gt;Int. Dia. No saguão da estação Gabor pega sua mala, dentro da qual há vários relógios e, no fundo falso, várias facas.&lt;br /&gt;ADELE - O que é isso? Está de mudança? É isso que você atira?&lt;br /&gt;GABOR - O que esperava, colheres de chá? (ao homem) Carro 12, por favor. E não balance o baú. (a Adele) O que se passa, perdeu o ânimo?&lt;br /&gt;ADELE - Não, não é o que eu tinha imaginado. Essas coisas podem matar.&lt;br /&gt;GABOR - Tudo pode matar. Escova de dentes, peso de papel... Asa aparências enganam.&lt;br /&gt;ADELE - Essas coisas me deixam nervosa.&lt;br /&gt;GABOR - Mas você está no fim do caminho! Para você isso não importa, não?&lt;br /&gt;ADELE - Não sei, preciso pensar.&lt;br /&gt;GABOR - Olhe para mim. Sinceramente, eu a assusto?&lt;br /&gt;ADELE - Sinceramente, não está muito longe. Depende.&lt;br /&gt;GABOR - De quê?&lt;br /&gt;ADELE - Não sei. Essa não é uma caixa de varinhas mágicas.&lt;br /&gt;GABOR - E isso, a assusta? Está vendo-a se mexer? Está tremendo?&lt;br /&gt;Ela faz sinal com a cabeça que não.&lt;br /&gt;GABOR - Lembre-se, não é o atirador que importa, é o alvo. Algo em você me diz que tem um dom excepcional. De verdade.&lt;br /&gt;Adele se anima.&lt;br /&gt;GABOR - Uma pequena demonstração a deixaria mais tranquila?&lt;br /&gt;Num porão, Adele está em frente a uma porta fechada. Gabor prepara-se para atirar as facas. Ela fecha os olhos. A primeira faca atinge a área próxima ao rosto de Adele, que se assusta. A segunda, próxima à mã esquerda. Ela se assusta novamente. A terceira a atinge de raspão na cintura.&lt;br /&gt;GABOR - O que foi?&lt;br /&gt;ADELE - Pare! me acertou!&lt;br /&gt;GABOR - Evidente, está muito tensa. Esta não é a melhor maneira.&lt;br /&gt;ADELE - Estragou meu casaco.&lt;br /&gt;GABOR - Para onde estou te levando sempre está ensolarado.&lt;br /&gt;ADELE - Com facas no meu estômago dificilmente me importaria com isso.&lt;br /&gt;GABOR - Nunca acertei ninguém no estômago.&lt;br /&gt;ADELE - Mesmo assim não dará certo. Não posso.&lt;br /&gt;GABOR - Por quê? Tem outros planos? Outra ponte, drogas, um revólver?&lt;br /&gt;ADELE - Não, mas isso... não tenho o dom.&lt;br /&gt;Adele caminha em direção à porta.&lt;br /&gt;GABOR - Confie em mim, por favor. Com seu físico e minhas habilidades, mataremos eles.&lt;br /&gt;ADELE - Matar a quem?&lt;br /&gt;Ext. Dia. Trem. Gabor dorme no chão de sua cabine, com as pernas para fora do corredor, atrapalhando os passantes.&lt;br /&gt;GUARDA - Ticket por favor.&lt;br /&gt;GABOR - No paletó, bolso esquerdo.&lt;br /&gt;GUARDA - Está no meio do caminho, senhor.&lt;br /&gt;GABOR - Esses bancos incômodos comprimem minha coluna.&lt;br /&gt;No bar, Adele conversa com um rapaz, que olha seu relógio.&lt;br /&gt;ADELE - É inquebrável. É resistente à água até 250 metros.&lt;br /&gt;RAPAZ - Mergulha?&lt;br /&gt;ADELE - Estou começando. Comecei ontem à noite, mas não muito profundo.&lt;br /&gt;RAPAZ - Nunca se deve forçar na primeira vez. Gentilmente, devagar.&lt;br /&gt;ADELE - Acredita na sorte?&lt;br /&gt;RAPAZ - Sim.&lt;br /&gt;ADELE - Por quê?&lt;br /&gt;RAPAZ - Pelos seus seios sugestivos, sei que vai acontecer algo.&lt;br /&gt;ADELE - Algo como o quê?&lt;br /&gt;RAPAZ - Algo suave e quente. Algo como uma reanimação, porque tenho taquicardia e vou desmaiar de desejo por você.&lt;br /&gt;Adele sorri. Gabor levanta-se, sai da cabine e vai procurá-la nas outras cabines. Chega então ao banheiro.&lt;br /&gt;ADELE - (off) Ocupado!&lt;br /&gt;GABOR - Ocupado com o quê? Abra essa porta! Está fazendo-o de novo. Acabou?&lt;br /&gt;ADELE - Não.&lt;br /&gt;Uma mulher surge, querendo usar o banheiro.&lt;br /&gt;MULHER - Desculpe, senhor, posso?&lt;br /&gt;GABOR - Não terminaram. As camisinhas atrasam as coisas. Se é que as usa...&lt;br /&gt;A mulher se vai. Gabor acende outro cigarro. Adele sai, ainda vestindo a blusa. O rapaz sai depois dela.&lt;br /&gt;GABOR - Você o fez?&lt;br /&gt;ADELE - O quê?&lt;br /&gt;GABOR - O que acha? Se suja com um estranho, usa tampão nos ouvidos? Um arreio?&lt;br /&gt;ADELE - Não é um estranho. Tinha taquicardia.&lt;br /&gt;GABOR - E daí?&lt;br /&gt;ADELE - Estava batendo muito rápido, comigo também acontece. Queria alguém que me abraçasse, precisava de um pouco de carinho. Talvez tenha me deixado levar pelo momento, não sei.&lt;br /&gt;RAPAZ - Eu tampouco, não pensamos.&lt;br /&gt;GABOR - É o casal perfeito, nenhum neurônio entre os dois.&lt;br /&gt;ADELE - É culpa minha. Sei que não ajuda, só preenche os buracos.&lt;br /&gt;RAPAZ - Que buracos?&lt;br /&gt;GABOR - Os teus. Não vê que está cheia de buracos?&lt;br /&gt;Adele sai. O rapaz tenta segui-la, mas Gabor o impede.&lt;br /&gt;GABOR - Não, não, basta. Obrigado. Vá encher outros buracos.&lt;br /&gt;RAPAZ - E você, quem é?&lt;br /&gt;GABOR - Uma fada, não vê?&lt;br /&gt;Adele está pensativa, triste, olhando pela janela, quando Gabor a encontra.&lt;br /&gt;ADELE - Não estou acostumada.&lt;br /&gt;GABOR - A quê.&lt;br /&gt;ADELE - A dizer não. Tenho que me controlar. É como deixar de fumar A primeira semana é mais difícil, depois passa.&lt;br /&gt;GABOR - Tente chiclete.&lt;br /&gt;ADELE - Por algum motivo não consigo me deter. Os garotos me atraem como vestidos bonitos, sempre quero prová-los. Sou anormal.&lt;br /&gt;GABOR - Não especialmente. Só precisa de algo como guia.&lt;br /&gt;ADELE - Para onde? Para onde quer que eu vá, parece o mau caminho.&lt;br /&gt;GABOR - Não existe mau caminho, só má companhia. Eu farei de você alguém. Entende o que eu digo?&lt;br /&gt;ADELE - Não.&lt;br /&gt;GABOR - Alguém que ria e para quem tudo é fácil. Será a cinzenta Farah Diba, a Rainha da Noite.&lt;br /&gt;ADELE - O que farei durante o dia?&lt;br /&gt;Ele sorri. Ambos ficam observando a paisagem.&lt;br /&gt;Ext. Dia. Sol. Mar. Adele e Gabor saem de um táxi e entram num salão de beleza. Manicures e cabeleireiros estão trabalhando nela, que sai de lá com os cabelos bem curtos, sorridente. Em seguida vão comprar maquiagem e roupas. Ela experimenta vários modelos e compram muitos. No hotel, ela sorri para um homem que lê uma revista no saguão.&lt;br /&gt;GABOR - Te agrada? Se quiser conhecê-lo, o banheiro está à direita.&lt;br /&gt;Param em frente ao elevador.&lt;br /&gt;ADELE - Sorriu para mim, sou gentil.&lt;br /&gt;GABOR - Seu tipo de gentileza leva direto para a cama.&lt;br /&gt;ADELE - Você é muito pessimista.&lt;br /&gt;GABOR - Não em relação a tudo. Por favor, trate de parar direita. Levante as costas e mostre o queixo, deve parecer decidida.&lt;br /&gt;ADELE - Decidida a quê?&lt;br /&gt;GABOR - A comovê-los. A platéia deve apaixonar-se por você. A primeira faca deve retorcer-lhes o estômago.&lt;br /&gt;ADELE - Não se preocupe, uma olhada para você e se retorcerão.&lt;br /&gt;GABOR - Faça uma linha escura aqui.(aponta para o contorno embaixo dos olhos) Parecerá ansiosa, trágica. Eles amam isso.&lt;br /&gt;ADELE - Já não pareço bastante trágica?&lt;br /&gt;GABOR - Escolha um elevador.&lt;br /&gt;ADELE - O da direita.&lt;br /&gt;Imediatamente as portas do elevador à direita abrem-se. Eles entram, seguidos dos carregadores.&lt;br /&gt;GABOR - Vê? Quando você quer.&lt;br /&gt;Ao chegar a seus aposentos, o funcionário do hotel diz:&lt;br /&gt;FUNCIONÁRIO - Por favor, senhor, posso verfiicar seu cartão de crédito?&lt;br /&gt;GABOR - Sem cartões. Em dinheiro, amanhã.&lt;br /&gt;FUNCIONÁRIO - Desculpe, senhor, mas...&lt;br /&gt;GABOR - Francamente! Fugiria com tudo isso? (aponta para as várias malas e fecha a porta).&lt;br /&gt;Gabor conta o pouco dinheiro que tem. Enquanto isso, Adele se maquia em seu quarto. Gabor fuma um cigarro e verifica suas facas. À noite, vão ao trabalho, num circo. Vê-se equilibristas, contorcionistas, mágicos, etc.&lt;br /&gt;Olá, Gabor, como vão os truques?&lt;br /&gt;ANÃ - Senhora Vassiliev, nascida em Minsk em 1907 teve 69 gravidezes múltiplas, 16 de gêmeos, 7 de trigêmeos e 4 de quadrigêmeos.&lt;br /&gt;ADELE (a um contorcionista) - Como você faz isso?&lt;br /&gt;Gabor pergunta a um funcionário.&lt;br /&gt;GABOR - Onde está Kusak?&lt;br /&gt;FUNCIONÁRIO - Ocupado. Por quê?&lt;br /&gt;GABOR - Quem se apresenta antes de mim?&lt;br /&gt;FUNCIONÁRIO - Quem é você?&lt;br /&gt;GABOR - Gabor. Facas.&lt;br /&gt;ANÃ - ...por Leon Spinks, em Chicago, Illinois.&lt;br /&gt;FUNCIONÁRIO - (depois de verfiicar na lista) Não tenho facas.&lt;br /&gt;GABOR - Eu sim. Onde fica o meu camarim?&lt;br /&gt;O funcionário avista Kusak.&lt;br /&gt;FUNCIONÁRIO - Senhor Kusak? Contratamos um número com facas?&lt;br /&gt;KUSAK - Nunca.&lt;br /&gt;GABOR - Com licença.&lt;br /&gt;KUSAK - O que você quer? Ningém o contratou.&lt;br /&gt;GABOR - Cancelei duas apresentações em Oslo por isso.&lt;br /&gt;KUSAK - O senhor Jarvis escolheu pessoalmente o programa desta noite. Não há facas, somente números novos e inéditos.&lt;br /&gt;GABOR - Por isso estou aqui. Meu número é inédito.&lt;br /&gt;KUSAK - Mas você atira facas, o que há de inédito nisso?&lt;br /&gt;Gabor pensa um pouco depois de ver Adele conversando com o contorcionista.&lt;br /&gt;GABOR - Atiro com os olhos vendados.&lt;br /&gt;KUSAK - Vendados?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-2993848928355646298?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/2993848928355646298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/2993848928355646298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/parte-2_24.html' title='parte 2'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-8566457616566512911</id><published>2010-04-24T18:07:00.001-03:00</published><updated>2010-04-24T18:07:19.332-03:00</updated><title type='text'>parte 3</title><content type='html'>GABOR - Vendados.&lt;br /&gt;Kusak comenta com os outros.&lt;br /&gt;KUSAK - Atira com os olhos vendados.&lt;br /&gt;GABOR - Cego. Risco máximo.&lt;br /&gt;Os outros concordam.&lt;br /&gt;OUTROS - De acordo.&lt;br /&gt;KUSAK - Bom, irá depois do contorcionista.&lt;br /&gt;GABOR - Impossível. Nunca depois de um número silencioso. E consiga-me um lençol.&lt;br /&gt;Em outra parte, Adele continua a conversar com o contorcionista.&lt;br /&gt;CONTORCIONISTA - Você tem um número?&lt;br /&gt;ADELE - Não, sou o alvo.&lt;br /&gt;KUSAK - É com você que faz Gabor?&lt;br /&gt;ADELE - Faz o quê?&lt;br /&gt;KUSAK - Seu número. Facas. Antes fosse acupuntura. Sem ver, particularmente. Tem um corpo precioso, por que quer despedaçá-lo?&lt;br /&gt;Gabor treina em seu camarim. Um homem com um livro e uma anã-sabe-tudo-de-recordes.&lt;br /&gt;ANÃ - A Estátua da Liberdade tem 46 metros de altura.&lt;br /&gt;HOMEM - Não, 71.&lt;br /&gt;ANÃ - 71 com a base, 46 sem ela.&lt;br /&gt;HOMEM - Capacidade na cabeça?&lt;br /&gt;ANÃ - 40, em pé.&lt;br /&gt;Gabor sai de seu camarim e é visto por Irene.&lt;br /&gt;IRENE (surpresa) - É você?&lt;br /&gt;GABOR - Irene?&lt;br /&gt;IRENE - O que faz aqui? Ninguém me avisou.&lt;br /&gt;GABOR - Sou eu. Está de volta à França? Deixou Glasgow?&lt;br /&gt;IRENE - Você mudou. São seus olhos. Estou tão... Não imaginei que voltaríamos a nos ver.&lt;br /&gt;GABOR - Eu também não.&lt;br /&gt;IRENE - Procurei você por todo lugar, de povoado em povoado, inclusive em Madrid. Alguém me disse que você estava no Vitória. Por meses parei na rua homens que se pareciam contigo. Tomei remédios, me casei duas vezes. Não, três. Perdi o rumo. Lembra-se da sua teoria da sorte? Você dizia que não se consegue sorte, mas que se fabrica.&lt;br /&gt;GABOR - Sua sorte chegou quando me fui.&lt;br /&gt;IRENE - Como senti falta das suas mãos! Me conheciam tão bem. Toque-me.&lt;br /&gt;GABOR - Não, não.&lt;br /&gt;IRENE - Pra dizer adeus, só uma vez.&lt;br /&gt;Gabor toca em seu pescoço e vai descendo pelos seios, a barriga... Adele surge.&lt;br /&gt;ADELE - Desculpem-me, mas o que quer dizer "sem ver"?&lt;br /&gt;GABOR - Significa que os deixaremos sem fôlego.&lt;br /&gt;Irene fica perturbada ao ver Adele e sai. Em outr aparte, dançarinas ensaiam e Gabor e Adele também.&lt;br /&gt;MULHER - Ombros pra fora! Queixo pra cima.&lt;br /&gt;ADELE - Era sua esposa?&lt;br /&gt;GABOR - Pés separados.&lt;br /&gt;ADELE - Trouxe-lhe sorte?&lt;br /&gt;GABOR - Não, a agarrei. Ela era a mulher canhão. Voou cem metros e caiu sobre mim. Sem mim, estaria morta&lt;br /&gt;ADELE - Como eu. Salva todo mundo.&lt;br /&gt;GABOR - Não, não como você.&lt;br /&gt;ADELE - Sem ver, fecha os olhos?&lt;br /&gt;GABOR - Pare direita, respire fundo. Deixe o resto comigo.&lt;br /&gt;ADELE - Já fez isso antes?&lt;br /&gt;GABOR - Parcialmente. Não tinha o alvo correto. Você.&lt;br /&gt;ADELE - Mas o que eu tenho?&lt;br /&gt;GABOR - Você me inspira, tenho fé na sua sorte. Está em você, como uma ferradura ou um trevo de quatro folhas. Mas se perdeu a fé, ali está a saída. Não a culparei.&lt;br /&gt;Adele olha para a porta. Gabor pede que ela escolha uma de suas mãos.&lt;br /&gt;GABOR - Qual mão?&lt;br /&gt;Adele escolhe a esquerda, que é onde está um colar.&lt;br /&gt;GABOR - Vê o que a fé pode fazer? Ponha-o. Se tem que morrer, faça-o com elegância.&lt;br /&gt;Adele coloca o colar. As cortinas se abrem, aplausos. Se posicionam, fecha-se um lençol em frente a ela. Gabor atira a primeira faca. E as outras. E acerta todas bem próximo a Adele, sendo que uma das facas a atingiu de raspão no cotovelo. A platéia explode em aplausos, os funcionários também. No camarim, Gabor faz-lhe um curativo.&lt;br /&gt;ADELE - Tire-o. Está bem?&lt;br /&gt;GABOR - Sim, bem.&lt;br /&gt;ADELE - Está pálido. Pela estréia?&lt;br /&gt;GABOR - (limpando as facas) Por um instante senti seu corpo e me preocupei. Fiquei tenso.&lt;br /&gt;ADELE - Alguma vez já sentiu medo e prazer ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;GABOR - Sim.&lt;br /&gt;ADELE - Quando?&lt;br /&gt;GABOR - Nessa noite.&lt;br /&gt;ADELE - Sentiu-se bem?&lt;br /&gt;GABOR - Evidentemente.&lt;br /&gt;ADELE (imitando-o) Evidentemente!&lt;br /&gt;GABOR - Como?&lt;br /&gt;ADELE - Não, nada. Tem uma coisa que eu queria saber. Ficaria doente se sorrisse de vez em quando?&lt;br /&gt;Mais tarde, no cassino, Adele e o contorcionista jogam numa máquina.No camarim, Gabor recebe o pagamento, mas o devolve.&lt;br /&gt;GABOR - Não, nunca em cheque. Em dinheiro.&lt;br /&gt;KUSAK - Pode fazer o mesmo amanhã em San Remo, com a mesma garota?&lt;br /&gt;GABOR - Quer a ela ou a mim?&lt;br /&gt;KUSAK - Os dois.&lt;br /&gt;Kusak conta o dinheiro e o entrega a Gabor, que o confere.&lt;br /&gt;No cassino, Adele se diverte. Está ganhando. Gabor a vê. Uma mulher o aborda, entusiasmada.&lt;br /&gt;MULHER - Estava na platéia, senti meu corpo em chamas. Desejava que você me atravessasse. Tem uns olhos tão magnéticos. Você hipnotiza? Desejaria ser hipnotizada.&lt;br /&gt;GABOR - Qual mão?&lt;br /&gt;MULHER - Essa.&lt;br /&gt;Ela escolhe a esquerda. Ele abre-a e não tem nada.&lt;br /&gt;GABOR - Lamento. Perdeu.&lt;br /&gt;A mulher, perturbada, sai. Gabor olha para onde estavam Adele e o controcionista, mas eles já não estão mais lá. Estão namorando em cima de um piano. As moedas se espalham. De repente, surge Gabor.&lt;br /&gt;GABOR - Está tudo bem? Precisam de alguma coisa, bebidas, lenços?&lt;br /&gt;ADELE - O que você quer?&lt;br /&gt;GABOR - Só estou verificando. Diga-me um número.&lt;br /&gt;CONTORCIONISTA - Trinta.&lt;br /&gt;GABOR - (A ele) Não você. (a ela) Você.&lt;br /&gt;ADELE - Zero.&lt;br /&gt;GABOR - Tome. O pagamento desta noite. Coloque-o no zero.&lt;br /&gt;ADELE - Agora?&lt;br /&gt;GABOR - De preferência. (a ele) Volta em quinze minutos. Pode esperar?&lt;br /&gt;O contorcionista fica sem ação, em cima do piano. Gabor a tira de lá e a leva de volta ao cassino.&lt;br /&gt;ADELE - Como me encontrou?&lt;br /&gt;GABOR - Tenha cuidado com os atletas. Três quartos são retardados e o resto têm o pênis do tamanho de uma pulga, ficaria decepcionada.&lt;br /&gt;ADELE - Como sabe, é atleta?&lt;br /&gt;GABOR - Parei a tempo. Construa sua pilha, mas nunca faça apostas pequenas. Se tiver dúvidas, concentre-se no vizinho.&lt;br /&gt;ADELE - Que vizinho?&lt;br /&gt;GABOR - O do número. Concentre-se nele comos e fosse seu irmão, seu único amigo.&lt;br /&gt;ADELE - Por que não o faz você mesmo?&lt;br /&gt;GABOR - Proibiram-me a entrada.&lt;br /&gt;ADELE - Onde?&lt;br /&gt;GABOR - No cassino. Também porque se você não está cheia de furos, então está numa boa fase esta noite. E eu com você.&lt;br /&gt;ADELE - Como fazemos, meio a meio?&lt;br /&gt;GABOR - Menos o quarto do hotel.&lt;br /&gt;HOMEM - Façam suas apostas.&lt;br /&gt;Na roleta, Adele joga as suas fichas no zero.&lt;br /&gt;HOMEM - Não mais.&lt;br /&gt;Adele retira suas fichas do zero e o coloca em outro número.&lt;br /&gt;Do lado de fora do cassino, no bar, Gabor se irrita ao ouvir o que ela fez.&lt;br /&gt;GABOR - Não!&lt;br /&gt;GARÇOM - Só uma taça, senhor.&lt;br /&gt;HOMEM - Aí está!&lt;br /&gt;Ela perde.&lt;br /&gt;OUTRO HOMEM - Má sorte.&lt;br /&gt;GABOR (fumando) - Cuide dos seus assuntos. Vamos, vamos. devagar...&lt;br /&gt;Gabor vai arrastando a taça lentamente pelo balcão; Adele faz o mesmo com as fichas, até chegar ao zero.&lt;br /&gt;GABOR - Conseguiremos.&lt;br /&gt;A bola pára no zero. Eles ganham.&lt;br /&gt;GABOR - Sim!!!&lt;br /&gt;GARÇOM - Sua conta, senhor.&lt;br /&gt;GABOR - Não tenho nada de dinheiro. Limpo. Dei tudo a ela. (brinda) Saúde!&lt;br /&gt;Ela joga novamente no zero e ganha, e assim por diante.Ext. Noite. Gabor e Adele caminham, felizes.&lt;br /&gt;ADELE - O que poderia comprar com isso, um barco, uma casa?&lt;br /&gt;GABOR - Com seu jeito intempestivo, eu o gastaria em atletas.&lt;br /&gt;Ela sorri, tira o colar e lhe devolve.&lt;br /&gt;ADELE - Pegue, devolvo-lhe o colar.&lt;br /&gt;GABOR - Por quê? Vai voltar para Paris? (pega algumas cédulas) Pela sua opinião, quanto vale isso?&lt;br /&gt;ADELE - Assim, não muito.&lt;br /&gt;GABOR - Queria a verdade? Contarei a história. A sorte sempre me deixava de lado. Outras pessoas sempre a tinham. Sempre me faltava alguma coisa.&lt;br /&gt;ADELE - O quê?&lt;br /&gt;Gabor junta uma nota rasgada em dois, como num passe de mágica.&lt;br /&gt;GABOR - Nos querem amanhã na Itália. Está interessada? Não sentirá falta dele?&lt;br /&gt;ADELE - De quem?&lt;br /&gt;GABOR - Do contorcionista. Disse-lhe quinze minutos.&lt;br /&gt;O contorcionista está com as pernas sobre os ombros, tocando o piano, sozinho.&lt;br /&gt;Ext. Dia. Adele e Gabor numa limusine, rumo à Itália.&lt;br /&gt;Int. Gabor e Adele se apresentando, desta vez sem o lençol em frente dela.No camarim, ele coloca um band-aid no braço dela.&lt;br /&gt;ADELE - Algum número em particular?&lt;br /&gt;GABOR - Trinta e dois, pra variar.&lt;br /&gt;Int. Cassino. Adele jogando e ganhando novamente. Gasbor a supervisiona do bar. Ela olha para ele, encantada.&lt;br /&gt;GABOR - Pode dizer a ela para parar de me olhar assim?&lt;br /&gt;Adele se concentra no jogo. Quando olha para o bar, Gabor não está mais lá.&lt;br /&gt;ADELE - Não, é evidente que devemos continuar juntos, senão não funciona.&lt;br /&gt;Ex. Noite. Gabor fumamndo na rua. Adele surge.&lt;br /&gt;GABOR - Juntos! Juntos! Olhe a hora. Ganhará mais amanhã.&lt;br /&gt;ADELE - Quem lhe disse que sua sorte não irá embora do mesmo jeito que chegou? Tenho medo de que a percamos. Você não? Está vendo?&lt;br /&gt;GABOR - Não, estou procurando um táxi. Quer ter certeza de que ainda funciona? (a puxa pelo braço e compra uma rifa de um menino) Tente isso, uma rifa.&lt;br /&gt;Num palco a poucos metros dali está sendo realizado o sorteio. As pessoas estão ansiosas, e anuncia-se o vencedor.&lt;br /&gt;ADELE - O que ganharia?&lt;br /&gt;Ganham um belo carro esporte, fazem poses para fotos em frente ao carro. Uma mulher o beija no rosto e Adele fica enciumada.Em seguida, saem dirigindo o carro.&lt;br /&gt;GABOR - Subestimei-a.&lt;br /&gt;ADELE - Como?&lt;br /&gt;GABOR - Você é como um cavalo da sorte!&lt;br /&gt;ADELE - A sorte só se trata disso? Montar cavalos, ganhar carros, escolher números... Deve haver algo mais, não?&lt;br /&gt;GABOR - Evidentemente.&lt;br /&gt;ADELE - Mas o quê?&lt;br /&gt;GABOR - Não faço idéia.&lt;br /&gt;ADELE - Você é o especialista, não eu.&lt;br /&gt;GABOR - Não sou especialista, isso é temorário. Você sabe bem que a sorte é um assunto de vida ou morte, não? O quê? Não acredita em mim? (apaga os faróis) E agora?&lt;br /&gt;ADELE - O que está fazendo?&lt;br /&gt;GABOR - Trabalho de campo.&lt;br /&gt;ADELE - Como faz para dirigir sem ver?&lt;br /&gt;GABOR - Façam suas apostas.&lt;br /&gt;ADELE - Não mais. E as curvas?&lt;br /&gt;GABOR - Que curvas? (faz uma curva no escuro) E então?&lt;br /&gt;ADELE - Estamos vivos?&lt;br /&gt;GABOR - Não. Não sente que estamos indo para o céu?&lt;br /&gt;ADELE - Não é o que eu havia imaginado.&lt;br /&gt;GABOR - Evidentemente. É tarde, está tudo fechado.&lt;br /&gt;Ext. Dia. O carro está parado ao lado da estrada, as malas empilhadas no porta-malas. Gabor em pé, fora do carro, observa Adele dormindo no banco. Quando ela acorda, ele está atirando facas num espantalho.&lt;br /&gt;ADELE - Já encontrou meu substituto?&lt;br /&gt;GABOR - Estava desesperado, tivemos afinidade imediatamente. O que achava? Há muito amuletos da sorte.&lt;br /&gt;Começa a chover e refugiam-se numa cabine telefônica.&lt;br /&gt;ADELE - Para quem está ligando? Fanáticos das facas?&lt;br /&gt;GABOR - Tem uma moeda?&lt;br /&gt;ADELE - Não, tenho muitas notas. Enormes. As pessoas vivem sem facas, sabia?&lt;br /&gt;GABOR - Sem braços, sem pernas, sem você... mas não é tão divertido.&lt;br /&gt;ADELE - E então? Que resposta idiota. É curioso como se desconecta.&lt;br /&gt;GABOR - Posso ter alguma privacidade? Há espaço suficiente aqui.&lt;br /&gt;Ela sai da cabine e imediatamente pára de chover. Ela encontra um isqueiro.&lt;br /&gt;ADELE - Esqueça as facas o ouro cresce sob meus pés.&lt;br /&gt;GABOR - Trabalha o tempo todo, não se cansa?&lt;br /&gt;ADELE - Pegue. Te devia um relógio. Assim estamos quites.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-8566457616566512911?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/8566457616566512911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/8566457616566512911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/parte-3_24.html' title='parte 3'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-245792449733113047</id><published>2010-04-24T18:06:00.000-03:00</published><updated>2010-04-24T18:07:01.686-03:00</updated><title type='text'>parte 4</title><content type='html'>GABOR - Não me deve nada.&lt;br /&gt;ADELE - Aprenda a perder ou tomará o ganho por certo.&lt;br /&gt;Surge um arco-íris.&lt;br /&gt;ADELE - Como se diz arco-íris em italiano? Deveríamos fazer um desejo. Sorria, estamos de férias.&lt;br /&gt;GABOR - Não estamos de férias, estamos perdidos.&lt;br /&gt;ADELE - Não, você que é um pessimista. Ouça, apenas siga o som dos grilos.&lt;br /&gt;Ext. Dia. restaurante. Um garçom limpa as mesas e olha Adele, que corresponde.&lt;br /&gt;GABOR - Quer sobremesa?&lt;br /&gt;ADELE - Hein?&lt;br /&gt;GABOR - Não, digo... quer ele de sobremesa, com uma colher de sorvete em cima. (olha as horas)&lt;br /&gt;ADELE - Tem que pegar um trem?&lt;br /&gt;GABOR - Sim, de férias pega-se trens. O das 8:23 é muito bom.&lt;br /&gt;ADELE - Bom para quem?&lt;br /&gt;GABOR - Deveria deixá-lo sentar-se aqui ou torcerá o pescoço.&lt;br /&gt;ADELE - Não é preciso, só estou olhando. Tem que admitir que me contive ultimamente.&lt;br /&gt;GABOR - Não seja tímida, com sorte a tomará parada em uma mesa, à portuguesa. Uma pena perdê-lo. E se ele a convidasse para ir com ele agora?&lt;br /&gt;ADELE - Seríamos felizes?&lt;br /&gt;GABOR - Quem?&lt;br /&gt;ADELE - Ele e eu?&lt;br /&gt;GABOR - Vou lhe contar uma história. Há muito tempo, eu vivia numa rua, do lado par, no número 22. E olhava pela janela as casas de número ímpar, na calçada em frente, porque pensava que as pessoas ali eram mais felizes, que suas peças eram mais claras, suas festas mais divertidas. Mas suas casas eram mais escuras e suas peças pequenas e eles também olhavam o outro lado da rua. Porque sempre pensamos que a sorte é aquilo que não temos. (levanta-se e pega o paletó) Bem, preciso pegar um trem. Se você não aparecer, saberei que se foi.&lt;br /&gt;ADELE - Ir para onde?&lt;br /&gt;GABOR - Ver se o ouro lado é melhor.&lt;br /&gt;Gabor vai embora. Adele olha para o garçom, que parou de limpar as mesas e a observa.&lt;br /&gt;Int. Dia. Num balcão, Adele e o garçom estão quase lá.&lt;br /&gt;ADELE - Melhor não. Desculpe. Decsulpe, não é você. Não é você quem estou buscando. Que horas são?&lt;br /&gt;Ela sai correndo. No relógio da estação vê-se que são 6:15. Próximo á estação de trem, gabor está caminhando sobre os trilhos; as malas empilhadas na plataforma. O trem se aproxima. Gabor fica parado no cruzamento.&lt;br /&gt;GABOR - Coroa.&lt;br /&gt;O trem passa pelo outro trilho, ao lado dele. Surge então Adele, cansada da corrida e preocupada.&lt;br /&gt;GABOR - Cara.&lt;br /&gt;ADELE - O que está fazendo? Brincando com trens na sua idade! O que procurava?&lt;br /&gt;GABOR - Procuro minha vista.&lt;br /&gt;ADELE - Olhe para mim. Acreditei no que me disse sobre a sorte. Trevos de quatro folhas, vida fácil e Farah Diba. Confie em você. É um truque sujo, isso que você faz. Desanimar os outros com seu orgulho e trens e números de desaparecimento. Você é como um tutor, todo dia julgando e faznedo sermões. Está bem! Está mal! Queixo para cima! Pare aí!&lt;br /&gt;GABOR - Sou como um tutor?&lt;br /&gt;ADELE - Um pouco.Não... mal-humorado. Sou uma boba. Não foi idéia minha, você me trouxe aqui, não pode me deixar agora. Estou me acostumando a ter sorte e a você também. Sabe o que eu quero?&lt;br /&gt;GABOR - O mesmo que eu?&lt;br /&gt;ADELE - Agora mesmo. Onde quer que seja.&lt;br /&gt;Eles caminham com as malas para um lugar isolado e... Lá ele atira facas em volta dela. As últimas ele atira de olhos fechados. Ao fim, ambos sorriem, satisfeitos.&lt;br /&gt;Ext. Dia. Plataforma de embarque. Prestes a embarcarem num navio.&lt;br /&gt;ADELE - O que disse a eles?&lt;br /&gt;GABOR - Que estamos prontos.&lt;br /&gt;ADELE - Prontos para quê?&lt;br /&gt;GABOR - Prontos para tudo, para fazer carreira internacional. Está pronta?&lt;br /&gt;ADELE - Ora, porque estou pronta.&lt;br /&gt;Entram no navio.&lt;br /&gt;Int. Apresentador anuncia o próximo número à platéia.&lt;br /&gt;APRESENTADOR - A Roda da Morte!&lt;br /&gt;Adele e Gabor esão se arrumando no camarim.&lt;br /&gt;ADELE (preocupada) - Roda de quê?&lt;br /&gt;GABOR - Da Morte. Uma pequena variação. As pessoas se entediam nos cruzeiros, precisam de movimento. Bem, vamos.&lt;br /&gt;Adele é colocada na Roda da Morte, que começa a girar. Gabor se prepara para começar. Atira todas as facas bem próximo a ela, mas não a fere. Ao fim, a platéia aplaude, em êxtase.No camarim, ele cooca-lhe um band-aid sobre um pequeno ferimento no braço dela.&lt;br /&gt;GABOR - Inclinou-se.&lt;br /&gt;Ela confirma.&lt;br /&gt;Ext. Noite. Fogos de artifício no céu. Estão todos numa festa de casamento, os noivos dançam.&lt;br /&gt;ADELE - Vamos dançar?&lt;br /&gt;GABOR - Não.&lt;br /&gt;ADELE - Não sou muito boa.&lt;br /&gt;Ele se deixa levar por ela, e vão dançando, sorridentes; ela mais que ele, que está preocupado. Não dura muito o clima estranho entre eles, pois logo a música acaba.&lt;br /&gt;ADELE - Obrigada.&lt;br /&gt;Pouco depois, o noivo (Takis) e Gabor estão sentados.&lt;br /&gt;TAKIS - Tem fogo?&lt;br /&gt;GABOR - Pegue.&lt;br /&gt;Gabor entrega-lhe o isqueiro. O noivo olha para o objeto, intrigado.&lt;br /&gt;TAKIS - Onde o encontrou?&lt;br /&gt;GABOR - Na Itália, junto ao caminho.&lt;br /&gt;TAKIS - Curioso, é meu. T.P. Takis Papadopoulos. Sou eu.&lt;br /&gt;GABOR - Pegue-o.&lt;br /&gt;TAKIS - Não, guarde-o com você. Minha mulher quer que eu pare de fumar. Disse que sim para agradá-la. (observam a noiva dançando só) De qualquer forma, ela é italiana, eu sou grego. Mal nos entendemos, não vale a pena discutir.&lt;br /&gt;Gabor guarda o isqueiro no bolso do casaco. Adele senta-se ao lado de Gabor, com frio.&lt;br /&gt;GABOR - Está com frio?&lt;br /&gt;ADELE - Não sei, provavlemente esteja mareada.&lt;br /&gt;Gabor tira seu casaco e coloca-o sobre ela, que sorri e fica ouvindo a música. Gabor levanta-se e sai. Takis e Adele se olham. O enfeite de bolo dos noivos cai com o vento.&lt;br /&gt;Int. Noite. Salão de festas vazio, exceto por um funcionário limpando o local. A noiva corre desesperada à procura do noivo.&lt;br /&gt;Int. Corredor. Adele vai até o quarto de Gabor levar seu casaco.&lt;br /&gt;ADELE - Trouxe seu... pegue.&lt;br /&gt;GABOR - Obrigado, mas não há pressa.&lt;br /&gt;ADELE - Não.. na verdade, sim.&lt;br /&gt;GABOR - O que foi, dormiu mal?&lt;br /&gt;ADELE - Vou embora. Estou te deixando.&lt;br /&gt;GABOR - Por quem?&lt;br /&gt;ADELE - Pelo indicado, o que estava me esperando. Ele me levará para longe.&lt;br /&gt;Gabor vai até o convés, onde observa Takis colocando as malas num barco.&lt;br /&gt;GABOR - Mas não é possível!&lt;br /&gt;ADELE - Sim.&lt;br /&gt;GABOR - Não ele. É recém-casado, é depressivo. É grego!&lt;br /&gt;ADELE - Nnguém nunca me olhou como ele. Ninguém havia me perguntado qual lado da cama eu preferia Se sentia frio ou calor, fome ou sede, exceto você, talvez, num dia bom.&lt;br /&gt;GABOR - Não. Nunca te perguntei qual lado da cama preferia.&lt;br /&gt;ADELE - Esquerdo. Você, depois ele, são as únicas coisas boas que me aconteceram na vida. Mas isso não é muito. Você e eu sempre estaremos juntos. Como fazemos, apertamos as mãos? Nos abraçamos?&lt;br /&gt;GABOR - Nos esquecemos.&lt;br /&gt;ADELE - Não lhe prometo nada.&lt;br /&gt;No pequeno barco, afastando-se do navio, Adele olha tristemente para onde está Gabor.&lt;br /&gt;ADELE - Desculpe-me.&lt;br /&gt;Gabor fica sentado, tristemente observando o barco se afastar.&lt;br /&gt;GABOR - Por nada.&lt;br /&gt;E olha a noiva, chorando, vendo seu noivo partir. Ela olha para o mar.&lt;br /&gt;GABOR - Parece alguém que está a ponto de cometer um erro.&lt;br /&gt;A noiva olha para ele.&lt;br /&gt;Int. Gabor está amarrando a noiva na Roda da Morte. Nas primeiras facas que atira vai bem, até que... Ele a acerta na perna. A mulher grita. A roda imediatamente pára de girar.&lt;br /&gt;Ext. Dia. No mar aberto, problemas no paraíso. Takis e Adele estão à deriva.&lt;br /&gt;Ext. Dia. Numa parada para socorrer a noiva, Gabor está sentado, observando os médicos correndo com a maca e a colocando numa ambulância.&lt;br /&gt;NOIVA - Takis!!!&lt;br /&gt;A ambulância sai a toda velocidade.&lt;br /&gt;Int. Dia. Na alfândega, Gabor explica-se ao guarda.&lt;br /&gt;GABOR - Artista. Atista de cabaré. Atiro facas.&lt;br /&gt;O guarda carimba seu passaporte.&lt;br /&gt;Ext. Dia. À beira de uma estrada empoeirada, Gabor tenta, sem sucesso, pegar uma carona.&lt;br /&gt;GABOR - Não entendo o que te deu para ir com esse sujeito.&lt;br /&gt;Ext. Dia. barco em alto-mar.&lt;br /&gt;ADELE - O amor ataca inesperadamente. Sentia que se parecia tanto comigo, parecia tão triste. Além disso, me prometeu que seria para sempre.&lt;br /&gt;GABOR - Para sempre... Quer olhar o seu pastor grego. Escollheu outro perdido, se pode ver.&lt;br /&gt;ADELE - Sim, mas não podia prever.&lt;br /&gt;GABOR - Prever o quê?&lt;br /&gt;ADELE - Que terminaria assim. Ainda por cima tão rápido.&lt;br /&gt;Surge um helicóptero. Takis acena e grita. O helicóptero os resgata.&lt;br /&gt;Ext. Dia. Base na Grécia. O helicóptero pusa e uma mulher os recebe. Em seguida, Takis se engraça com a mulher.&lt;br /&gt;ADELE - Mais que durar para sempre, diria que acabou logo em seguida. Nos levaram a uma base grega e foi ali onde ele mudou de opinião.&lt;br /&gt;GABOR - E então?&lt;br /&gt;ADELE - Então nada. Me deram café quente e um sorriso para levantar o moral.&lt;br /&gt;Um guarda se aproxima de Adele, sorrindo e senta-se a seu lado.&lt;br /&gt;GABOR - Não.&lt;br /&gt;ADELE - Sim. Foi assim que tudo recomeçou, como antes.&lt;br /&gt;GABOR - Antes do quê?&lt;br /&gt;ADELE - Antes de você.&lt;br /&gt;Numa feira ao ar livre, um homem embaralha cartas. Adele escolhe uma.&lt;br /&gt;HOMEM - Perdeu.&lt;br /&gt;ADELE - Vê? Não funciona mais.&lt;br /&gt;HOMEM - É a sorte. Vai e vem.&lt;br /&gt;Adele pega o dinheiro e corre.&lt;br /&gt;Ext. Dia. Panorâmica do Partenon. Adele está sentada em frente.&lt;br /&gt;ADELE - E você, como está?&lt;br /&gt;Gabor atirando facas num desenho de Adele, na rua.&lt;br /&gt;GABOR - Tranquilo.&lt;br /&gt;ADELE - Acredita nesse história de bilhete rasgado?&lt;br /&gt;GABOR - Que bilhete?&lt;br /&gt;ADELE - Aquele rasgado em duas metades que não valem nada uma sem a outra. Acredita?&lt;br /&gt;Ext. Noite. Adele está sentada, com frio, tendo o Partenon como pano de fundo.&lt;br /&gt;Ext. Noite. Gabor caminhando pelas ruas.&lt;br /&gt;ADELE - Está aí?&lt;br /&gt;GABOR - Sim, estou aqui.&lt;br /&gt;ADELE - Ainda no ramo do espetáculo?&lt;br /&gt;Gabor está distribuindo panfletos.&lt;br /&gt;GABOR - Claro. Como nunca antes. (a transeuntes) São de Paris? Não viram passar uma loira de olhar perdido com um relógio a prova d'água, morta de tristeza?&lt;br /&gt;Int. Noite. Gabor dorme numa cama  um quarto com outros homens. Um dos homens tenta roubar-lhe o isqueiro, mas Gabor o impede.&lt;br /&gt;GABOR - Lamento, mas preciso dele no caso de um ataque de melancolia. Todos corremos perigo. Acha que sou idiota? Sei que parece idiota agarrar-se a nada, um isqueiro, um bilhete rasgado, seu primeiro olhar nessa ponte. A mesma noite em que eu também pensava em saltar.&lt;br /&gt;Close no rosto de Adele, na ponte.&lt;br /&gt;GABOR - Mas não vale a pena morrer. Tudo o que se precisa é de uma garota com numa ponte com grandes olhos tristes. (acende o isqueiro) Vou deixá-lo aceso. Nunca se sabe, poderia passar por aqui. (o isqueiro se apaga) A porta!&lt;br /&gt;Alguém fecha a porta.&lt;br /&gt;Ext. Dia. feira livre. Gabor tenta vender suas facas. Uma mulher com uma criança param e olham as facas.&lt;br /&gt;GABOR - Pague o que quiser, uma panqueca, cocos, um pepino...&lt;br /&gt;A mulher vai embora. Gabor vê Adele caminhando por ali. Esquece as facas e corre atrás dela, mas quase é atropelado. Ao cair no chão, percebe que  se trata de outra mulher, não de Adele.&lt;br /&gt;Ext. Noite. Gabor caminhando com muletas sobre uma ponte. Com dificuldade, passa para o outro lado da ponte e olha para baixo. Quando está prestes a se soltar, ouve a voz de Adele.&lt;br /&gt;ADELE - Parece alguém que está a ponto de cometer um erro.&lt;br /&gt;Ele olha para ela.&lt;br /&gt;ADELE - O que está esperando, a maré alta? Não é fácil, não? Achou que poderia pôr a mente em branco e deixar-se cair, mas não funciona assim. Além do mais, as pontes não são lugares tranquilos para saltar. Sempre há alguém criando dúvidas. Quebrou alguma coisa?&lt;br /&gt;GABOR - Tudo. Preciso trocar tudo. Mas não vale a pena, é mais barato um novo atirador de facas.&lt;br /&gt;ADELE - E o que eu faria com um novo atirador de facas? (segura as mãos dele) Está com frio? Está tremendo.&lt;br /&gt;GABOR - Sonhou. Nunca tremo.&lt;br /&gt;ADELE - Talvez nós dois tenhamos sonhado, e não foi ruim. Vamos?&lt;br /&gt;GABOR - Para onde?&lt;br /&gt;ADELE - Não importa. Para onde quer que a gente vá, encontrará facas para atirar em mim.&lt;br /&gt;Adele o ajuda a voltar para a ponte. Eles ficam cara a cara,&lt;br /&gt;ADELE - De qualquer forma, não temos escolha. Se não sou eu que salto, é você. Não podemos continuar.&lt;br /&gt;GABOR - Continuar como?&lt;br /&gt;ADELE - Sem estarmos juntos.&lt;br /&gt;Abraçam-se longamente. Zoom out da ponte.&lt;br /&gt;FADE OUT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-245792449733113047?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/245792449733113047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/245792449733113047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/parte-4_24.html' title='parte 4'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-6828895753247442300</id><published>2010-04-12T20:07:00.005-03:00</published><updated>2010-04-23T13:00:37.916-03:00</updated><title type='text'>FESTIM DIABÓLICO</title><content type='html'>FESTIM DIABÓLICO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este filme-teatro produzido em 1948 é um prato cheio no quesito "filme-texto". Aliás, Hitchcock sempre trabalhou com relativamente poucos cenários (excetuando-se "Os Pássaros" e "Ladrão de Casaca"), especialmente em ambientes fechados, o que torna tudo mais "teatral".&lt;br /&gt;Além do mais, o tema de "Festim Diabólico" (Rope) é, na minha opinião, wildiano até não poder mais. Há ainda mais ecos de Oscar Wilde na caracterização das personagens, especialmente no protagonista, o que fez-me lembrar do primoroso longa baseado em "O Retrato de Dorian Gray", dirigido por Albert Lewin. Impossível não comparar o personagem de James Stewart ao inesquecível Henry Wotton.&lt;br /&gt;Esse é o meu favorito do Hitchcock, não só por ter apenas oito cortes, mas também por tratar de um tema tão "filosófico" e de forma artesanal e apaixonante, e o que é mehor: com diálogos deliciosos.&lt;br /&gt;Pena que o final seja tão nadificante... Mas esse parece ser o karma que Stewart carrega em quase todos os seus filmes, como em "Do Mundo nada se Leva" e aquele lá, como era o título? O "Não sei quê do não sei quê"... Bom, mais provável é que seja karma de Frank Capra, vá saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rapidshare.com/files/379251837/Festim_Diab__lico.txt.html"&gt;Download deste roteiro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE IN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exterior / Dia. Música de Al Riggs. Rua vista de cima. Mulher passando com carrinho de bebê. Carros e outros passantes. Créditos.&lt;br /&gt;Música vai se tornando mais sombria. Travelling pára em frente a uma janela com as cortinas fechadas, ao mesmo tempo em que pára a música e ouve-se gritos.&lt;br /&gt;Close no rosto de David, cessando de gritar, sendo estrangulado. Zoom out, e surgem Brandon e Philip, ambos de pé, estrangulando-o.&lt;br /&gt;David desvanece. Brandon olha para o baú que está em frente deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Abra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip abre, Brandon coloca David dentro e o fecham. Suspiram. Brandon acende a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon apaga a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Precisamos ver se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Eu sei. Mas ainda não. Vamos ficar assim um minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon acende um cigarro, traga-o e expele a fumaça tranquilamente, enquanto Philip luta para se recuperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Philip, não temos muito tempo. Você ficou triste por causa da escuridão. (aproximando-se da sjanelas) Ninguém se sente seguro no escuro. Qualquer um que tenha sido criança. Vou abrir, está bem? (abre-as) Assim está bem melhor. (suspira, olhando para fora) Que tarde mais linda! (a Philip) Podíamos ter feito com as cortinas abertas, em plena luz do sol. (tirando as luvas de Philip, que permance abalado) Não se pode ter tudo. E fizemos durante o dia. Agora está tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon entrega as luvas a Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Guarde isso. Guarde na gaveta dos cheques atrás da caixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip imediatamente faz isso, enquanto Brandon pega um guardanapo e limpa uma taça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Agora é peça de museu. Devíamos preservar para a posteridade. Mas é cristal do bom e não quero separar o conjunto. Foi deste copo que David Kentley tomou seu último drinque. Devia ter sido soda ou cerveja. Sempre achei inadequado o david beber algo corrupto como uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Também é inadequado ele ter sido assassinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É mesmo, não? Os bons americanos morrem jovens no campo de batalha, não? Os Davids desse mundo meramente ocupam espaço. Isto fez dele a vítima perfeita para o assassinato perfeito. Claro, era estudante de Harvard, talvez com isso seja homicídio justificável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Está morto e nós o matamos. Mas ainda está aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Em menos de oito horas estará descansando no fundo de um lago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Enquanto isso está aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip aproxima-se de onde está David e tenta abrir o baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que está fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não está trancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Melhor, é muito mais perigoso. A trava está velha. Não vai funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Mas devia. Eu o queria fora daqui. Queria que fosse outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Um pouco tarde para isto, não acha? Quem preferia, Kenneth?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Eu não sei, acho que uma pessoa era tão boa ou ruim como qualquer outra. Você talvez. Você me assusta, sempre assustou. Desde o primeiro dia de aula. Talvez faça parte do seu charme. (arrependendo-se) Estou brincando, Brandon. Não fico calmo como você e resolvi brincar com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Mas é uma tolice, não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Muito grande. Eu posso tomar um drinque agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Claro, esta ocasião merece champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos vão caminhando para outro cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Champanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Coloquei uma garrafa na geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Quando a colocou lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Antes de o David chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sabia que ia dar certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando à cozinha. Brandon abre a geladeira a retira de lá uma garrafa de champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Claro. Nunca faço nada que não seja perfeito. Sempre quis ter mais talento artístico. Assassinato também pode ser arte. O poder de matar é tão gratificante quanto o de criar. Percebeu que fizemos exatamente como planejamos e nada deu errado? Foi perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Um assassinato impecável! Matamos pelo prazer e pelo perigo de matar. Estamos vivos, verdadeira e maravilhosamente vivos. Nem champanha se compara a nós ou a ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Porém, eu aceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não está mais com medo? Não pode ter medo, nenhum de nós. É a diferença entre nós e os homens comuns. Falam de cometer o crime perfeito, mas ninguém consegue. Ninguém comete assassinato...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philkip pega a garrafa que Brando estava tentando abrir e a abre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Dê cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - ...só para experimentar. Ninguém menos nós. Não está mais com medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip enche duas taças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Ainda está com medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Nem de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - (sorrindo) Isso é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Você me impressiona, como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Isso é melhor ainda. (levanta a taça) Ao David, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos bebem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Brandon, como se sentiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Durante o ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não sei bem. Não me lembro de ter sentido nada, até que o corpo dele amoleceu e então soube que era o fm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - E depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Depois senti uma exultação tremenda. Como sentiu-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plano da mesa, arrumada com castiçais, velas ainda apagadas, louças e talheres limpos dispostos sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP (gaguejando) - Não acha que a festa seja um erro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É o toque final de nossa obra, é a assinatura do artista. Não ter a festa seria como...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Pintar a tela e não pendurá-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Má escolha de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Poderá ser uma escolha pior devido à festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Que nada! Esta festa será a mais divertida de todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Com essas pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - São todos maçantes. Os Kentley não podem ser mais chatos, mas tinhamos de convidá-los, afinal, são o pai e a mãe do David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não será fácil conversar com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não se preocupe, a Janet os estará bajulando. Pobrezinha... Fez de tudo para agarrar o david, mas tenho a impressão de que não vai conseguir. E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não, acho que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Hoje em dia ela pode dar em cima do Kenneth. deve admitir como fui gentil, diante dos eventos recentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrompe sua fala e pega um castiçal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pegue o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Esqueça, venha comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos vão com os castiçais até a sala da primeira cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - O que vai fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Verá. É brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon coloca o castiçal em cima do baú onde está o corpo de David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Que diabos está fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Transformando nossa obra em obra-prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Está exagerando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por quê? O que quer dizer? Achei que seria agradável jantarmos aqui, sobre isto. Não é uma ótima idéia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ao menos assim ninguém tentará abri-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Acho que não me dá valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Estou começando, Brandon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Vamos, não temos muito tempo, a Sra. Wilson logo retorna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Esqueceu-se de pedir a chave a ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não me esqueci, estou com a chave dela. Eu disse a ela que tinha perdido a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Que bom. Como lhe explicará isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não lhe explicarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos vão levando os talheres e a louça para cima do baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Precisamos de uma desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não queremos deixar o convidado sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Precisamos de uma desculpa para os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Muito bem, vou pensar. Você fica muito nervoso, muito facilmente. Temos uma simples desculpa bem aqui. (pega um livro) Com o que se preocupa? O velho Sr. Kentley vem mais para ver esses livros, o que pode ser melhor do que colocá-los na mesa de jantar, onde o pobre velho possa facilmente pegá-los? Amáveis, não somos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca o telefone. Brandon coloca o livro sobre o baú e o atende; ouve por uns segundos e, apressado, volta-se a Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Cuide dos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP (bem nervoso) - Quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - A Sra. Wilson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon vai em direção à porta de entrada. Philip permanece e pega os livros, até que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - BRANDON!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon aparece depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Mas o que...? O que lhe deu para gritar? O que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon vê que uma parte da roupa de David está para fora do baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Arranque logo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não posso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - (arrancando o tecido) Se a Sra. Wilson estivesse aqui ela arrancaria. Uma idiotice dessas em frente dos outros é como uma confissão. (entrega uns livros a Philip) Tome isso e acalme-se. Se tivesse deixado a luz acesa, eu teria visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Tudo bem, você é perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuam a levar os livros para a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Temos de ser. Concordamos que só poderíamos cometer um crime. O crime de cometer um erro. Ser fraco é um erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Porque isso é ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Porque é ser comum. Nenhum de nós cairá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campainha interrompe a fala de Brandon, que vai em direção à porta e a abre. Sra. Wilson entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Deve-me $2,40 pelo táxi, incluindo gorjeta. Não fosse o trânsito estaria aqui há meia hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Tudo bem, não esperávamos que chegasse antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Procurei o patê de que gostamos em cinco lugares, mas o preço... Não quis desperdiçar nosso dinheiro. Fui àquela doceria no centro, onde o Sr. Cadell vai. Na nossa próxima festa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Boa tarde, Sra. Wilson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - O que está havendo com a minha mesa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Estamos passando as coisas para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Bem, achei que minha mesa estava linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Estava linda sim, mas o Sr. Kentley virá olhar os livros que tenho neste baú. Não vai querer que o coitado se ajoelhe para vê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Acho que ficou muito peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Peculiar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Principalmente com os candelabros, não combinam com nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pelo contrário, acho que sugerem um altar cerimonial onde pode-se amontoar comida para o banquete do sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - "Amontoar" é certo. Não tem espaço para colocar nada direito, não é Sr. Philip?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Vai conseguir arrumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Será a minha morte. Que faço com os livros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Coloque-os sobre a mesa de jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - É uma loucura, se quer saber. Bem, tenho muito o que fazer para ficar discutindo. Mesmo assim, acho muito peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sra. Wilson sai de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Qual é o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Tive certeza de que ela perceberia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - A corda, é claro. precisamos encondê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Por quê???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É, por quê? É um pedaço de corda, artigo comum numa casa. Para que esconder? Guaradremos na gaveta da cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon vai em direção à cozinha, rodando o pedaço de corda e o guarda sem que Wilson veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sra. Wilson?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Tem champanha na geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Não serviremos champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Serviremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON (animada) - Se vai ser uma festa assim, vou me arrumar um pouco. Champanha na casa do Sr. Cadell só em ocasiões especiais. Uma vez eu e ele tomamos uma taça no meu aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Hoje terá a oportunidade de reacender o romance. (a Philip) Posso? (a Wilson) O Sr. Cadell virá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Minha nossa! O Sr. Cadell é muito gentil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O Rupert vem. Pensei ter dito a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Gostei de trabalhar para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Ele é um cavalheiro. Alguns dizem que é esquisito, mas sempre achei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip pára de acompanhar a conversa dos dois e vai para a sala de estar, apreensivo, levando um prato. Em seguida, Brandon o segue, levando outro prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Poderiam me deixar terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pensei que gostasse do Rupert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Bem, então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Rupert Cadell é o que mais pode suspeitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É o que pode apreciar isto do nosso ponto de vista, o artístico. Isso é que é excitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Isso me assusta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Abaixe o tom de voz. Com os outros seria fácil e chato demais. Quanto ao Rupert, uma vez pensei em chamá-lo para se unir a nós. Por que não? Quanto mais, melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ele não tem coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Intelectualmente teria vindo, ele é brilhante, mas é um tanto fastidioso. Podia inventar e admirar, mas jamais concretizar. É onde somos superiores. Temos coragem. O Rupert não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sra. Wilson aparece, trazendo um prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - O Sr. cadell ganhou uma perna ruim por sua coragem na guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campainha toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Chegaram. Estamos prontos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Nunca estarei tão pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Não toque piano o tempo todo para não se esquecer de comer. Está emagrecendo. Coma o patê antes que devorem tudo. Esperamos que seja um sucesso. Minha bandeja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon acende um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Leve-a para a cozinha. Eu atendo a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Não seria esta correria se tivesse deixado minha mesa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sra. Wilson sai de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - A diversão começa agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon vai atender a porta. Philip permanece, apreensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Entre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Como vai, Brandon?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Bem. Coloque o chapéu ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Faz tempo, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Por isso fiquei admirado ao telefone. Surpreso, eu diria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Oi, Kenneth. Que prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Igualmente. Alguma novidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Nada de mais. E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Preparando-me para os exames. Sempre começo antes de todos. Sou o primeiro a chegar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sim, você é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Por que chego sempre tão cedo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Porque chega na hora. Sra. Wilson, champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Não é aniversário de ninguém, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não fique preocupado, é quase o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - O contrário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O Philip partirá temporariamente. Vou levá-lo a Connecticut depois da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Para onde vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Para a casa da mãe do Brandon. Vou ficar trancado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Para praticar seis horas por dia. Consegui uma apresentação para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Na Prefeitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Que maravilha! Espero que dê um show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-6828895753247442300?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/6828895753247442300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/6828895753247442300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/festim-diabolico.html' title='FESTIM DIABÓLICO'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-1745541777337584293</id><published>2010-04-12T20:07:00.001-03:00</published><updated>2010-04-12T20:07:20.490-03:00</updated><title type='text'>Parte 2</title><content type='html'>Wilson surge trazendo um balde de gelo com champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Toda enfeitada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON (vaidosa, arrumando o cabelo) Você acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson sai de cena, sorrindo. Servem champanhe a Kenneth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - O que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Sinto-me honrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - E por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Parece uma pequena festa de despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Matamos dois coelhos com uma cajadada só. É para o Sr. Kentley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - (triste) O pai de David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - David virá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Mas é claro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Quem mais vem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Ninguém que não conheça. Os Kentley, a Janet Walker.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - A Janet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sim. Achei que ficaria feliz em vê-la. Não ficará?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - A Janet e eu terminamos, Brandon. Não sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sinto muito, não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Você sabia, Philip?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ouvi dizer, mas não presto atenção a estas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Deveria prestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - A Janet e o David estão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campainha toca. Wilson atende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Olá, Sra. Wilson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENETH - (Olha sua taça vazia) Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sirva-se. Anime-se, tenho a impressão de que agora terá chance com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - O que quer dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon e Kenneth vão receber Janet à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Janet!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Ei, pessoal. (abraça Brandon) Anjo. Cuidado com meu cabelo. Como está cheiroso. O que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O perfume que me deu no Natal passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sabia que tenho bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - E tem. Está bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Quando acabar de pagar já não estarei. (Brandon ri) É engraçado? Nunca sei qando sou engraçada. Quando tento ser dou a maior mancada. Philip querido. (abraça-o) E esse boato de você na Prefeitura? Vai nos pregar uma peça mórbida e ficar... (ao ver Kenneth) horrivelmente famoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Já se conhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Olá, Ken.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - (sorrindo) Olá, Jan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Foi fascinante, não foi? Parece que fiquei sem corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Que me diz de um champanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - "Olá, Champanha"? Entendeu o que digo sobre tentar ser engraçada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon serve champanha a Janet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Como anda, Ken?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Bem, obrigado. E o emprego novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - O que está fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Escrevendo a mesma coluna sobre como manter o corpo bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Para quem agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Uma revista chamada "Allure". (pega a taça e bebe) Obrigada, amigo. Esse quadro não é novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É, você gostou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sim. O que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Jovem primitivo americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Tenho uma jovem irmã americana. Tem três anos e faz coisas primitivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos riem. Ela fala baixo a Brandon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Seu safado. (a todos) Não tem outro novo ali na entrada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Acho que não. Qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aponta para uma parede vazia, do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Este. (falando baixo) Podia te entrangular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que fiz agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Seu senso de humor chega a ser malévolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Do que está falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Por que convidou o Kenneth?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sabe muito bem por que não. Desmanchamos há tempos. Estou quase noiva do melhor amigo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sim, o David. As coisas ficaram perfeitas agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sinto muito, mas é difícil acompanhar seus namoros. Depois de mim veio o Kenneth, e agora o David. Por que trocou o Kenneth pelo David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Obviamente ele é mais simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - E certamente mais rico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Isso foi baixo, até mesmo para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltam a outra sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Há quantos anos eu disse: "Faz cócegas?" Não me diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Soube que Rupert virá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Foi convidado. Nunca se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Espero que venha. Como está ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Quem é ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Rupert Cadell. Foi nosso diretor no colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Diretor desses três anjos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Quatro. Tentou ensinar o David também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - O Rupert agora é editor, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - De sucesso? Talvez me dê emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O Rupert só publica aquilo de que gosta, geralmente filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Letra pequena, muitas palavras, poucas vendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O Rupert é extremamente radical. Sabia que seleciona os livros baseado na idéia de que as pessoas podem pensar, além de ler? É interessante, gosto dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Sempre gostou. As discussões que costumavam ter na escola. Brandon ficava por horas aos pés do mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon aos pés de alguém??? Quem é este Rupert?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Ele contava as coisas mais esquisitas, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Que tipo de coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Acho que o Kenneth quer dizer... a impaciência de Rupert com convenções sociais. Por exemplo, acha que assassinato é crime para a maioria, mas um privilégio de poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campainha toca. Wilson surge, apressada. Brandon abre a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Tudo bem, eu atendo. (abre-a) Sr. Kentley, que bom que veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sra. Kentley e Sra. Atwater entram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - A Sra. Kentley não está bem. Trouxe minha irmã, a Sra. Atwater. Ficará conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Será um prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson pega os chapéus e sai de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - O prazer é meu, meu rapaz. Estou em Nova York há duas semanas. Alice tem estado doente o tempo todo e Henry fica catalogando sua biblioteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Às vezes leio um de meus livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Estou de visita, Henry. É minha segunda festa. Acho que é justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Dê-me suas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - (Entrega-lhe o casaco.) Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Sinto muito sobre a Sra. Kentley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - É só um resfriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Nessa época pode ser perigoso. Espero que esteja de cama com muito suco de frutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Está. Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois homens tentam conversar, mas elas falam mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Isso resolve o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Resfriado perigoso no calor? Não entendo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Dois anos atrás peguei um. Fiquei de cama por três semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON (afastando Wilson) - Com licença... Por aqui, Sra. Atwater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixam Wilson falando sozinha e vão todos para a outra sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - David!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Enganou-se. Esse é Kenneth Lawrence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Sinto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Tudo bem. Muita gente confunde o Kenneth com o David, mesmo quem não tem miopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Close nas mãos de Philip, que se cortou com uma taça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não temos muita chance de observar a semelhança. Não andou estudando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Estou tentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Querida, a semelhança é apenas física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Acho que conhecem a Srta. Walker.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Janet, querida. Terminei seu horóscopo antes de vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Conte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - As estrelas são generosas. Indicam casamento em breve, com um jovem louro alto, com um pai muito gentil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Eu disse isso a semana passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Sim, mas as estrelas confirmam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Que maravilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sra. Atwater, quero lhe apresentar o Sr. Philip Morgan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Como vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Machucou sua mão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não é nada, foi só um corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que houve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Nada. O copo estava trincado e quebrou-se. Aceita um champanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Adoraria. Papai tomava uma taça todas as manhãs às 11h, mas Henry não gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip e Atwater saem de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sr. Kentley, aceita uma taça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Prefiro um pouco de uísque com bastante água. O David está aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon vira-se para servi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pensei que viria com vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Ele ligou-me avisando que nos encontraria aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon sai de cena. Ambos sentam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - De onde ele ligou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Nossa empregada que atendeu. Estava no clube estudando para os exames de tênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - O David não precisa estudar, ele é muito inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - O David está indo muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Obrigada. Como está a Sra. Kentley?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Como sempre. Agora está resfriada. Espero que o David chegue logo. Ela quer que ele ligue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - O David é o único filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Meu também, mas permitirei que ele cresça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Ligarei para ela avisando que ele se atrasou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não se preocupe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - O David pode ter parado para vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon volta com um copo e entrega-o a Kentley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Posso usar o telefone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Claro. Está no quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Que aconchegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pronta para outra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janet bebe e entrega seu copo vazio a Brandon, que vai em direção ao baú, perto de onde está Kenneth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Agora estou. Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Que jovem charmoso. O David devia ser mais amigo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Vou telefonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janet sai de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Kenneth, tem muito ar no seu copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Está bem, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Leva isto para a Janet?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Claro. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Nenhum motivo em particular. É dela. Achei que gostaria de levar para ela. Está no quarto, telefonando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Quer que o David entre de supetão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Seria um choque tremendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kenneth sai de cena, levando os copos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - 14 de julho. Pode prever meu futuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Sou astróloga amadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Com certeza é muito boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Quer saber se sua apresentação será um sucesso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Quero sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Vejamos. Nasceu em 14 de julho. É câncer, o caranguejo. É da lua. É influenciado pela lua. Posso ver suas mãos? Sabe a hora do seu nascimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha as mãos dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Bons dedos, fortes. Artísticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - E a apresentação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Estas mãos lhe trarão grande fama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Considero-me um homem de muita sorte. Estou a postos para a abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - De quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - De sua coleção, por assim dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sim, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kenneth e Janet voltam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Vai tocar. Que ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sua esposa mandou um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - O David não estava lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Estará aqui num minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plano geral. Philip começa a tocar o piano. Rupert entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Seu toque melhorou, Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Rupert, pensei que não viesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Mas me conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sra. Atwater, lhe apresento o Sr. Rupert Cadell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - (sorrindo) Encantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O Sr. Kentley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprimentam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Como vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Rupert Cadell, diretor de Somerville?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Costumava ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Deve ter ensinado meu filho, David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É um elogio. Como vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Olá, amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sra. Walker.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Como sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Brandon falou de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - O que disse foi justo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Você merece justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Kenneth Lawrence, você cresceu! Ora, as aulas acabaram, pode dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Não mudou nada. Prazer em vê-lo novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - (bravo) Por quê? (rindo) Não ligue, prazer em vê-lo novamente. (Vendo a taça de Kenneth) Isso parece ser chamapanha do bom. (olha para a garrafa) E é. Bom champanha. Qual é a ocasião?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Disse-lhe ao telefone. Começou sendo uma festa para o Sr. Kentley, para que pudesse ver as primeiras edições. O Philip e eu vamos para o interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon serve uma taça a Rupert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Também me contou isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Contei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pensei em fazer uma festa de despedida para o Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Portanto champanha. Entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sempre gagueja quando fica entusiasmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Fico sempre entusiasmado quando dou uma festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson entra, com uma bandeja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Sr. Cadell?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sra. Wilson. O que temos aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Tenho aquele patê especial de que gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não gosto mais. Estou brincando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Você é terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Comece a cortar. Trarei o resto em breve. Ah, Sr. Brandon, o encontrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não faço a mínima idéia do que perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - A maravilhosa Sra. Wilson. Talvez me case com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janet aproxima-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Parece uma delícia. Espero que David chegue logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Onde está o David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Não faço a mínima idéia. Está tão atrasado que o Sr. Kentley está perturbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Eu? Estou com fome. (servindo-se)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Brandon, o que é isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Um cassone, da Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Por que a comida está sobre ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Transformei a sala de jantar em biblioteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sabia que encontraria outro uso para o baú. As estórias que ele contava sempre tinham um baú. "The Mistletoe Bough" foi sempre seu conto favorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sobre o que era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kentley aproxima-se. Rupert acende um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não me lembro do começo. Era sobre uma bela jovem. Ela era noiva. No dia do seu casamento escondeu-se num baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Infelizmente, a trava era de mola. Encontraram-na 50 anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Não brincarei assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sirvam-se, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Falando de esqueletos, viram aquela coisa nova no Strand?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sim, adorei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Gostou? Ótimo. Não gostei da nova moça, deve ser de Escorpião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Também não gostei dela, mas suas roupas eram fabulosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Simplesmente divinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Esplêndidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Preciso ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Claro, o homem de meus sonhos é James Mason.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Ele é bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Absolutamente fantástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Um sinistro atraente. É de Touro, muito obstinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Mas tenho algo a confessar. Gosto do Mason tanto quanto do Errol Flynn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Eu prefiro o Cary Grant.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Eu também. De Capricórnio. É divino! É um pedaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Foi incrível naquele filme novo com a Bergman. Como se chama? "O-não-sei-quê-do-não-sei-quê". Não, esse é o outro. Este é só "Não-sei-quê". Era como, sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Tenho na ponta da língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Eu também. Era algo simples. Adorei. E a Bergman...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - É do tipo Virgem, como todos estes... você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Fui ao cinema uma vez. Vi Mary Pickford.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Ela me encantou. Não gostou dela? O tipo Virgem, como todas as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Em que a viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não me lembro bem. Era "Não sei quê do não sei quê". Ou era apenas "Não sei quê? Ou algo bem parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Acredito que nunca tenha ido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson aproxima-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Se fosse você, moderava no patê. Calorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não seja grosseira. Poderia ajudar a Sra. Atwater, Philip?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Com prazer. Sente-se, eu levo para a senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Muito obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atwater senta-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-1745541777337584293?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/1745541777337584293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/1745541777337584293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/parte-2.html' title='Parte 2'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-6921241562465721483</id><published>2010-04-12T20:06:00.002-03:00</published><updated>2010-04-12T20:07:03.738-03:00</updated><title type='text'>Parte 3</title><content type='html'>KENTLEY - Devo me desculpar pelo David. Não sei por que demora tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O David é bastante popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Vou ajudar. Branca ou escura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Um pouco das duas para a Sra. Atwater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não como isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Que estranho. Não conheço ninguém que não coma frango. (a Brandon) Conhece, Brandon? Deve conhecer? (a Philip) Por que não come?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Deve haver um motivo. Freud diz que há uma explicação para tudo, até para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não tem motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Se me lembro, tem um motivo engraçado. Não é, Brandon?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sabia que teria de haver um. O que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não é nada de mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É bastante fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Conte, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Aconteceu há três anos em Connecticut. Minha mãe tem casa lá. Íamos comer galinha e fomos até a fazenda. Era uma bela manhã de domingo de primavera. No vale ouviam-se os sinos da igreja tocando. No quintal o Philip torcia o pescoço de três galinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Minha nossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Uma tarefa que realizava com eficiência. Nessa manhã seu toque estava delicado demais, pois uma das galinhas de repente se rebelou. Como Lázaro, ressuscitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - É mentira! Não é verdade. Nunca estrangulei uma galinha. Nunca estrangulei uma galinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET (rindo) Perdão, mas é engraçado ficaem alterados por uma galinha morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Desculpem, fomos ridículos e muito rudes. Peço desculpas em nome dos dois pela estória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Já acabou tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Temo que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Que pena. A certa altura poderiam ter-se estrangulado um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Sr. Cadell, essa agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - A honra de um homem está em jogo. Pessoalmente, galinha é um motivo tão bom para assassinato como uma loura, um colchão recheado de dinheiro ou qualquer motivo menos imaginativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Mas você não é a favor de assassinato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Eu sou. Pense nos problemas que resolveria: desemprego, pobreza, fila para comprar ingresso no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Devo dizer que foi tão difícil conseguir ingresso para o musical... Como se chama? Você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Uma coisa com aquela pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Querida Sra. Atwater, aplique cuidadosamente o dedo no gatilho e ganha duas entradas na primeira fila. Tem dificuldade para entrar nos seus finos restaurantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Horrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Uma questão simples. Uma espetada com a faca, e passe logo para cá. Não, pule o corpo do garçom. Obrigado, aqui está a sua mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Rupert, você é demais. Tem um recepcionista no hotel que eu adoraria espetar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Desculpe. Não se pode usar facas em funcionários do hotel, estão na categoria "Morte lenta por tortura". Junto com namoradinhos, crianças e sapateadores. Proprieários seria outra estória. Procurando por um apartamento? Ligue para a Sra. guilhotina, do Departamento de Instrumentos Afiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Que idéia divina! Se consegue o que quer... Mas todos estaríamos nos matando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Afinal de contas, assassinato é, ou deveria ser, uma arte. Não uma das sete principais, mas uma arte. E como tal, o privilégio de cometê-lo reserva-se aos poucos indivíduos que são superiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - As vítimas: seres inferiores em importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Obviamente. Cuidado, eu não sou dos extremistas que acham que deveria haver uma temporada aberta ao assassinato o ano todo. Pessoalmente eu prefiro a "Semana Corta Garganta" ou o "Dia do Estrangulamento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Talvez seja a idade chegando, mas devo dizer que não gosto desse humor mórbido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O humor não foi intencional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Está falando sério?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Claro que está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Estão brincando comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por que acha isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - A idéia de assassinato ser uma arte restrita a poucos seres superiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Na temporada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Sei que não fala sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Falo. Sou uma pessoa séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Quem decide se um ser é inferior e, como tal, uma boa vítima?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON (acendendo um cigarro) - Quem tem o privilégio de matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Quem seria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Eu, o Philip, talvez o Rupert. Desculpe, Kenneth, ficou fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Falo sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Nós também. São alguns com superioridade intelectual e cultural que estão acima dos conceitos morais tradicionais. Bem e mal, certo e errado foram inventados para o homem comum, o ser inferior precisa disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Então concorda com Nietzsche e a teoria do super-homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Concordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hitler também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Hitler foi um selvagem paranóico. Seus super-homens fascistas eram assassinos dementes. Enforcaria todos que restassem, mas mais por serem imbecis. Enforco os incompetentes e tontos. Há tantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Devia me enforcar. Sou tão burro que não entendo se falam sério ou não. De qualquer maneira, não quero mais ouvir. Me perdoe... Seu desrespeito pela humanidade e pelos padrões do mundo civilizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Civilizado? Civilização pode ser hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Rupert certamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Cavalheiros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - ...tem inteligência e imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Agora já chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Philip, onde colocou os livros para o Sr. Kentley? Gostaria de vê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Estão na sala de jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sr. Kentley, gostaria de ver os livros agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Perdão. Novamente acho que me deixei levar pelo assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não tem problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - É uma boa coleção. As primeiras edições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Gostaria de vê-los. Posso usar o telefone? Gostaria de falar com mina esposa, talvez saiba algo do David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Claro, por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip e Kentley saem de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Foi muito categórico no seu ponto de vista. Você está pensando em liquidar uns tantos inferiores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sou uma pessoa de caprichos. Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert sai de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sra. Atwater, gostaria de ver os livros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWTAER - Adoraria. Quando criança lia muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Todos fazemos coisas estranhas na infância. (Atwater sai de cena) Kenneth, ligue o rádio ou coloque um disco. Uma música ambiente ajuda muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kenneth faz o que Brandon sugeriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET (atira com raiva um guardanapo sobre o prato) Ele é perverso, não é? Nos reunindo com música lenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Não ligue para ele, sempre faz essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Vou à outra sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Ver os livros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Deixar que Brandon me veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Importa-se com o que pensa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sei o que ele pensa. Acha que te troquei pelo David porque ele tem uma bela conta bancária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Então por que vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Porque... Tenho vergonha de ficar aqui com você. (ele ri) Nunca imaginou que eu ficasse envergonhada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Sinceramente não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Fico e não gosto nada disso. Você devia ter a decência de ficar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Você desistiu de mim, lembra-se? Brandon adoraria saber disso. O que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Nada, estou pensando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sobre o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - A vaidade feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Também estou envergonhada porque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Fale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Você e o David eram ótimos amigos. Não são mais por minha culpa. Sou uma idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Então estou imitando uma. Por que dou uma de esperta com todos menos com o David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Não brinca assim com o Davdi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Com o David fico mais calma. Graças a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - A mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Naquele domingo feio em Harvard, quando você acabou tudo, o David e eu fomos caminhar. Eu estava muito chateada, não dava pra fingir que estava feliz. Me acalmei e deixei tudo fluir, meu eu verdadeiro. Ouviu essa frase? Pego-me dizendo estas coisas. Onde estará o David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Não sou muito esperto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Nunca tinha percebido que você... O Brandon e sua música ambiente. Você se apaixonou pelo David, não? Não entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - O Brandon fez uma piadinha quando entrei. Disse que eu e você agora teríamos uma chance, sem o David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Espere. O Brandon sabia sobre eu e você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Até sabia sobre você e o David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Como? Ele fingiu que não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - O que está acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Não sei, mas vou descobrir de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - (A Brandon) Pode vir aqui um momento? (a Kenneth) Por que ele não tira as mãos das pessoas? (A Brandon) O que está tramando exatamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Ia trazer-lhe um café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Corta esse charme. Por que disse que ele não precisava se importar comigo e com o David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não disse isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Foi o que quis dizer, quero saber por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Muitas mulheres são charmosas quando bravas. Você não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Corta essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O cavalheiro exibe seu lado feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Não acredito que o David venha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Espere e verá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Não preciso, ele nunca se atrasa. Se algo tivesse acontecido, ele telefonaria. Acho que você deu um jeito para ele não aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo plano, vê-se Rupert acompanhando a conversa, intrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Como sou inteligente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Eu devia saber que não daria uma festa só ao Sr. Kentley. Tem de fazer algo que apele a seu senso de humor torpe. Espero que esteja divertindo-se, eu não estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janet e Kenneth saem em ireção a outra sala. Rupert entra em cena, trazendo consigo dois pratos de sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Algo saiu errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - A Janet tem o dom de ser chata às vezes. Porém, acho que eu devia... O que quis dizer com "saiu algo errado"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sempre planeja bem as suas festas, é estranho ver algo dar errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Ela está dando pela falta do David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Na verdade, começo a sentir fala dele também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não sentimos todos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson entra na sala. Brandon vai para a outra sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Duas sobremesas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Uma para você e uma para mim, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - (sorrindo) Sr. C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Parece-me que os outros não querem sorvete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Eles precisam de algo refrescante. É uma festa peculiar. Não que me surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Podia ter previsto isso antes. Acordaram com o pé esquerdo, passaram o dia todo alterados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O Sr. Brandon diz que sempre fica assim quando dá uma festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Seria a primeira vez que vejo. Geralmente eu preparo tudo. Olhe só para isso, mal comeram o frango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O que foi tão diferente hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - O que não foi? O Sr. Brandon estava apressado para que eu arrumasse a mesa. Estava bonita. Mas quando saí para fazer compras, de repente me disse para tirar a tarde toda de folga. A tarde toda de folga depois da correria de manhã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Ele disse por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Acho que deu na veneta. Quando voltei, ele e o Sr. Philip estavam discutindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sobre o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Mesmo que eu soubesse, acha que eu contaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Espero que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Eu não. Sou como um túmulo. Depois de tirar tudo isto, tenho de tirar os livros da mesa, trazê-los aqui e guardá-los no baú, onde estavam antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Por que colocou os pratos aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Não foi idéia minha, coloquei tudo na sala de jantar e estava bem bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip aparece e vê Rupert conversando com Wilson, ela apontando para o baú e se aproxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Está reclamando da mesa e como é ruim servir daqui? É muito mais conveniente. As pessoas não precisam ir à sala de jantar para pegar a comida e voltar aqui para comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Parece que foram para lá comer a sobremesa e tomar o café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sra. Wilson, por favor, sirva os convidados. Não dê sermão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip vai até o piano e começa a tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Levantou-se com o pé esquerdo, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson pega uma bandeja e sai de cena. Rupert aproxima-se de Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Estou numa posição embaraçosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Parece que só eu me divirto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - A Sra. Atwater também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert acende o abajur próximo ao piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O que está havendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Importa-se de apagar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Desculpe-me. (apaga o abajur)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não gosto de tocar com a luz nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sabe, Philip. Fico intrigado quando as pessoas não respondem às perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Você me perguntou algo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sim, perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - O que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Perguntei o que está havendo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Uma festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Mas uma festa bem peculiar. Do que se trata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Do que se trata? Pare de brincar de detetive. Quer saber algo, fale logo! (pára de tocar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Nervos, nervos... Não pare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Quero um drinque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Pego para você. Continue tocando. O que gostaria? Uísque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Conhaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Gosta dessa música, não é? Gostaria de lhe perguntar francamente o que quero saber. Infelizmente não sei de nada, simplesmente suspeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Disse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Eu ouvi. Serve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert entrega o copo a Philip, que bebe um gole e apóia o copo sobre o piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Usa isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Pensei que era para principiantes. Devo dizer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Pronto, eu pergunto. Do que suspeita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Esqueci-me. Onde está o David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não sei. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Brandon sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ele sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não que eu saiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Ora essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não sei. Pergunte ao Brandon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Perguntei. Está ocupado demais com os dois outros cantos do triângulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Para quê? O que Brandon quer fazer com a Janet e o Kenneth? (ri)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Do que ri?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - De nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Foi uma pergunta assim tão absurda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não há nada acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Hoje você está mais que de costume, alérgico à verdade. É a segunda vez que não me diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Obrigado. Quando foi a primeira vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Disse nunca ter estrangulado uma galinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Está confuso. O Brandon inventou aquela piada sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não inventou. Se analisar com cuidado, verá que sei que não inventou. Um ano atrás, eu estava na fazenda, lembra-se? Numa manhã eu o vi exibindo sua habilidade. Que eu me lembre, é um bom estrangulador de galinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Só disse que a estória do Brandon não era real, não disse que não matei nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Foi o que disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não achei que o assunto fosse apropriado durante o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Podia ter dito isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Está bem, não disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não está comendo. Por que mentiria para mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não gosto de falar de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - De quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não posso mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon e Kentley surgem, com alguns livros, indo em direção ao baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Quero que os leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - É muita gentileza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sei que aprecia as primeiras edições mais que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip se exalta, pára de tocar e levanta-se, transtornado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O que foi? O que foi, Philip? Não quer dar os livros ao Sr. Kentley?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não. Digo, não me importo. Só...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Estão mal amarrados, só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - O David nunca teve problemas para cuidar de si. Não consigo entender. Quando se atrasa, ele liga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sempre exigiu que eu fosse mais pontual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - E deveria ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Hoje nem me reconheceria. Sou uma nova mulher, pontual como um relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Isso não é feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Talvez, mas escolho boas maneiras ao invés de feminilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Parece papai falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip vai até a mesa servir-se de mais um copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Calma, Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - O Rupert está desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não está. Acalme-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Tome um drinque, Brandon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Já bebeu muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Tire a mão do meu braço. Nunca mais me diga o que devo ou não fazer. Não gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Fale baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert aproxima-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Espero não ter aborrecido o Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Está só misturando as bebidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Você me parece nervoso também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pareço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sim. Algo está preocupando muito vocês dois. Algo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson os interrompe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Com licença, senhores. Uma senhora ao telefone para o Sr. Kentley ou a Sra. Atwater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Deve ser Alice. Eu falo com ela, Henry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - No final do corredor, à esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - O primeiro quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atwater sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos o baú e a Sr. Wilson tirando os pratos de cima dele e trazendo de volta os livros. Ouvimos apenas as vozes no seguinte diálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sr. Kentley, o David poderia estar em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não sei, Janet. Espero que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não quero os assustar, mas s estivesse me casa, teria telefonado, e não a Sra. Kentley. Não acha, Brandon?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não saberi dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O David de que me lembro é muito educado e pontual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Ele não mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Claro. Se não está em casa, onde poderia estar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Não me pergunte, não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pode estar em mil lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Num clube... Os Bradley estão dando uma festa. Pode ter ido à casa da Janet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Talvez tenha decidido ir buscá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Liguei para casa depois de falar com a mãe dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-6921241562465721483?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/6921241562465721483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/6921241562465721483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/parte-3.html' title='Parte 3'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-3677238477466461705</id><published>2010-04-12T20:06:00.001-03:00</published><updated>2010-04-12T20:06:45.869-03:00</updated><title type='text'>Parte 4</title><content type='html'>KENTLEY - Não estava lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Não. Deixei recado mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Seria mais fácil encontrá-lo agora se soubéssemos onde esteve esta tarde. O que acha, Brandon?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não tenho a mínima idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não ajudaria se descobríssemos onde esteve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Creio que sim. Sei que foi jogar tênis no clube à tarde, e sei que chgou lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Alguém nos ligou de lá avisando-nos que o David nos encontraria aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sabe quem deu o recado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Então o David encontrou alguém no clube que mudou seus planos. Você esteve lá esta tarde, Kenneth?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Gostaria de ter ido lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Você e Brandon estiveram, Philip?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Estávamos ocupados cuidando da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Havia muita coisa a fazer esta tarde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não falou com David o dia todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por que pergunta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Poderia ter ligado avisando que se atrasaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não ligou. Não falamos com o David desde que o convidamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Que estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Como asim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Pensei ouvir o David falar ao telefone com o Philip ontem de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sim, ouviu. Esqueci-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sobre o que conversaram? Ele ligou para saber da festa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ele queria confirmar as horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Deixe-me ajudá-la com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Obrigada, Sr. Cadell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert segura os livros enquanto Wilson abre parcialmente a tampa do baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pode deixar, Sra. Wilson. Pode guardar os livros quando vier limpar aqui de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Não pensei em vir de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Mas precisará vir. Pode deixar os livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Está bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson sai de cena. Rupert coloca os livros sobre o baú. Entra em cena Atwater. Vemos agora todos de pé, desfoca plano do baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Henry, a Alice não soube nada do David. Está muito nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Vou falar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Ela desligou. Começou a chorar tanto... Estou preocupada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - O que ela disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Ela ligou para todos os lugares onde ele poderia estar, várias vezes. Agora acha que ele pode ter sofrido um acidente. Quer que ligue para a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Não, Anita. Não é necessário. O David não é mais criança. Com certeza está bem. Eu... Brandon, irei para casa. Minha esposa precisa de mim. O David não costuma fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Claro, eu entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Posso acompanhá-lo, Sr. Kentley?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Obrigado, Janet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Pegarei suas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sr. Kentley, seus livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Oh, sim. (pega-os)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Eu sinto muito. Pode me telefonar assim que souber do David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - Com prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER - Com certeza ele aparecerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Janet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Não é o momento certo, mas fico feliz por termos conversado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Eu também. O David ficará também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Por que não vem conosco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Eu não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon surge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Isto é seu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANET - Sim, vou levar na mão. Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Pegarei meu chapéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Vai com a Janet?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENNETH - Sim, vamos todos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Eu não disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focaliza Philip bebendo mais um drinque; e Rupert encaminhando-se a Brandon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON (off) - Boa noite, sr. Kentley. Espero que sua esposa se recupere logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY (off) - Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - (off) Telefone assim que souber do David, sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER (off) - (off) Claro. Diga boa noite ao Philip por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON (off) - Claro. Sra. Atwater, obrigado por ter vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER (off) - Obrigada pelo convite. Desculpe ter de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY (off) - Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATWATER (off) - Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT coloca um chapéu. Wilson aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON (off) - Não é o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tira o chapéu e ela procura pelo dele. Rupert vê as iniciais "D.K." no chapéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - (off) Desculpe-me estragarmos a festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - (off) Não estragaram nada, Sr. Kentley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KENTLEY - (off) Por ir embora tão cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cessam as vozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson entrega-lhe seu chapéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Obrigado, Sra. Wilson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Boa noite, Sr. Cadell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Também vai embora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Preciso ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Boa noite. (fechando a porta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - (Off) Ajudo o senhor com os livros, Sr. Kentley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon suspira de alívio e pega em seu bolso a cigarreira. Acende um e vai em direção à sala de estar, onde Philip serve-se de mais um drinque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Obrigado pela bela noite. Boa noite. Foi um encanto. Esta festa devia ficar na História. Vamos. Já acabou. E não poderia ter corrido melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Poderia sim, sem o Rupert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Ele foi brilhante. Ajudou-me a dizer tudo o que eu queria àqueles imbecis, deu exatamente o toque que eu esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Um toque de quê? Bisbilhotar, investigar ou só interrogar? Sabe quanto tempo ficou me interrogando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sobre o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Que diferença faz? Você estava ocupado com seu outro toque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Que toque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Amarrar os livros daquele jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Achei maravilhoso, não gostou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Nem um pouquinho. Vai arruinar tudo com seus toquinhos especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Calado. A sra. Wilson ainda está aqui. Vai mesmo se embebedar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Já estou bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - E infantil como antes, quando me chamou de mentiroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não devia ter contado aquela estória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por que mentiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Precisei fazê-lo. Alguma vez parou para perceber como outra pessoa se sente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não sou sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não quis dizer isso. Não importa. Nada importa. Exceto que o Sr. Brandon gostou da festa. O Sr. Brandon deu a festa. O Sr. Brandon teve uma noite maravilhosa. Minha noite foi horrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Continue bebendo e sua manhã será pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Se eu tiver uma ressaca, ao menos será só minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Andei pensando... merecmos umas férias depois de tudo terminado. Onde gostaria de ir? Devíamos voltar aqui popr alguns dias primeiro. Senão, vai parecer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Rezo para acordar e ver que não fizemos nada ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Morro de medo. Acho que nos pegarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não há chance. Havia, mas não há mais. (barulho de porta batendo) É a senhora, Sr. Wilson?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Sim. Preciso da chave para entrar amanhã cedo. Se é que ainda vão para a fazenda esta noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Vamos até lá, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Que bom. Nenhum de vocês está com uma cara boa. (pega a chave de Brandon) Obrigada. Eu mesma preciso descansar. Mas quero que voltem nas melhores condições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Voltaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WILSON - Estou indo. Divirtam-se. Não se esqueça de me escrever. E não troque o "p" pelo "q".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson sai. Brandon fecha a porta e disca um número no telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Para quem está ligando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Para a garagem. Alô, é o Sr. Brandon Shaw. Poderia trazer meu carro, por favor? Agora mesmo, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desliga o telefone e aproxima-se do baú. Antes de abri-lo, hesita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É melhor fechar as cortinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos vão fechar as cortinas, mas antes que o façam, o telefone toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Quem é? Brandon, quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Deve ser o cara da garagem com minhas chaves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ainda não deu tempo de ele chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Talvez a Sra. Wilson tenha se esquecido de algo. Atenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Brandon, vamos fingir que não estamos em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Com as luzes acesas? Atenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip atende o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Quem é? (ouve e em seguida desliga o fone) É o Rupert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ele quer subir. Deixou a cigarreira aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Deixe que suba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sabe que é mentira. Ele veio investigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Volte ao telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não posso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Você precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon dá um tapa no rosto de Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Cale-se! (ao telefone) Rupert? Pode subir. (ouve) Claro que não, está um pouco apreensivo. (ouve) Não, mas logo encontraremos. (desliga) Ouça, Philip, Rupert está subindo. Você precisa se recompor. Você me ouviu? Tome outro drinque, se precisar, mas recomponha-se e mantenha o bico fechado. Tudo se resolverá em cinco minutos. Não sei o quanto o Rupert sabe, ou se sabe algo, mas prometo que estará fora daqui em cinco minutos. Dê por onde der. Durante esses cinco minutos preisa se recompor. Olha aqui, não serei apanhado por causa de você nem de ninguém. Agora ninguém vai me atrapalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon sai da sala e volta com uma arma. Campainha toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não está carregada, está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon coloca a arma no bolso do paletó e vai abrir a porta. Rupert entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Desculpe-me incomodá-lo, Brandon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não tem problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sabia que ia viajar e não queria ficar sem a cigarreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert olha para Philip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Olá. Não quis assustar você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não o assustou. Acho que o Philip está um tanto anti-social hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Achei que talvez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sabe onde deixou a cigarreira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não tenho idéia. Eu jamais me esqueço de nada. (discretamente coloca a cigarreira em cima do baú, atrás dos livros) Um psicólogo diria que realmente não esqueci, que a deixei aqui inconscientemente porque queria voltar. Mas por que eu voltaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sim, por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Pelo prazer da companhia. Ou por outro drinque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É uma boa idéia. Posso tomar um drinque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Claro. Um pequeno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não, prefiro um grande, se não se importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Nem um pouco. Philip, pode preparar um drinque para o Rupert?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Vejamos... A última vez que estava com a cigarreira foi quando eu estava aqui. Ia abrir o baú para a Sra. Wilson quando você veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - E depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Acho que eu... Onde poderia estar? Está logo aqui, onde deixei. Senhores, peço-lhes desculpas. Perdoem-me. Ainda posso tomar o drinque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Vocês não se importam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Por que nos importaríamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Devem estar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Cansados. Não tem problema mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ele disse que pode!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não ligue para o Philip, tomou uns copos a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon entrega um copo a Rupert, que senta-se e bebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Bem, e por que não? Afinal de contas, foi uma festa. É um prazer sentar-me aqui, com um bom drinque e em boa companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Fico feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não quero atrapalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sei que têm coisas a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Arrumar malas, detalhes finais. Vai dirigir para Connecticut esta noite, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sim, mas já arrumamos tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Entendo. Tudo pronto. Tudo menos um convidado que deve ser despachado. Bem, estou indo. Assim que terminar meu drinque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não há pressa, Rupert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert bebe mais um gole e apóia o copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Obrigado. Gostaria de ficar um pouco, talvez até saírem. Detesto sair de uma festa, principalmente quando a noite foi tão estimulante, ou estranha como esta noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Comoa ssm, estranha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Eu disse "estranha"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Escolhe as palavras pelo som ao invés do significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não sei exatamente o que quis dizer, mas é que pensei sobre o David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que há de estranho sobre o David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não está aparecendo. Não acha que aconteceu algo a ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Como o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Pode ter sido atropelado ou preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Em plena luz do dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É mesmo, me esqueci. Devíamos estar em plena luz do dia quando aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Quando aconteceu o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon coloca a mão no bolso em que guardou a arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Quando seja o que for que aconteceu ao David. Provavelmente nada. Mesmo assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Onde ele está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Qual é sua teoria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - A minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - De momento estou considerando a da Janet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Não sabia que ela tinha uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Tinha. Não pude deixar de ouvi-la. Ela acha que você raptou o David ou fez algo para impedir que ele viesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que a Janet pensa não me interessa. Você me interessa. Acha que sequestrei o David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É o tipo de maldade que você adoraria fazer no colégio, pela experiência, emoção, perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Mas seria bem mais difícil realizar isto agora, não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Você daria um jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Como? Suponhamos que você fosse eu. Como tiraria David do seu caminho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Você é bem melhor do que eu nessa área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que faria, se fosse eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Bem, se eu quisesse me livrar do David, eu o convidaria para um drinque num clube ou num bar calmo. Melhor ainda, eu o convidaria para vir aqui, assim ninguém nos veria juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Muito bem, sem testemunhas. E depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Bem, deixe-me pensar. Na hora combinada, o David chegaria e eu lentamente sairia da sala até a entrada para cumprimentá-lo. Diria como ele estava bem e pegaria seu chapéu. Eu o traria até aqui, conversaria um pouco para deixá-lo a vontade e talvez lhe oferecesse um drinque. E ele se sentaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Tentaria tornar tudo agradável. O Philip provavelmente tocaria piano. Que me lembre, o David era bem forte. teria de ser derrubado. Silenciosamente eu iria por trás da cadeira e bateria na cabeça dele com algo. Seu corpo cairia no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - E onde o colocaria depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Bem, deixe-me pensar. Pediria ao Philip para me ajudar a tirá-lo da sala, descer as escadas e nós dois o colocaríamos no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Mas seriam vistos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Você mesmo disse que se algo aconteceu, deve ter sido em plena luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Isso mesmo, esqueci-me. Então teria de encontrar um lugar para escondê-lo até o anoitecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Teria sim. Mas onde, Rupert?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sim, onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert chega bem próximo ao baú. Philip atira sua taça no chão, com força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Gato e rato! Quem é o gato e quem é o rato? Agora chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Meta-se na sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Já mandei meter-se na sua vida! (a Rupert) Não é da minha conta, não sou responsável por ele. Com ele neste estado não vale a pena ficar, Rupert. A menos que tenha voltado para encontrar outra coisa, além de sua cigarreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Por exemplo, para saber se realmente se livrou do David?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - É o que quero dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Você é romântico como a Janet. Não acredito que tenha raptado David. Admito que a Janet me fez desconfiar, mas jamais o teria mencionado se não fosse por você carregar o medo da descoberta no seu bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - É uma arma, não é? (Brandon ri e tira a mão do bolso) Foi o que mais aguçou minhas suspeitas. E para dizer a verdade, me amedronta um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Sinto muito, Rupert. Não posso culpá-lo. (joga a arma sobre o piano) Pronto, pode se acalmar, estou levando-a para a fazenda. Houve vários roubos por lá, mamãe anda nervosa. (A Philip) Terminou, Philip?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Ouviu o que o Rupert disse sobre a arma? Pensou... É estranho como transforma fatos simples em fantasias desvairadas. Todos fazemos isso, não é, Philip? Principalmente depois de uns drinques. Como está o seu, Rupert?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Acho que vou indo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Philip, sentir-se-á bem melhor tomando ar fresco. Não terá trânsito complicado, chegaremos logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - A noite está agradável. Vai dirigir com bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert retira de seu bolso a corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Até desejaria ir com vocês, deve ser bem emocionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Dirigir à noite sempre é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Mas dirigir com Philip agora teria um elemento adicional de suspense. Tinha razão, Philip, os livros não estavam bem amarrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Ele percebeu! Ele sabe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip pega a arma e a aponta na direção de Rupert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Calma. Eu cuido disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Não cuidará de nada. mato você ou ele. O quanto antes. É o que queria, não? Que mais alguém soubesse como você é brilhante. Como no colégio. Eu disse que ele descobriria, mas tinha de convidá-lo. Agora estamos perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Cale-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIP - Você me forçou e eu te odeio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert avança e tenta tomar a arma de Philip. Os dois a seguram e ela dispara. Passa a bala de raspão pela mão de Rupert, que segura a arma. Philip cai no sofá, exausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - (a Philip) Seu bêbado idiota! (a Rupert) Sinto muito, Rupert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Se quisesse mesmo matar não erraria, não a esta distância. Claro que ele não quis te matar, não sabia o que fazia, nem o que falava. Não quis contar a ninguém, mas estava se tornando alcóolatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Pode ir para lá, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O Philip está bêbado. Não vai levar a sério os delírios dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Brandon, estou cansado e de certo modo, também com medo, mas não quero discutir mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que vai fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não quero, mas vou olhar dentro daquele baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Ficou louco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Espero que sim. De todo coração, espero ter ficado louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Isso não tem nada a ver com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Preciso olhar dentro do baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Está bem, pode olhar. Espero que goste do que verá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert abre o baú e fica horrorizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não acreditei que fosse verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Rupert, por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Por favor, o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Preste atenção, deixe-me explicar-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Acha que pode explicar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Para você eu posso, porque você vai entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Entender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Lembra-se da conversa anterior com o Sr. Kentley?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Dissemos: "As vidas de seres inferiores são insignificantes"? Dissemos: "Sempre dissemos, eu e você, que conceitos morais de bem e mal, certo e errado não se aplicam aos seres intelectualmente superiores". Lembra-se, Rupert?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Sim, eu me lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - Foi isso que fizemos. Foi só o que Philip e eu fizemos. Eu e ele vivemos o que eu e você conversamos. Sabia que entenderia. Tem de entender, você tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert, transtornado, afasta-se e senta-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Brandon, aé esse exato momento este mundo e as pessoas que nele vivem sempre foram obscuras e incompreensíveis para mim. Tentei iluminar meu caminho com a lógica e com o intelecto superior, e jogou minhas palavras na minha cara. Era seu direito. O homem deve sempre cumprir o que diz. Mas deu às minhas palavras um significado que eu jamais imaginei, e tentou distorcê-las num pretexto cruel e lógico para seu assassinato horroroso. Nunca foram assim, Brandon, e não pode torná-las assim. Deve haver algo no seu íntimo, desde o início, que permitiu que fizesse isso. Mas há algo dentro de mim que jamais me permitiria fazê-lo e nunca me deixaria fazer parte disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que quer dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Esta noite fez-me envergonhar dos conceitos que sempre tive dos seres superiores ou inferiores. E lhe agradeço por essa vergonha, porque agora sei que somos, cada um de nós, um ser humano individual,Brandon, com direito de viver, trabalhar e pensar como indivíduos, mas com uma obrigação com a sociedade em que vivemos. Com que direito se atreve a dizer que há seres superiores aos quais você pertence? Com que direito se atreve a decidir que esse rapaz aí era inferior e, portanto, poderia ser morto? Pensou que era Deus, Brandon? Foi o que pensou quando roubou sua vida? Foi o que pensou ao servir um banquete sobre seu túmulo? Não sei o que pensou nem o que é, mas sei o que fez. Cometeu um assassinato! Estrangulou e tirou a vida de um ser humano que poderia viver e amar como você nunca pôde, e como jamais poderá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANDON - O que está fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Não é o que farei, é o que fará a sociedade. Não sei o que será, mas posso adivinhar e ajudar. Vai morrer, Brandon. Vocês dois! Vão morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rupert abre a janela e dá três tiros no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Alguém deve chamar a polícia. Alguém ouviu os tiros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandon serve-se de mais um drinque e bebe-o tranquilamente. Rupert senta-se numa cadeira próximo ao baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUPERT - Estão vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;M&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-3677238477466461705?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/3677238477466461705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/3677238477466461705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2010/04/parte-4.html' title='Parte 4'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-7641859561814636634</id><published>2009-08-15T19:00:00.005-03:00</published><updated>2009-08-16T15:46:17.313-03:00</updated><title type='text'>HIS GIRL FRIDAY</title><content type='html'>&lt;div&gt;(Jejum de Amor / Condenados ao amor)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não vou nem comentar a tradução ridícula do título deste HIS GIRL FRIDAY (1940), dirigido por Howard Hawks ("Scarface" e "Rio Bravo", entre muitos outros), com roteiro de Charles Lederer ("Os Homens Preferem as Loiras" e "A Dama de Shanghai", entre outros) e baseado na peça "The Front Page" de Ben Hecht e Charles MacArthur.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas vou comentar sobre esta incrível película. Como meus leitores imaginários sabem, para mim os filmes que são o sumo do supra-sumo são aqueles em que o roteiro é o protagonista. Este é o caso, amiguinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em "His Girl Friday", a estrela da vez é o texto, altamente inspirado e inspirador, em que os personagens falamfalamfalam (tal como Woody Allen viria a fazer anos depois) e nem assim conseguem ser chatos, mas deliciosamente simpáticos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dos melhores e mais subestimados filmes de todos os tempos, o início do screwball e seu maior expoente até então, deveria constar em todas as listas de melhores que existem. O filme mais ágil já feito, com diálogos pra lá de espirituosos e é evidente que serviu de base a milhentas sitcoms (desde a inocente "I Love Lucy" até o inacreditavelmente hilário "Will and Grace") do tipo que já não se fazem mais, infelizmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este roteiro eu traduzi da versão original retirando alguns termos técnicos supérfluos (sim, pois nem todos são), os espaçamentos gigantescos e toda a parte embromativa. Só não retirei tudo porque não queria deixar apenas os diálogos; e só não acrescentei mais coisas porque não queria uma novelização.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Grr... Detesto novelizações!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/125290973/4ac2a301/Roteiro_-_His_Girl_Friday.html"&gt;Download deste roteiro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/125286165/aca210a1/Roteiro_-_His_Girl_Friday__original_.html"&gt;Download do roteiro original completo, em inglês&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FADE IN&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TUDO ACONTECEU NA "IDADE DAS TREVAS" DO JORNALISMO QUANDO "CONSEGUIR AQUELA MATÉRIA" JUSTIFICAVA QUALQUER&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ATITUDE DO REPÓRTER.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;NÃO HÁ SEMELHANÇAS COM OS JORNALISTAS DE HOJE.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREPARADOS?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA - REDAÇÃO DO MORNING POST&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Travelling, Sala cheia, Muita gente trabalhando, andando pra lá e pra cá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - (off) Mensageiro!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MAISIE - E o final desta matéria?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TELEFONISTA - "Morning Post". Redação? Um momento, vou passar a ligação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Se me procurarem, estarei no tribunal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OFFICE-BOY - Elevador! Vou descer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TELEFONISTA - Oi, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Oi, Magrela. Oi, Ruth. Oi, Maisie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MAISIE - Oi, Hildy!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O dono do mundo já chegou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MAISIE - Já. De mau humor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Devem ter roubado as jóias da coroa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MAISIE - Devemos anunciá-la?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, eu mesma me anuncio. (a Bruce) Ele chegou. Espere aqui. Volto em 10 minutos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - É muito tempo para ficar longe de você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que disse? Vamos. Diga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Disse que é muito tempo para ficar longe de você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu tinha ouvido. Gostei, por isso pedi que repetisse. Posso ser mimada. O senhor que vou ver não é disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Gostaria de mimá-la. Não quer que eu vá junto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu me viro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Se engrossar, estou aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Virei correndo. Oi, Jim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy vai andando em direção à sala de Walter enquanto cumprimeta a todos e todos sorriem para ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Oi, como vai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BEATRICE - Oi, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Oi, Beatrice. E os abandonados?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Bem. Minha gata deu outra cria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Também tem culpa. É bom te rever. Como vai, Jim? Mildred, continua aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY entra na sala de WALTER e só depois bate à porta. Walter está de costas e não se vira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Mais no queixo, chefe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que quer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Sua ex-esposa. Quer vê-la? Oi, Hildy!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Oi, Walter. Oi, Louie. Como vai o rei do caça-níquel?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Não sou mais. Eu me aposentei. Entende?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY entra na sala:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Estou ocupado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Ouça, o governador não assinou a comutação da pena. Amanhã, Earl Williams morre e nós nos ferramos. O que vai fazer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Chame o governador ao telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Não posso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Porque não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Ele foi pescar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Há quantos locais de pesca?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Ao menos dois: O Atlântico e o Pacífico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Isso simplifica, não? Chame-o ao telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Digo o quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Silêncio, ele está pensando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Diga que, se comutar a pena, nós o apoiaremos para o Senado. Diga que o "Post" vai apoiá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Não pode fazer isso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Por que não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Somos um jornal democrático há mais de 20 anos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quando conseguirmos a comutação, voltaremos a ser democráticos. Ande logo. O jornal espera que os editores cumpram seu dever. Dê o fora também, Louie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Certo, chefe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vejo que continua o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É a primeira vez que traio um governador. Pois não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Posso me sentar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Há sempre uma luz para você na janela. Venha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pulei dessa janela há muito tempo. (senta-se na mesa) Pode me dar um desses? (pega um cigarro) Obrigada. E um fósforo. (pega o fósforo que Walter lhe dá e o acende) Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ora, ora, quanto tempo faz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você sabe. Quando nos vimos pela última vez?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vejamos. Passei 6 semanas em Reno, depois fui às Bermudas. Uns 4 meses. Parece que foi ontem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Pode ter sido. Tem sonhado comigo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não sonho mais com você. Você não me reconheceria mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Reconheceria. A qualquer horaem qualquer lugar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Está se repetindo. Disse isso quando me pediu em casamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vejo que se lembra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro, ou não me divorciaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não deveria ter feito isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Se divorciar de mim. Acaba com a autoconfiança. Dá uma sensação de não ter sido amado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Mas o divórcio é para isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Bobagem. Acha que divórcios são para sempre até que a morte nos separe. Divórcios não significam nada. São apenas palavras murmuradas por um juiz. Temos algo que nada pode mudar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Acho que tem razão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Gosto de você, sabe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Muito bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Queria que não fosse tão canalha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Latino, eu acho. Devia conhecer minha mãe...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Por que prometeu não discordar do divórcio e fazer o possível para colaborar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu pretendia deixá-la ir, mas você não sente falta da água até o poço ficar seco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Um palerma como você, contratar um avião para escrever: "Hildy, não se apresse. Lembre-se da minha covinha, Walter." Atrasou 20 minutos o divórcio, enquanto o juiz foi olhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não quero me gabar, mas ainda tenho a covinha no mesmo lugar. Agi como qualquer marido que não quer ver seu lar desmoronar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Que lar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Lembra-se do lar que prometi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro que sim. Era o que teríamos logo após a lua-de-mel. Lua-de-mel!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Tive culpa? Sabia que a mina ia desabar? Eu pretendia estar com você na lua-de-mel. Francamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Em vez de duas semanas em Atlantic City com meu marido passei duas semanas numa mina de carvão com John Kruptzky. Não nega isso, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu me orgulho. Superamos todos com a matéria!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É mesmo? Não casei para isso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - De que adianta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ouça, Walter, vim pedir que pare de ligar várias vezes por dia, de mandar telegramas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Escrevo lindos telegramas, não? Todos dizem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vai escutar o que tenho a dizer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ouça, para que brigar? Volte a trabalhar no jornal. Se conseguirmos nos dar bem nos casaremos de novo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro. Não guardo ressentimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Você é maravilhoso de um modo odioso. Fique quieto e me deixe falar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vamos almoçar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Já tenho compromisso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Desmarque.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não posso! Quer me soltar? Está brincando de osteopata?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Calma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ouça, você não é mais meu marido e nem meu chefe. E não vai ser meu chefe!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que quer dizer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que eu disse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não vai voltar para o jornal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Certo. Pela primeira vez hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Uma proposta melhor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY -Exato.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vai trabalhar com outro. É a gratidão que eu recebo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pare de resmungar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que era há 5 anos? Uma recém-formada em jornalismo. Peguei uma caipira bonita!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não me aceitaria se fosse feia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Por que deveria? Achei melhor ter alguém que não assustasse. Fiz de você uma grande repórter. Não seria boa em outro jornal. Precisamos um do outro, e o jornal precisa de nós! Vendido ao americano! Está bem!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ouça, por favor. O jornal terá de continuar sem mim e você também. Não deu certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Teria dado se aceitasse ser apenas editora e repórter. Mas tinha de se casar comigo e estragar tudo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu não parece que fui eu que o pedi! Praticamente. Ficou dois anos me olhando até eu terminar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - "Oh, Walter!" E estava bêbado quando a pedi! Você devia ter esquecido, mas não! (Hildy atira algo nele, que desvia) Perdeu a pontaria. Já arremessou melhor. (atende o telefone) Alô? O quê? Sweeney, em que posso ajudar? Espere aí, é o Duffy. Não pode fazer isso comigo. Justamente hoje! O que houve? Ficou louco? Santo Deus! Ouça, isto não é hora... Está bem, eu acho. Se tem de ser assim! Tinha de ser. Que tal? Tudo me acontece. (desliga o telefone) 365 dias no ano, tinha de ser hoje!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que houve?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sweeney.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Morto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O único que sabe escrever e resolve ter um bebê hoje!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não fez de propósito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não interessa! Devia estar cobrindo Earl Williams e está andando no hospital! Não há honra neste país?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não tem mais ninguém?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ninguém que saiba escrever. Isso vai me ferrar a menos Hildy! Precisa me ajudar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, sem chance.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (a alguém que entrou) Saia! Estou ocupado. (A Hildy) Por favor... Isso vai nos deixar unidos como éramos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É o que temo: "a qualquer hora, em qualquer lugar".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não deboche de mim! Não faça isso por mim, faça pelo jornal! Suma, Svengali. Se não por amor, por dinheiro. Dou mais US$ 25 por semana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ouça, seu macaco cabeçudo US$ 35 e nem um centavo a mais! Vai me ouvir?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quanto o outro jornal ofereceu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não há outro jornal!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Então fica com o antigo salário. Tentando me chantagear! Estou ocupado!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Dê uma olhada. Sabe o que é? Um anel de noivado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Anel de noivado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Tentei contar logo mas começou a divagar. Vou me casar e vou ficar o mais longe possível do jornalismo. Cansei!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Pode se casar mas deixar o jornalismo, não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sei o que seria para você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Isso a mataria!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não vai me convencer disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você é um homem de imprensa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Por isso vou parar. Quero poder ser uma mulher.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Uma traidora!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Traidora de quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Do jornalismo! É uma jornalista!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Jornalista? E o que é isso? Espiar pela fechadura acordar pessoas para perguntar se Hitler começará outra guerra? Tirar fotos de velhotas? Sei tudo sobre repórteres. Um bando de tontos correndo por aí sem um tostão e para quê? Para informar desocupados. Bom, eu... De que adianta? Você não sabe o que significa querer ser respeitável e ter uma vida mais ou menos normal. O fato é que cansei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Onde conheceu esse homem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Bermudas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Rico?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não é o que chamaria de rico. Ganha uns US$ 5 mil por ano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Trabalha em quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - No ramo de seguros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Seguros?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É um negócio honesto, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro que é. Também é emocionante, romântico... Não consigo imaginá-la cercada por apólices, apólices.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu posso e eu gosto. Ele esquece o trabalho quando está comigo. Não me trata como um contínuo. Ele me trata como mulher.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É mesmo? Eu a tratava como um búfalo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não sei de búfalos, mas eu o conheço. É bom, gentil e atencioso. Quer um lar e filhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu devia me casar com ele. Como se chama?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Baldwin... Bruce Baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Conheci um Baldwin. Ladrão de cavalos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não pode ser o mesmo. Não se trata do homem com quem vou me casar amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Amanhã? Tão cedo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Finalmente consegui contar o que queria. Acho que é só isso. Adeus, Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Adeus, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - E mais sorte da próxima vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Obrigado. Hildy, você me pegou de surpresa. Querida, desejo que tenha tudo que não pude dar. Esse outro cara, lamento não o ter conhecido. Sou meio exigente com quem minha esposa se casa. Onde ele está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Está aí fora, me esperando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Posso conhecê-lo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY -Não, não faria nenhum bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está com medo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro que não!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter e Hildy saem da sala e vão para o primeiro cenário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Então vamos conhecer esse modelo! Se é tão bom assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É melhor!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Então o que quer com você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Agora me pegou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Volto em uma hora. Desculpe. Acho que Bruce...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - ...abre as portas para você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Abre. E, comigo, tira o chapéu. E, ao andar, ele me espera.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Nesse caso... Permita-me. Vejo que minha esposa escolheu o marido certo. Como vai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DAVIS - Deve haver um engano. Já sou casado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Já é casado? (A Hildy) Hildy, devia ter dito. (a Davis) Parabéns de novo, Sr. Baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DAVIS - Não, meu nome...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Mr. Burns.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Estou ocupado. Deixe um cartão com ele. Como disse?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Sr. Burns... Meu nome é...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Outra hora. Estou ocupado com o Sr. Baldwin. Eu ia dizer que...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Meu nome é... Mr. Burns...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que há com você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Sou Baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você é Baldwin? E quem é ele? Quem é você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DAVIS - Meu nome é Davis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sr. Davis, isto é da sua conta? Então não se meta nos meus assuntos. Que isso não se repita. (A Baldwin) Lamento o engano. É um prazer. Isso está errado. Bruce posso chamá-lo de Bruce? Somos quase parentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Sem dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Minha esposa isto é, sua esposa quer dizer, Hildy, você me fez pensar que se casaria com um homem mais velho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É mesmo? E o que eu disse para que pensasse...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não se preocupe.... Entendo que não se referia à idade. Sempre carrega guarda-chuva?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Estava meio nublado de manhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Certo. Galochas também, espero.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Um homem deve estar preparado para emergências.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É melhor irmos andando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É mesmo. Aonde vamos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Almoçar. Não disse a ele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Ela queria surpreendê-lo. Depois de você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Depois de você, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saem de cena, entrando no elevador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA - Restaurante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É perda de tempo. Não adianta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não, estou achando ótimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Olá, Gus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS - Não me diga que é você, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu mesma. Como vão as coisas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS - Não posso reclamar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu posso. Estou com fome. Um sanduíche de rosbife...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bruce quase senta-se sobre Walter e muda de cadeira, ficando em frente a Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Desculpe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - ...no pão branco. Ali, Bruce. E você, Hildy?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - A mesma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS - E o senhor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Está bom para mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - E traga mostarda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gus, o garçom, sai de cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Então vão se casar. O que está achando, Bruce?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - É muito bom, sim, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Arrumou uma ótima garota.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Eu sei. Tudo mudou para mim desde que a conheci. Não conheci ninguém como ela. Todas que conheci sempre dava para saber o que iam dizer ou fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Mas Hildy não é assim. Não se pode dizer isso dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Isso é bom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Também arrumou um homem de imprensa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sem floreios, Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Dos melhores que conheci. Lamento muito vê-la ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Espero que fale sério.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É sério. Se quiser voltar para o jornalismo...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não vou. Apesar de tudo, eu só trabalharia para um homem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu a mataria se trabalhasse para outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ouviu, Bruce? É meu diploma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Deve ser um negócio e tanto. Você quer mesmo parar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que quer dizer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Se tiver alguma dúvida ou se houver algo Não, é a sua chance de ter um lar e ser como disse, um ser humano e quero que tenha essa chance. Claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu não a deixaria ficar. Ela merece ter todas as coisas que não pude dar. Ela só queria um lar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Vou tentar dar um a ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sei que vai. Onde vão morar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Albany.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Albany? Tem família lá?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Só minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Mãe? Vão morar com ela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Só no primeiro ano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Isso vai ser bom. Um lar com uma mãe. E em Albany. É uma bela cidadezinha. É a capital do Estado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu sei. Estivemos lá uma vez. Vai esquecer a noite em que levou o governador para o hotel? Eu estava tomando banho. Saí sem a... Ela não sabia que eu estava na cidade. Como são os negócios lá? Melhores?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - É uma boa cidade para seguros. Muita gente faz desde cedo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Posso entender.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - As estatísticas mostram que...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Tenho a sensação de que deveria ter feito seguro. Claro que não importa agora que Hildy e eu você sabe, nós... O que você acha? Mas teria sido uma boa idéia ter feito seguro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Acho que sim. Estou num ramo que ajuda as pessoas. Não ajudamos muito enquanto está vivo, mas depois é o que conta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy chuta Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Desculpe, meu pé escorregou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS reaparece.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS - Tudo bem. O que quer beber?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Café.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS - Quer com rum? Está frio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Para mim também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS - E o senhor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não, obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vamos, Bruce.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Preciso comprar as passagens, enviar a bagagem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Faça amanhã. Há muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Partiremos às 16 h para Albany.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vão partir hoje às 16 h? Daqui a duas horas. Não temos muito tempo. Ainda tenho que (derruba uma bebida em si mesmo) Vejam isso, me molhei todo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não é novidade. Tome.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Pode deixar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter levanta-se e vai falar com Gus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Gus, me ajude aqui, por favor. Assim que eu voltar à mesa, me chame ao telefone. Está ótimo, Gus, obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Wlater volta à mesa e senta-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sinto muito. Que bobagem. Bruce, deixe-me entender. Devo ter entendido mal. Vão pegar o trem-leito hoje e se casar amanhã?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não é bem assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Como é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pobre Walter. Vai passar a noite em claro. Conte logo que mamãe vai também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sua mãe chutou o pau da barraca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não, minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sua mãe! Isso me tranqüiliza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Foi cruel deixá-lo sofrer assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O Walter não é adoravel? Sempre tentando me proteger.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Admito que não fui um bom marido, mas pode contar comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Acho que ela não vai precisar. Pretendo protegê-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUS - Sr. Burns, telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Para mim? Que estranho! Com licença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter levanta-se e sai de cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Sabe, ele não é tão mau.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, vai fazer alguma garota feliz. Muito feliz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Ele não é o homem para você, mas gosto dele. É muito charmoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É nato. O avô dele era uma cobra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER ao telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Alô Duffy, escuta podemos impedir que o trem das 16h para Albany deixe a cidade? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY (VO) - Podemos dinamitá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Podemos? Talvez não. Faça o seguinte: mande Sweeney sair da cidade por duas semanas. Mantenha sua camisa. Calma, Hildy vai voltar. Ainda não sabe, mas juro que vai ficar. Peça ao Louie para ficar no escritório. Posso precisar dele. Adeus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter volta à mesa e senta-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Más notícias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que houve?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O caso Earl Williams.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Li sobre o caso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está feio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quais são os fatos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Simples, querida. Ele perdeu o emprego, se descontrolou e matou o tira que quis acalmá-lo. Vão enforcá-lo amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Que absurdo! Seu jornal está do lado dele? Se ele estava descontrolado, por que apenas não o prendem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O tira era negro. Sabe como é&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O voto dos negros é fundamental.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - A eleição é em 4 dias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O prefeito enforcaria a avó pela reeleição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Mostre que não foi responsável.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não é tão fácil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Talvez não seja tão difícil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ele será examinado de novo antes de ser enforcado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro. Por um tal Egelhoffer. Dirá o mesmo que o resto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - E se disser?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Qual é o plano?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Consiga a entrevista com Earl. Publique a declaração do perito. E junto, em coluna dupla, publique sua entrevista. "Médico diz que ele é são. Entrevista mostra que é louco." Você consegue. Pode salvar a vida desse coitado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você podia... Não, você vai viajar. Esqueci.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Quanto tempo demoraria?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Uma hora a entrevista, mais uma para redigir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Podemos pegar o trem das 18 h, se for para salvar uma vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, se quiser salvá-lo redija você a entrevista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sabe que não posso. É preciso um toque feminino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não seja poético. Peça a Sweeney. É o melhor do jornal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Coitado. Duffy disse que a esposa teve gêmeos. Não é horrível? Ele saiu para comemorar e desapareceu. Sweeney tem gêmeos, e Earl será enforcado amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não é tão ruim...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Discuta com ela ou irão para a lua-de-mel com culpa. Como serão felizes? Um homem terá morrido porque ela não pôde esperar duas horas! O rosto dele estará entre vocês no trem, no casamento e para o resto da vida!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pare! Que farsa! Acabei de me lembrar que Sweeney casou há 4 meses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está bem, você venceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Então a esposa não teve gêmeos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, os gêmeos eram do Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não foi nada. Vamos esquecer. Vamos recomeçar. Tenho duas propostas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY -Não interessa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você se interessará, é esperto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não ouça. Eu o conheço...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Desculpe, estou falando com ele. Ouça, Bruce convença-a a escrever a matéria, e eu comprarei uma apólice.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não usaria minha esposa para fazer negócios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Espere um pouco. Walter, que apólice?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - US$ 25 mil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - US$ 50 mil Qual a comissão de US$ 100 mil?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - US$ 1 mil, mas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY -O que tem de mais?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Eu não poderia...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Nós podemos usar este dinheiro. Seria bom. Quanto tempo demora para examiná-lo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - O médico viria em 20 minutos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter interfere.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY (A Walter) - Fique fora disso. Faça com que ele seja examinado no escritório para ver como está a carcaça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Estou melhor do que nunca!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não tem do que se gabar. Vou trocar de roupa. Depois que pegar o cheque, me ligue. Estarei na sala de imprensa do prédio do tribunal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Faça um cheque visado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Acha que sou vigarista?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sim. Sem cheque visado, sem matéria, entendeu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Será visado. Quer digitais?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, essas eu ainda tenho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter vai ajudar Hildy a vestir o casaco, mas passa-o a Bruce e vai falar com o garçom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quanto devo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Obrigada, querido. Desculpe. Quanto tem aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Tudo que temos: US$ 500.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Deixe comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Mas e as passagens?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu compro. Sei o que estou fazendo. Ele vai fazer você jogar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Eu não jogo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Muita gente não fazia nada até conhecer Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Está bem, mas é tudo que temos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Tem troco para 10?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Entende o que eu digo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Dei tudo para Hildy. Só tenho...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vamos, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu não. Assine.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está bem. (Walter pega uma moeda de Bruce) Para o garçom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Venha, Bruce.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORNING POST - Sala de imprensa / Pessoal jogando cartas e atendendo telefones.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - US$ 0,10.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu entro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu passo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Wilcox, 3400. Quantas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Duas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não vai fazer nada, Ernie. O que há com vocês? Estão inválidos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só apostarei 20 centavos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O telefone toca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Sala da imprensa. Um momento. Alô? É McCue. Um momento. O quê? Não, eu disse que é a sala da imprensa. Jake, novidades. O médico de Nova York, Dr. Egelhoffer vai entrevistar Williams daqui a uma hora na sala do xerife. Deve ser o décimo. Se ele não era maluco antes ficará depois que esses médicos o analisarem. Sala da imprensa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Esse cara é bom?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Adivinhe você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi enviado a Washington para entrevistar o Grupo de Peritos. E disse que eram sãos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta é a situação na véspera do enforcamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vou pegar bolo. Aqui é Murphy. Mais notícias do enforcamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Guarda dupla na prisão, edifícios públicos e terminais ferroviários como preparação para a esperada manifestação de radicais na hora da execução.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O xerife pôs mais 200 parentes na folha de pagamento para nos proteger do Exército Vermelho que deixará Moscou em minutos. Mas, quando a ameaça vermelha chegar mesmo o xerife estará dando alarme falso. O que tem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Está bom?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Parece bom daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy, quando voltou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Oi, Eddie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Que bom te ver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO REPÓRTER - Onde arrumou o chapéu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Custou US$ 12.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - De volta ao trabalho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Só vim me despedir. Vou trabalhar por conta própria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Fazendo o quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vou me casar amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - De novo? Estamos convidados?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Posso usá-lo como dama de honra. Como vai, Murphy?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Por que vai se casar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY -Não é da sua conta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER -- Está nos enganando?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vejam o que eu trouxe. 3 passagens pra Albany no trem das 18 h de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER -Três?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Para mim, meu noivo e imaginem, sua doce mãezinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Que casamento é esse?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vai dar certo. Vou me acomodar. Cansei do jornalismo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Imaginam Hildy cantando canções de ninar e pendurando fraldas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E fofocando no quintal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Despeitados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Vai cansar de bater tapetes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não vou bater (barulho) Vem da escola, não? Não há ninguém lá agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - E daí? Largou tudo. Não tinha cansado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Só achei que podia ser incêndio. O que é isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Treino para a festa de amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Perderá um belo enforcamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-7641859561814636634?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/7641859561814636634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/7641859561814636634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/08/jejum-de-amor-condenados-ao-amor.html' title='HIS GIRL FRIDAY'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-5335105548542631590</id><published>2009-08-15T18:59:00.002-03:00</published><updated>2009-08-15T19:17:58.260-03:00</updated><title type='text'>Parte #2</title><content type='html'>&lt;div&gt;HILDY - Não me interessa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Mande calarem a boca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO REPÓRTER - Fiquem quietos! Como esperam que a gente trabalhe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;POLICIAL - Cale-se!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Não respeitam a imprensa aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Alguém me ligou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Não que eu saiba.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO REPÓRTER - Walter sabe que vai se casar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Almocei com ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Disse que vai parar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Disse. Mais perguntas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Quer jogar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não tenho tempo. Vou escrever sobre Williams. Ele sabia o que estava fazendo quando atirou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Se nos perguntar, não. Se perguntar ao médico, "sim".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quem é ele? O que faz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Era guarda-livros. Começou com US$ 20 semanais e após 14 anos passou a US$ 17,50.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Tem chiclete?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Não. A empresa faliu e ele perdeu o emprego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não arrumou outro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Eu topo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começou a vagar pelo parque, ouvindo discursos idiotas começou a acreditar neles. E fez alguns.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais US$ 0,10.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu topo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ESCRITÓRIO DE WALTER. Doutor examinando Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Algo mais, doutor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Doutor guarda suas coisas numa maleta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DOUTOR - Não, é tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER (vestindo a camisa) - Está tudo bem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DOUTOR - Não há com o que se preocupar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ótimo. E então, Bruce?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Só mais uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DOUTOR - Bom dia, Sr. Burns, Sr. Baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Doutor sai de cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Até logo e obrigado. (A Walter) Quem é o beneficiário?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Como disse?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - No caso da sua morte, a quem pagaremos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Hildy, claro!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não sei. Eu me sentiria meio estranho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Por que eu não faria dela a sei-lá-o-quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Eu devo cuidar dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Mas vai cuidar! Se o médico tem razão, ainda vou durar muito. É uma dívida de honra para mim. Fui péssimo marido! Ela podia ter pedido pensão mas não. Ela tinha direito, mas era muito independente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Também sou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu sei disso! Mas pense assim: ainda vou viver uns 25 anos. Até lá terá tanto dinheiro que isso não fará diferença. Mas suponha que não tenha se dado bem. E a velhice de Hildy? Posso vê-la. Cabelos brancos, lilás e rendas Não pode vê-la?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Sim, eu posso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ela está velha, não está? Não acha que ela merece passar os últimos anos sem preocupações financeiras?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Duffy entra na sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Claro que sim! Se coloca assim...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - E lembre-se, eu também a amo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Estou começando a ver isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - E o melhor é que ela só saberá depois que eu morrer. Talvez ela tenha carinho por mim depois que eu partir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Parece que estou entre vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você não está entre nós. Já tinha acabado para ela antes de você aparecer. Para mim nunca acontecerá. O que é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Posso falar com você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Com licença. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Wlater sai da sala e vai falar com Duffy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Conseguiu? Onde está? Visado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DUFFY - Claro. Mas é de US$ 2.500! Aqui está! Visado e tudo mais!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter volta à sala, onde Bruce guarda seus papéis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Visado!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Hildy terá vergonha de pensar que não confiou em vocêmas um dia ela saberá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Prometeu ligar assim que pegasse o cheque.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Claro!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter entrega o telefone aBrue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Hildy, sala da imprensa, prédio do tribunal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sente-se. A telefonista vai completar. Com licença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter sai da sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Alô? Sim, eu espero. Pode falar. Hildegarde. Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É Hildy Johnson. Alô, Bruce.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Estou jogando ha uma hora...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Silêncio, por favor. Alô? Conseguiu o cheque? Está visado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Visado e tudo mais. Está aqui no meu bolso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - No bolso. Isso é bom. Espere, talvez não. Onde você está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - No escritório do Sr. Burns.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ele está aí? Não quero que fique com esse cheque no bolso. Porqueeu sei disso, masnos jornais dizem que o primeiro cheque recebido deve &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ficar no forro do chapéu. No chapéu! Dá sorte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Sou repórter e nunca ouvi isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Nem eu. Sei que parece bobo mas faça por mim, por favor. Agora mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Um momento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bruce coloca o cheque em seu chapéu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Pronto, já pus. Mais alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Está bem. Direi a ele. Até logo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Tudo bem, Bruce?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Hildy disse que já vai começar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ótimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Preciso ir agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não esqueça isso. Pode chover.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter lhe entrega o guarda-chuva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Importa-se se eu não o acompanhar? Estou ocupado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Obrigado por tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Como disse?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Obrigado por tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Bobagem. Eu é que agradeço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Até logo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Até logo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DELEGACIA. HILDY ENTRA. COOLY ESTÁ SENTADO DE COSTAS PARA A PORTA. VIRA-SE QUANDO ELA LHE FALA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Oi, Cooley.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;COOLEY - Hildy, o que faz aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quero uma entrevista com Earl.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;COOLEY - Chega de entrevistas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY -Por que não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;COOLEY - Ordens do xerife. O doutor vai chegar. Não dá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Esse dinheiro é seu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;COOLEY - Acho que não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - US$ 20?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;COOLEY - Acho que sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Foi o que pensei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;COOLEY - Vamos logo. Joe, abra aqui. Hildy, não...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dos guardas abre o portão da cela de Earl e Hildy entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não vou demorar. Olá, Earl. Meu nome é Johnson. Posso falar com você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy puxa uma cadeira e senta-se próxima à grade de proteção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não tenho mais nada a fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não pude alegar insanidade, porque sou são.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não queria matar o policial?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não. É contra tudo que acredito. Sabem que foi acidente. Não sou culpado... é o mundo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Entendo. Desculpe o batom. Depois que perdeu o emprego o que fez?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Tentei achar outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Como passava o tempo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Ficava sentado no parque. Não fumo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - No parque, ouvia discursos? Aqueles caras que falam demais?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não prestava atenção&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ouvia o que diziam?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Lembra de algo em particular?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Havia um cara&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Do que ele falava?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Produção útil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Produção útil?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Disse que tudo deveria ter utilidade. Faz sentido, não? Gostei dele. Era bom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quando se viu com a arma na mão e o policial se aproximou em que pensou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Eu não sei exatamente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pensou em algo. Seria em "produção útil"?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Para que serve uma arma?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Uma arma? Para atirar, claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pode tê-la usado por isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Talvez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Parece razoável.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Sim, é. Nunca tive uma arma na mão. E é para isso que serve, não? Talvez seja porque...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Foi o que pensei. Produção útil. Simples, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Muito simples.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não há nenhuma loucura nisso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Vai escrever isso no jornal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro. Quem mandou as rosas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Srta. Malloy. É maravilhosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É ela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Sim. É linda, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;COOLEY - Acabou, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Está bem. Acho que é só.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy levanta-se e coloca a cadeira de volta no lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Gostei de falar com você. Adeus, Srta. Johnson.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Adeus, Earl. Boa sorte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORNING POST. Repórteres jogando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Três damas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO REPÓRTER - - Melhorou, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - O que o jornal fará sem Hildy? Acha que Walter a deixará ir? Lembra o que fez com Fenton? Foi preso como incendiário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES- Falsificador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi. Me dê troco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ei, Mac, é o Sam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pode acender as luzes?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Está ficando muito escuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Com quem Hildy vai casar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Não sei. Bruce alguma-coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Dou seis meses para o casamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Vai sentir falta do jornal. Viu quando o alarme soou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Deve ser bom poder sair de um lugar e se demitir. Ano passado, me ofereceram um emprego. Eu devia ter aceitado. Queria um trabalho paralelo. Uma mesa e uma estenógrafa. Não me importaria com uma loirona. Com olhos castanhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Aposto que não dura seis meses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Ela é como nós, ou não ficaria esperando o cara.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mollie Malloy entra na sala, um pouco irritada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Ora, ora, Srta. Malloy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Oi, Mollie, como vai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Estava procurando vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Veio visitar Williams?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Belas rosas. O que quer que façam com elas amanhã?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Como são espertinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Vai estragar o jogo. O que quer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Eu vim dizer o que penso de todos vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Não se descontrole.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Se valesse a pena, eu quebraria a sua cara!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - O que houve? Não lhe demos uma matéria bacana?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Estão me fazendo de boba há muito tempo. Nunca disse que amava Earl e que me casaria com ele. Vocês inventaram isso. E sobre termos um ninho de amor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Vive lá desde que ele foi preso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - É mentira!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Todos sabem que são namorados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Estive com o Sr. Williams apenas uma vez. Ele estava vagando na chuva sem chapéu e casaco um dia antes do tiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Quero uma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Fui até ele e perguntei o que estava acontecendo. Ele disse que fora despedido após 14 anos no mesmo emprego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - - Apostas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- US$ 0,20.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy entra na sala e começa a datilografar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Eu o levei para o meu quarto porque era quente!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Diga num alto-falante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY (chorando) - Ouçam, por favor! Ele passou a noite sentado, falando comigo. Não tocou em mim. De manhã, foi embora. Só voltei a vê-lo no julgamento. Claro que fui testemunha!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - E que testemunha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Por isso estão me perseguindo. Ele me tratou com decência e não como um animal&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Estamos ocupados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Vá ver seu namorado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Ele tem um belo quarto. - Não por muito tempo. Até às 7.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Por que um raio não fulmina todos vocês? (barulho) O que é isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Estão preparando a forca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Malloy vai até a janela e vê os policiais preparando a forca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Que vergonha! Que vergonha! Um coitado que nunca fez mal a ninguém esperando o Anjo da Morte...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY levanta-se e tenta levar Malloy para fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Vá embora daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Tire as mãos de mim!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vamos sair daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Não são humanos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu sei. São jornalistas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Eles só mentem! Só escrevem mentiras! Por que ninguém me escuta? Por que ninguém me escuta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy consegue levar Malloy pra fora. Ambas saem de cena. O telefone toca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Alô? Quem? Hildy Johnson? Um momento, ela já volta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Mais cartas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Para quê? Não ganho mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Cavalheiros da imprensa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Hildy. Telefone para você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy atende.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Olá, Bruce. O quê? Onde está? Onde? Como isso aconteceu? Tudo bem, eu já vou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy pega sua bolsa e sai em disparada porta afora, pisando no pé do xerife que vai entrando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Desculpe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy sai de cena. O xerife Pete entra na sala, reclamando da dor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Oi, xerife, como vai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Minha canela e minhas costas! O que está havendo aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Bruce está em apuros. Leoas defendem os filhotes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - O homem esquece o lenço, a mãe vai limpar o nariz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Ainda dou 6 meses ao casamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Não sei do que estão falando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - O que quer, Pete?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Tenho entradas pro enforcamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Por que não o enforcam às 5 h em vez de às 7 h? Pra fazermos a edição da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - É difícil. Não posso enforcar alguém para agradar um jornal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Mas pode fazer o enforcamento cair três dias antes da eleição. Você pode fazer isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Sério não tive nada a ver com isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Quem diz que não haverá outra. Se o médico disser que é louco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Não dirá, porque ele não é. É tão são quanto eu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Mais!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Falem sério. É um enforcamento! Vai obedecer o horário. 7 h e nem um minuto antes. Afinal, é preciso ser humano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Nunca mais peça favores, Pinky.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - E não me chamem de Pinky.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Porque eu tenho nome: Peter B. Hartwell!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - "B" de quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Burro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- "B" de quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Burro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dissolve. Plano americano de Bruce numa cela. Hildy está falando com ele e com o delegado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Sou inocente. Nunca fiz nada. Nunca roubei um relógio!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sei que não. Mike, deixe-o sair.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DELEGADO - Não posso. Foi acusado de roubar um relógio, e estava com ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Nunca roubei...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Por favor. Louie o acusou? O maior patife da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DELEGADO - Sei que...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vai soltá-lo ou não vai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Nunca roubei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É melhor ler o "Post" de manhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dissolve. Hildy e Bruce estão dentro de um táxi em movimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não posso imaginar quem tenha feito isso. Não tenho inimigos. Sei que...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Está com o cheque?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Está bem aqui. É uma superstição engraçada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bruce tira o cheque do chapéu e o entrega a ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Até pensei que Burns tivesse algo a ver com a prisão, mas logo vi que não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - É uma boa pessoa. Eu achei...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que houve?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Perdi minha carteira!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Tudo bem, estou com o dinheiro. É bom me dar o cheque também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - ...E a nossa foto nas Bermudas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vai dar falta de muita coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O taxi estaciona. Hildy salta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Espere aqui. Não vou arriscar. Volto logo para pegarmos o trem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy entra no prédio do Post.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON (lendo) - "E então, naquela mente torturada veio a idéia de que a arma fora produzida para ser útil, E ele a usou. Mas o Estado também tem uma produção útil. Tem forcas. E, às 7 h, se não ocorrer um milagre a forca será usada para separar a alma de Williams do corpo. E Mollie Malloy terá perdido a única boa alma que conheceu."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Foi o que ela escreveu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela é boa de entrevista ou não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se não aparecer ninguém...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é ético ler o que não é seu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De onde tirou isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tem ética nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas quem escreve assim não vai desistir do trabalho para cerzir as meias do marido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dou três meses a esse casamento e aposto 3 contra 1.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguém topa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu topo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não se pode sair da sala sem virar assunto de velhotas. "Post"? Walter Burns, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Calma. Só dissemos que uma repórter não desiste assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Aqui é Hildy Johnson. Posso desistir sem um tremor. Viverei como um ser humano. (ao telefone) Walter? Tenho novidades. Consegui a entrevista, mas tenho novidades. É melhor pegar um lápis e anotar. Pronto? Seu macaco traidor! Não haverá entrevista nem matéria e seu cheque visado vai partir comigo dentro de 20 minutos. E eu não cobriria nenhuma matéria pra você! E se o vir de novo vou martelar sua cabeça como um gongo! Não sabe por que estou zangada? Peça a Louie para te contar. Só mais uma coisa. (rasga o papel) Ouviu isso? É a matéria que escrevi. Sei que temos um acordo. Disse que escreveria não que não rasgaria. Está em pedaços e espero fazer o mesmo com você! É o meu adeus ao jornalismo! Vou ser uma mulher! Vou ter bebês, cuidar deles, ver os dentes deles nascerem e, se olharem para um jornal, eu os mato. Meu chapéu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy larga o telefone, pega a matéria que escreveu...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - - Sr. Burns, ela ainda está aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy pega o fone:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Dê-me isso. E tem mais...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;... e rasga o papel. Veste o casaco, pega o chapéu e a bolsa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA - DELEGACIA. Pete e Egelhoffer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Oi, doutor, desculpe o atraso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Esses jornalistas me tomam tanto tempo. Queriam mudar o horário do enforcamento. Oi, Earl.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Estes jornais!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O que agüentei em Chicago!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Eu acredito!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Viviam querendo entrevistas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER- Eu também. Prometi dar uma declaração quando acabarmos aqui. Posso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Não é ético. Todas as declarações devem vir de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Entendo. E se dermos uma coletiva? Posso discutir os aspectos psicológicos do caso, e você...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Sairíamos juntos nas fotos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Apertando as mãos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Ótima idéia!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Não sou muito fotogênico&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O que importa é a publicidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Estou ficando cansado. Posso voltar para a cela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Esqueci que estava aí.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Não, tenho algumas perguntas. Pode diminuir as luzes? Vamos fazer o que viemos fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Vejamos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pete apaga as luzes e mantém apenas um refletor bem no rosto de Earl.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EGELHOFFER - Sr. Williams, sabe que vai ser executado. Quem acha que é o responsável?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Sou inocente. Não tive culpa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SALA DE IMPRENSA. Hildy está saindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Bem, Murph.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Mande um postal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Adeus, Johnson!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Até Logo, Hildegarde.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDEGARDE - Quando a veremos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quando me virem, estarei falando sobre sucesso. Adeus, escravos. Quando estiverem em escadas de incêndio, sendo chutados ou comendo a ceia de Natal em espeluncas lembrem-se de mim. E, quando a estrada se abre, e o trabalho...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Barulho de tiros. Todos correm para a janela, exceto Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - É uma fuga!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que houve? O que aconteceu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olhe para onde atira!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vigiem o portão!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem fugiu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;POLICIAL - Earl Williams!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos correm para os telefones e fazem ligações.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alô? Rápido, é importante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Redação! Williams fugiu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Houve uma fuga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele sumiu!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda não sei de nada!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy está parada à porta. Todos correm para fora da sala. Hildy permanece e faz uma ligação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Walter. Rápido, é Hildy. É Hildy. Williams acaba de fugir da prisão. Não se preocupe, estou indo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy sai correndo da sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ext. Noite. Ruas. Muitos carros da polícia passando, sirenes ligadas, muita confusão. Hildy corre atrás de Cooley.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Cooley, espere! Espere! Espere um pouco! Quero falar com você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SALA DE IMPRENSA. Telefone tocando. Wilson atende.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Chame o copidesque.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Ele não está.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - A situação é a seguinte. Está pronto? Williams foi levado à sala do xerife para ser examinado e, em poucos minutos, escapou. Não sabem onde arrumou a arma. Ele subiu para a enfermaria e escapou pela clarabóia. Escorregou pela calha até a rua. Não sabem onde conseguiu. Ou não contam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pete e McCue entram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Ofereceram US$ 10 mil... Murphy. Não sabem onde está. Houve um acidente com uma bomba de gás lacrimogêneo. Faz os criminosos chorarem. Eu não sei. Explodiu nas mãos do esquadrão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Foram levados para o hospital.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Belo amigo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Os nomes são Wilkerson, cunhado do prefeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Depois do que fiz por você!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Schuster, tio do xerife...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Novidades sobre a perseguição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Mansfield, senhorio do xerife e Winthrop, marido da sobrinha dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Você se lembra. Até mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Sra. Rice, 55 anos, faxineira, levou um tiro disparado por um dos assistentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Ouça...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Barulho de tiros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Lá se vai outra faxineira!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pete sai da sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - McCue. Redação. Já sabem como ele fugiu? O xerife o soltou para votar nele. Um homem foi visto...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Até mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy entra correndo quando os outros estão saindo da sala. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - - Pensei que tinha ido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando eles saem, ela fecha a porta e faz uma ligação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Walter Burns, rápido. Walter, escute. Tenho toda a história de como ele conseguiu a arma e fugiu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter está em sua sala, com Vangie e Louis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É maravilhoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Arranquei do Cooley por US$ 450.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Qual é a história?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vou dizer mas tive de dar o dinheiro. E não era meu. É do Bruce, e quero de volta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Do Bruce? Claro, vai receber. Qual é a história? Mando o dinheiro. Juro sobre o túmulo da mamãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Está bem espere aí, sua mãe está viva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Da minha avó. E a história?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Mande o dinheiro para cá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É o seguinte: A fuga dos seus sonhos. Parece que o médico de NY fez um teste de sanidade na sala do xerife espetando alfinetes para testar os reflexos dele. Ele resolveu reencenar o crime como ocorreu para testar a coordenação dele. Vou chegar lá. Eles lhe deram uma arma para reencenar o crime. Quem lhe deu uma? Peter B. Hartwell. "B" de burro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não brinca!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não seria capaz de inventar isso. O xerife deu a arma Earl atirou no professor, naquele lugar. Não, naquele. Não é perfeito? Se o xerife desenrolasse o tapete vermelho, não seria tão perfeito. Quem? Não, nada grave. Foi para o hospital e vai se recuperar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Muito bom. Esqueça o dinheiro. Vai recebê-lo em 15 minutos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É bom. Bruce está me esperando no táxi, e estamos com pressa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Um momento. (tapa o fone com uma mão) Vangie, venha cá. Há um cara em frente ao tribunal. Chama-se Bruce Baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;VANGIE - Como ele é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Parece aquele ator, Bellamy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;VANGIE - Ele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Consegue?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;VANGIE - Já desapontei você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vá andando. Tem dois minutos. (Ao telefone) Desculpe. Quanto era mesmo? US$ 450? Um momento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Wlater tapa o fone mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Louie, preciso de US$ 450 em dinheiro falso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIS - Não pode andar com tanto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Só US$ 450. Onde consigo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIS - Eu tenho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Que coincidência. Leve até ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIS SAI DA SALA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Louie vai levar. Obrigado pela matéria. Boa sorte na lua-de-mel!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Esqueça os agradecimentos. Mande o dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy desliga. McCue entr na sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Ainda está aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, estou em Niagara Falls.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MsCue faz uma ligação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - É McCue. E mil, novidades sobre a caçada. Pronto? A Sra. DeWolfe deu à luz numa rádio patrulha e as enfermeiras foram o esquadrão do xerife Hartwell. Ela estava na rua quando... isso mesmo... Eles a colocaram na patrulha e ajudaram a cegonha. O bebê foi examinado para verem se era Williams. Sabiam que ele estava em algum lugar. E tem mais, o nome dele vai ser Peter Hartwell DeWolfe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outro teleofne toca. Hildy atende.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sala da imprensa. Bruce, pensei que estivesse lá embaixo... O quê? Preso de novo? Por que desta vez?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DELEGACIA. Vemos Bruce, Vangie e alguns policiais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Bem, eles chamam de "mão boba"... Eu não, Hildy! Eu estava no táxi em que me deixou. Uma moça teve uma tontura, e eu... Ela é meio... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela é loira, muito loira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Já sei o que houve. Um momento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy ligado outro telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Chame Walter Burns. (no outro fone) Onde você está? 27° distrito? Um momento. (no outro) Walter? Ele estava aí. Mas eu... "Não consegui localizá-lo." Traidor! Alô? Você não! Não posso ir agora. Que tal em 20 minutos? Preciso esperar o... Conto quando chegar. (desliga) Se eu puser as mãos no Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;McCue e outro entram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Um instante. Posso ajudar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Tem dinheiro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - US$ 1,80.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER #2 - US$ 0,64.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Valeu a intenção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER (ao telefone) - O que é? Não tenho uma declaração oficial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O prefeito entra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-5335105548542631590?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/5335105548542631590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/5335105548542631590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/08/parte-2.html' title='Parte #2'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-2957037785954793776</id><published>2009-08-15T18:58:00.002-03:00</published><updated>2009-08-15T19:31:32.583-03:00</updated><title type='text'>Parte #3</title><content type='html'>&lt;div&gt;REPÓRTER - Espere um pouco. O prefeito chegou. Que tal uma declaração?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não enche. Estou ocupado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ele não vai dizer nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Viu o xerife?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não sei. Há tantas baratas aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Espere. Que tal uma declaração? Vamos imprimir em 20 min.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não tenho nada a dizer agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Espere. O que sabe sobre a fuga? Como arrumou a arma?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Esperem. Não tão rápido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Então fale sobre a eleição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que efeito terá nos eleitores?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Nenhum. Como um infortúnio como esse poderia influenciar os cidadãos desta cidade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Por favor, existe uma ameaça comunista ou não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como Williams escapou da prisão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vai assumir ou vai arranjar um responsável?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É verdade que está na folha de pagamento de Stalin?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O senador diz que dorme de cueca vermelha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Sem piadas. Não se esqueça de que sou o prefeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pete Hartwell entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Estava procurando você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Como ele fugiu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como arrumou a arma?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algo sobre o levante comunista?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Que levante? - Não haverá nenhum levante. O governador diz que a situação requer a milícia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Pode escrever que tudo o que o governador diz é mentira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Ao telefone) Jake, uma declaração do governador: "O prefeito e o xerife parecem duas crianças brincando com fogo". Pode escrever o seguinte: "Sorte da cidade a eleição ser na terça. Não será preciso cassar (Inez, cassar ou cacar com cedilha)??? o prefeito e o xerife." Ligo depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Prazer, prefeito. Com licença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Quem planejou esta fuga?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foram os comunistas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Eu? Não. Eu o localizei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Williams?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Onde está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Na Center Street, onde morava. Recebi uma dica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Por que não disse?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O esquadrão está indo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OS REPÓRTERES SAEM CORRENDO DA SALA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL E O PREFEITO ENTRANDO NA DELEGACIA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Ouça, por favor...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Quero falar com você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Tenho tanto a fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Veja, Fred... Você já era.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Vou riscar seu nome e colocar Sherman no seu lugar. "Enforcar comunistas." Williams não é comunista! Há comunistas simpatizantes e com um slogan assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Eu sei, mas não tem nada a ver com o caso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Sabe que se não for enforcado, perderemos 200 mil votos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Vamos enforcá-lo! Entre. Ele não pode escapar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Como? Ele escapou, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE entra e fecha a porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O que quer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Eu...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - O que é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Xerife Hartwell?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Sou. O que é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - É difícil achá-lo. É um recado do governador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O que é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Comutação para Williams.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Para quem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Earl Williams.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Disse que não haveria comutação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Nem imagina o que eu gostaria de fazer com você. Quem mais viu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Ninguém. Ele estava pescando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Chame o governador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Não está lá. Está caçando patos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Cretino! Pescando, caçando patos. Não fez nada em 40 anos e agora que é governador acha que é Tarzan.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Leia isso: "louco". Ele sabe que Williams não é louco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Não o conheço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Pura política!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - É para nos destruir. O que vamos dizer aos repórteres? O partido acabou aqui graças a você. Melhor, diga que quero que entregue o cargo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O telefone toca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Alô? Sim, é Hartwell. O quê? Onde? Santo Deus! Um momento. Pegaram Williams. O esquadrão cercou a casa dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Mande esperar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Já um momento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Tampe o bocal. Ouça. Você não trouxe isto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Claro que trouxe. Entrei por...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Quanto ganha por semana?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Pensei que era o xerife...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Qual é o seu salário?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - US$ 40.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - O que acha de US$ 350 por mês? Quase US$ 100 por semana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Eu não poderia quem? Eu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Quem acha? Precisam de um cara como você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Onde?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Na aferição.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Você quer dizer que eu... Minha esposa não ia querer. Ela mora no campo com minha família...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Traga-a. Pagamos as despesas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Acho que não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Por que não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Tenho dois filhos na escola. Eles perderiam o ano...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não, vão pular de ano. Garanto que vão ser formar. O que me diz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Estou numa sinuca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não. Lembre-se, não trouxe isto. Não, ficou preso no trânsito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Eu trouxe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Finja que não. Agora dê o fora e não deixe que o vejam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Como vou saber...?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Vá ao meu escritório amanhã. Seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Pettibone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Pettibone?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Não pode ser!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Seja discreto e não abra a boca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Estou cansado mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Vá a este endereço. Um lugar aconchegante. Vão cuidar de você. Diga que eu o mandei. US$ 50 por conta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Quer esperar? Já vou dizer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Esqueceu de dizer o que é&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Explico amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - É difícil?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não, muito fácil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Minha saúde... minha esposa...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Daremos um jeito nisso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Na minha esposa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Qualquer coisa. Vá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE sai da sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Ainda estão ao telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Diga que atirem para matar. Ouviu o que eu disse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Mas a comutação&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Faça o que eu disse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - (ao telefone) Atire para matar. São ordens. Recompensa de US$ 500.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SALA DE IMPRENSA. HILDY ESTÁ SOZINHA, ESPERANDO LOUIE.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Oi, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Traidor, eu...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - O que foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que fez com o Sr. Baldwin agora?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Eu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Você e a albina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Evangeline? Não é albina. Nasceu neste país.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Se tentar algo, vai ficar aqui. E você também. Trouxe o dinheiro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - US$ 400.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - US$ 450.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Não pode me culpar por tentar. Quero recibo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Dou uma cicatriz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Já tenho muitas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - E quero a carteira dele também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - A carteira. Vamos, Louie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Está bem. Vou fazer isso porque gosto de você. Mas diga a ele para tomar mais cuidado. Vai emprestar um soco-inglês?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não fale assim. Dê isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Levo você à estação. Espere aí!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vai me levar ao 27° distrito e contar à polícia o que aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Burns me manda para Alcatraz!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não é má idéia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Aqui. Pegue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Louie!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE corre. Hildy vai até o telefone&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Alô, telefonista? Pode chamar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL ENTRA PELA JANELA, APONTANDO UMA ARMA PARA HILDY.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Largue esse telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Esqueça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não vai contar a ninguém onde estou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Largue a arma. Não vai atirar. Sou sua amiga. Preciso escrever a matéria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Certo. Produção útil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não vai ferir uma amiga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Pare! Talvez seja, talvez não. Mas não se aproxime. Não se pode confiar em ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não o culpo. Se fosse você, também não confiaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não faça isso! Desligue! Se tentar algo, eu atiro. Atiro daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro, mas não vai fazer isso. Não quer matar ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Tem razão. Não quero.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Foi o que pensei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Espere. Aonde vai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Fechar a porta para não ser visto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não, ia chamar alguém... mas eu não quero. Só quero ficar em paz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não vou chamar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Vai! Não deixarei que faça isso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Me dê isso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy o desarma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Acho que usei todas as balas. Estou cansado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Atire e saberão que está aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não me importo. Não tenho medo de morrer. Eu dizia isso quando ele me deu a arma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quieto!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Acordaram-me dizendo coisas que não entendem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Cale-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Queria que me enforcassem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vão enforcar se não se calar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não agüento outro dia assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - E eu agüento? (Ao telefone) Walter Burns, rápido. Diga que preciso dele. (no outro fone) Alô? Bruce, disse que estaria aí, mas algo incrível aconteceu. Venha para cá. Um momento. Já explico. Earl Williams está aqui na sala de imprensa. Venha logo. Capturei Earl Williams, o assassino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Batem à porta insistentemente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Fique aí. Um momento! Eu estarei ai logo. Irei assim que entregá-lo. Não posso. Não entende.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Abra a porta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Que é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Mollie Malloy. Abra a porta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que quer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Preciso achar... Onde estão todos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Foram embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Diga aonde eles foram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não sei. Pode ir embora?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Eles o cercaram. Vão matá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Estão atrás de você também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Não me importo! Precisa me dizer. Acho que...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vou dizer. Estão na Center Street com a 4ª.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - É onde ele...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Mollie, não vá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Entre. Puxe uma cadeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Oi, Mollie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Como entrou aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Pela calha. Não queria atirar nele. Mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Fique quieto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Acredita em mim, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Obrigado pelas rosas. Lindas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - De nada, Sr. Williams.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não chore.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não fique histérica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Vou tirá-lo daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ficou louca? Seria vista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Vão pegá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu sei. Estou tentando pensar em algo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Que me levem. Que diferença faz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Não vou deixar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON e ENDICOTT batem à porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Quem trancou a porta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Tarde demais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, entre na escrivaninha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Para quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Entre! Tiraremos você daí em 10 minutos. (A Malloy) Controle-se. Sente-se aqui. Tudo bem, já vou! (abre a porta) Querem derrubar o prédio?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILLIAMS - Temos de fazer umas ligações.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - O que ela faz aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Tragam sais. Chegou histérica. Está mal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Como se sente?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Não muito bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Tome água.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Não me parece doente. Encontrou Williams?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Engraçadinhos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Onde ele está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Deixem-me!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON ao telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WILSON - Tudo bem. Redação. Jim, alarme falso. Cercaram a casa mas esqueceram de avisar Williams, e ele não estava lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Não tinha ido, Hildy?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quero meu dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que caçada. Chame Emil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Murphy. Redação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Alguma novidade, rapazes?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Nunca me senti tão cansado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Onde? Melrose Station? Pode me ligar. Oi, Mollie. Pessoal, essa é boa. Uma senhora disse que Williams está escondido na varanda. Não querem ir lá?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Preciso ficar. Eu acompanho. Já gastei US$ 1,40 de táxi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Não vamos sair mais. Esqueça, sargento. Quem fechou as cortinas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu. Por causa das luzes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Acho que Williams não está onde procuram. Deve estar aqui no prédio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro. Esperando um tiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Saiu pela clarabóia, mas como chegou ao chão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Acho que não tem jeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Pode ter pulado. É só 1,20 m. Era só escorregar pela calha. E entrar em qualquer janela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Gênios trabalhando. Vão para casa. Talvez Williams telefone. E se ele estivesse no prédio? Cada um procura num andar!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Não vou ficar andando pelo prédio!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Que repórteres! A história do momento, e ficam com preguiça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Parece ansiosa para se livrar de nós. Quer dar um furo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ficou maluco? Logo agora?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Mollie deve ter contado tudo. Deu a arma para ele, Mollie?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Não fiz nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MCCUE - Seja franca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Querem deixá-la em paz? Ela está doente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sra. Baldwin mãe!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Pare! Brincando de gato e rato com Bruce. Deixando-o preso! Perdemos dois trens, e deveriam se casar amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vou com você&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Não precisa ir comigo. Dê-me o dinheiro dele e pode ficar aqui. Você e o assassino que pegou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Que assassino?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Qual é? Todos parecem assassinos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SCHWARTZ - Que assassino você pegou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não sei do que ela está falando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Meu filho me disse, e ele não mente!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu não disse isso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Disse!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, disse que estava tentando achar o assassino. Não vêem que entenderam mal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MURPHY - Quem está escondendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Ninguém! Solte-me!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Parem! Por que perguntam a ela? Ela não sabe onde ele está.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Onde está Williams?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Tente descobrir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Fale, Mollie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Agora querem que eu fale.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Fale!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Engraçado! Antes não me ouviam. Agora querem que eu fale.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não diga nada a eles!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Deixe-me. Sei o que faço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Fique fora disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Por que não me ouviram?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pare com isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Tire as mãos de mim!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ENDICOTT - Onde ele está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Querem escrever mais mentiras e vender mais jornais?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MALLOY - Está bem, é o seguinte: vou lhes dar uma ótima história. Só que será verdade. Nunca descobrirão!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Malloy pula pela janela. Todos correm a olhar pela janela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Chamem uma ambulância! Chamem uma ambulância!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao observá-la caída lá embaixo, com os policiais a cercando, comentam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Está morta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, está se mexendo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você viu? Ela pulou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos, exceto Hildy, saem de cena a dim de verificar o que aconteceu. Em seguida, Walter chega.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Onde ele está? Onde pôs Williams?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Está na escrivaninha. Graças a Deus, ela não morreu!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Como está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Deixe-me sair.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Fique quieto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - O que tem aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (A Baldwin) Quem é você? (a Hildy) Quem é ela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - A mãe de Bruce.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - O que está fazendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Cale-se!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BALDWIN - Não. Está fazendo algo errado!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Por favor!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Tire-a daqui! Cale-se!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE entra em cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Leve-a para o Mike.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Oi, sou Louie Peluso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE coloca Sra. baldwin em suas costas e a leva para fora, enquanto ela grita e esperneia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Que ela não fale com ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que digo a ele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Que é um caso extremo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não se preocupe, é temporário!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Solte-me.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER fecha a porta e evita que Hildy saia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Aonde pensa que vai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Atrás dela. Vou tirar Bruce da cadeia. Por que fez isso comigo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Tirar Bruce da cadeia? Como pode se preocupar com ele numa hora dessas? É uma guerra. Não me abandone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sua matéria está ali. Publique na 1 ª página: "Williams Capturado pelo 'Post'!" Entrei numa confusão, agora vou embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sua idiota, pode casar qualquer dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Foi o que eu disse!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quantas vezes capturou um assassino? Uma vez na vida! Você superou todo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sabe! Você não pensa? Isto não é apenas uma matéria, é uma revolução! É o maior furo desde que Livingstone achou Stanley.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É o contrário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não seja técnica agora. Sabe o que fez? Pegou uma cidade liderada por uma gangue e os pôs pra fora. Podemos ter um governo como o de NY. Ouça, querida, acha que eu perderia tempo discutindo? Você fez algo grande! Passou para outra categoria. Na terça, ninguém vai votar neles, nem mesmo as esposas!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Entregá-los?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vamos crucificá-los! Williams ficará escondido até o "Post" dar o furo. Diremos que o governador participou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Estou entendendo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Derrubou-os como uma maçã. Pôs o prefeito e Hartwell na parede. Não é só uma matéria, é uma carreira! E você fica aí pensando em que trem vai pegar!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não encarei deste modo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Porque só é bonita. Terá uma rua com seu nome. Terá uma estátua no parque... cinema, rádio... Aposto que haverá um charuto Hildy Johnson. Posso ver a propaganda: "Acenda um"...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pare! Temos o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Gostei!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que faremos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vamos levá-lo. Telefone?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O da ponta. Como vamos tirá-lo dali?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Levaremos a escrivaninha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não pode. Há tiras lá fora!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vamos descê-la pela janela. Pegue a máquina e datilografe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy coloca amáquina na outra mesa e começa a datilografar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HLDY - Quantos toques?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quantos quiser. Chame Duffy!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Chamo o prefeito de corrupto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Como quiser. (Ao telefone) Duffy, prepare-se. Temos a melhor história da década! "Williams Capturado pelo 'Post. Exclusivo!" Quero que mude a 1 ª página. Foi o que eu disse. É mais importante que a guerra. Hildy está escrevendo. Chame Butch e peça que traga seis lutadores. Butch. Quê? Quero transportar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bruce entra em cena. Hildy continua a escrever.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que quer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Oi, Bruce.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (ao telefone) Esqueça o terremoto chinês!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Só quero fazer uma pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Como saiu da prisão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não foi com sua ajuda.(A Walter) Não estou falando com você. (a Hildy) Tive de telegrafar para Albany para pagar a fiança! O que vão pensar? Uma delegacia!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Hildy, estamos esperando a matéria!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vamos explicar a eles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Mamãe disse que vinha para cá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (ao telefone) Eu não consigo te ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Onde ela foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Saiu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Dane-se o corredor polonês!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Diga, aonde ela foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ela não disse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Isso é mais importante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Pegou o dinheiro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, saiu correndo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Vou pegar o dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Na bolsa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Vou cuidar de tudo. Quero o cheque.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu te dou. As passagens. O dinheiro está na sua carteira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - É a minha carteira! Há algo errado aqui. O que está fazendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER pega o dinheiro e o observa. Bruce pega o dinheiro de volta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Só queria ver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Vou pegar o trem das 21 h.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Ouviu o que eu disse? Vou pegar o trem das 21 h.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Bruce, escrevi isso aqui!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Deixe-a em paz!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Só responda uma coisa: não quer ir comigo? Não quer, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (ao telefone) Tire as misses da página 6.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Por favor, diga a verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Espere aí! Olhe aqui, meu bom homem...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Cale-se, Burns! Você está fazendo isso com ela. Ela queria fugir de tudo mas você a fez mudar de idéia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Coloque Hitler nas piadas!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Vai desistir de tudo por ele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não, mas não entende? Vou contar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não conte nada! É um espião!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Não sou! Você vem comigo agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Espere. Não vê como isso é importante?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Entendo. Você me colocou na geladeira, certo? Você não me ama, é isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HIDLY - Não é verdade. Você não ouve. Não vê que não é isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Nunca quis ser humana!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está bem! Santo Deus, estou tentando me concentrar!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-2957037785954793776?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/2957037785954793776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/2957037785954793776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/08/parte-3.html' title='Parte #3'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-6285165681622582144</id><published>2009-08-15T18:52:00.001-03:00</published><updated>2009-08-15T19:34:18.773-03:00</updated><title type='text'>Parte #4</title><content type='html'>&lt;div&gt;BRUCE - Você é como o resto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Claro que sou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O quê? Não, deixe a história do galo. Tem interesse humano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Só quero saber uma coisa. Nome da 1 ª esposa do prefeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - A da verruga? Fanny.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Acho que você nunca me amou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Você não trabalha com publicidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BRUCE - Se mudar de idéia. Parto no trem das 21 h.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não tente me mudar. Sou um "homem da imprensa".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bruce pega suas coisas e sai, fechando a porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Seja o mais rápida possível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Earl tenta sair da escrivaninha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Entre aí, sua tartaruga! (ao telefone) Duffy, mandou Butch vir de táxi? É caso de vida ou morte. Ótimo. Só temos de esperar 15 minutos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Os rapazes voltarão para ligar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu cuido deles. O que já escreveu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - "Enquanto atiradores do xerife Hartwell acertavam inocentes espalhando terror, Williams..."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Espere aí! Não vai mencionar o "Post"?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Mencionei. No 2° parágrafo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quem vai ler? Há 10 anos digo como se escreve, e é isso que recebo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sinto muito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter abre a escrivaninha e deixa entrar um pouco de ar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - A lua apareceu!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ótimo. Três batidas, sou eu. Tem ar aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Não muito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter joga mais ar p/ dentro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Melhorou? Está ótimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Batidas apressadas na porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Quem trancou a porta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quem é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Bensinger. Dono da escrivaninha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Abra a porta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Como é o nome dele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Bensinger, do "Tribune".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Do "Tribune"?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER- Quem está aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter abre. Bensinger entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Olá, Sr. Burns.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É uma honra tê-lo aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Olá, Bensinger.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Você me conhece? Desculpe, só queria...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É coincidência vê-lo hoje, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Falei sobre você esta tarde.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - É mesmo? Nada de mal, espero.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ao contrário! Ótima a matéria do seu jornal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Gostou do poema?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O poema? Era ótimo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Gostei do final. "E tudo está bem, fora da cela mas ele ouve o carrasco chamar... O som da forca... E as lágrimas da sua mãe"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É de cortar o coração. Quer trabalhar comigo? Precisamos de alguém como você. Só temos ignorantes como ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Fala sério?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Espere um pouco. (ao telefone) Duffy, vou mandar o Sr. Bunsinger vê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Bensinger.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Mervyn, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Não, Roy V.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro. Roy V., o poeta. (ao telefone) Claro que não conhece. Nem conhece Shakespeare! Quero que o contrate. (A Ben) Quanto ganha no "Tribune"?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - US$ 75.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Pago US$ 100. Dê o que ele quiser, certo? Quero que escreva uma matéria do ponto de vista do fugitivo. Ele se esconde, com medo dos sons, das luzes. Ele ouve passos, o coração dispara. Um animal acuado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Estilo Jack London? Vou pegar o dicionário de rimas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não precisa rimar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Fico muito grato. É muito... Se tiver vaga para correspondente de guerra, falo francês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vou me lembrar. (colocando-o para fora da sala).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSINGER - Bonjour.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fecha a porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - "E as lágrimas da mãe". É o máximo! (ao telefone) Bensinger vai procurá-lo. Mande-o escrever poesias. Não, não o queremos. Enrole-o até a edição extra. Depois, mande-o embora!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Seu traidor!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É uma lição. Não vai deixar o jornal sem avisar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Você! Trai todo mundo. Espere. Eu me lembrei. Bruce não volta. Vai pegar o trem das 21 h.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Então já partiu. Não fique aí parada. Continue. Tem de estar tudo pronto quando Butch chegar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Estragou minha vida! O que vou fazer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter nem presta atenção, está medindo a janela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - A janela é pequena. Teremos de carregá-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Que idiota! Vão dar meu nome a ruas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Já descansou. Ao trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não vou...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Batem à porta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quem é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Sou eu, Louie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter abre a porta. Louie entra, todo desalinhado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Louie. - O que aconteceu com você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - E a Sra. Baldwin?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - O que aconteceu? Estávamos na Western, a mais de 100 km&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Desembucha!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Estou contando! Batemos num carro da polícia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ela se machucou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Um carro cheio de tiras. Eles saíram aos montes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que fez com ela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Quando me vi estava na 34.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Estava com ela, não? Num táxi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - O chofer desmaiou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Lhe dou uma senhora e a entrega aos tiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Como assim? Os tiras estavam na contramão!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ela deve estar dando escândalo na delegacia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Não muito, entendem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não me diga. Ela morreu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Eu, com uma arma e uma velha seqüestrada não ia ficar fazendo perguntas a tiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Morta! Isso é o fim!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É o destino. O que tiver de ser, será.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que vou dizer a ele? O que vou contar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Se ele a ama mesmo, não terá de dizer nada. Preferia que a velha trouxesse a polícia para cá?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Eu a matei. Sou responsável. Como vou encarar Bruce de novo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Olhe para mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Estou olhando, assassino!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Se fosse minha avó, eu continuaria pelo jornal!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Louie, onde aconteceu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Western com 34.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Preciso ir...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Podemos fazer mais aqui! Calma. Ouça... (Telefone toca. Walter atende) Alô?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy pega o outro fone&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Maine, 4557.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quem? Butch, onde está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Hospital Mission? Recepção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você nem começou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY Chegou uma senhora aí? Mas é caso de vida ou morte! Ninguém?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não estou ouvindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Morningside 2469.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quem? Fale alto. O quê? Não pode ir namorar agora! Não importa que esteja atrás dela há 6 anos. Corremos perigo! Vai deixar uma mulher se meter entre nós?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Alguma senhora deu entrada aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu poria meu braço no fogo por você. Não pode me trair!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pode olhar? Está bem. Eu falo com ela. Boa Noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Escute.. não pode impedi-lo de cumprir o dever! O quê? Repita isso, e eu vou até aí quebrar seus dentes! Ouça... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ela desligou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que eu disse? Duffy por aí com uma&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Cale-se! Estou tentando ouvir!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quanta colaboração. Duffy! Onde ele está? Diabetes. Não devia ter contratado um doente!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Louie entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É com você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - O que quiser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Saia. Chame uns caras. Qualquer um. Ofereça o que quiser. Temos de levar a escrivaninha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - É importante?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você é meu melhor amigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Também gosto de você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não falhe. Confio em você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;LOUIE - Você me conhece, chefe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não bata em nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Louie sai. Walter fecha a porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Esse imigrante vai me ferrar, vai ver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Tente de novo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Se demorar, nós carregamos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Faça o que quiser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Há várias maneiras. Podemos iniciar um incêndio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Estou pouco ligando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Veja se conseguimos levantar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy continua ao telefone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O quê? Ninguém? Tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vai me ajudar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy desliga o fone, pega sua bolsa e abre a porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quer que destrua minha coluna?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vou achar a Sra. Baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não abra a porta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vou até o necrotério...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os repórteres e Hartwell aparecem. Eles a impedem de sair.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Queremos falar com você!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Soltem-me! O que é isso? Tirem as mãos de mim!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Olhe aqui...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ei, você!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL Eu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que pretende invadindo assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Não me interessa quem é, nem de que jornal é editor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Soltem-me! Por favor, aconteceu algo com minha sogra!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Vai atrás de Williams. Trancou a porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não sei. Houve um acidente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Está acontecendo algo muito estranho aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Um momento, Hartwell. Se tem alguma acusação a fazer, faça direito... ou pedirei que se retire.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Vai me pedir o quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Retire-se!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Tranque a porta e não deixe ninguém entrar ou sair. Veremos! Mostre para ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Faça-os falar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Vou chegar ao fundo disto. Vai falar ou não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que quer que eu diga?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O que sabe sobre Williams? Levem-na daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não ousem me tocar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando a pressionam, a arma cai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Ela está armada! Peguem!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy pega a arma do chão e a joga para Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não! Walter!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter pega a arma, mas Hartwell a pega.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Eu fico com a arma. Onde arrumou isto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Posso ter uma arma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Não esta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Posso explicar. Como ia entrevistar Williams, dei a arma para ela se defender.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Deu? Muito interessante. Mas foi a arma que ele usou!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Acha que estou mentindo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Conheço minha arma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Foi assim que Williams a conseguiu!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Ela a conseguiu com Williams. Onde ele está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Onde ele está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Está perdendo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Vou lhe dar 3 minutos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ele foi ao hospital falar com o médico levando marshmallows.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - O que sabe sobre isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Meu caro, o "Post" não obstrui a justiça nem esconde criminosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Devia saber disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Você está presa. (a Walter) Você também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Quem está preso? Seu espiãozinho insignificante, sabe o que está fazendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Você e o "Post" estão obstruindo a justiça. Receberá multa de US$ 10 mil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não verá a cor disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - E vou confiscar os bens do "Post". A escrivaninha é sua?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Do que tem medo? Eu o desafio a tirá-la daqui! Tente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Vou mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Se tirá-la daqui, eu o ponho atrás das grades!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ele pode!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Até Roosevelt ficará sabendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Vamos lá, pessoal! - Peguem esta escrivaninha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Última chance. Será crime federal. Vocês serão cúmplices.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - Vamos arriscar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os repórteres se preparam para pegar a escrivaninha, mas param ao ouvir batidas na porta. Entram dois policiais acompanhando a Sra. baldwin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Mãe, você está bem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Foi aquele homem ali!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que está havendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;POLICIAL #1- Ela diz que foi seqüestrada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Eles me arrastaram&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Um momento!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Ele tem algo a ver com isso??&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - É o responsável. Mandou me seqüestrarem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Desculpe, refere-se a mim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Sabe que foi você!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - E essa? Seqüestro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Tentando me incriminar? Nunca vi essa mulher!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Não acredito! Eu estava aqui quando a moça pulou da janela!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Chamem o prefeito!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Seja honesta. Se encheu a cara e se meteu em apuros, por que não admite em vez de acusar inocentes?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Como ousa falar assim comigo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ele é meio louco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - E tem mais sei porque ele o fez. Estava escondendo um assassino aqui!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TODOS - Escondendo? Aqui!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - É uma mentirosa e sabe disso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter bate 3 vezes na escrivaninha. Earl também bate 3 vezes. Todos se surpreendem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTERES - O quê? Ele está aí!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Me dê a escrivaninha!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os repórteres correm a fazer ligações.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hartwell saca sua arma e mira na escrivaninha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Afastem-se! Ele pode atirar! Peguem as armas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ele não é perigoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Não arrisquem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ele não vai machucar ninguém. Estão com a arma dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SRA. BALDWIN - Tirem-me daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Sua velhota!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Mãe! O que houve?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sra. Baldwin sai da sala em desespero. Lá fora Louie a encontra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Hildy, Chame Duffy!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Todos, apontem para o meio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - É homicídio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Carl, Frank, um de cada lado. - É agora! Está cercado. Vou contar até 3.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER (ao telefone) - É quente! Um.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Prontos para uma emergência!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER - Está quase. Dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Três. Abram! Pegamos você. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abrem a escrivaninha. Earl está deitado, cansado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EARL - Podem atirar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Saia!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER (ao telefone) - Williams foi capturado. Estava escondido no prédio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWEL - De pé. Cuidado. Não faça nenhuma gracinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Earl sai da escrivaninha e os policiais o guiam para fora da sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;REPÓRTER (ao telefone) Estava inconsciente. Lutou, mas a polícia o dominou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO REPÓRTER - Não ofereceu resistência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO REPÓRTER - Quis atirar, mas a arma falhou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Duffy, o "Post" entregou Williams ao xerife!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL (ao policial) - Algemem essas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O policial algema Hildy a Walter. Todos saem da sala, exceto um policial, Hartwell, Hildy e Walter. O prefeito entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Chame o diretor, rápido. (A Walter) Vai desejar não ter nascido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Bom trabalho. Estou orgulhoso. Você entregou as mercadorias? (a Walter) Quem diria! Ajudando um fugitivo. E uma acusação de seqüestro. O quê? É a cadeia. 10 anos para cada um.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está na hora de sair da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Isso não vai ajudá-los. Estão ferrados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O último homem que me disse isso cortou a garganta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - É mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Já estivemos em apuros piores. Esqueceu do poder que sempre cuida do "Post".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não está com você agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Diga, Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL (ao telefone) Aqui é Hartwell. Eu o peguei. Sozinho. Daremos andamento ao enforcamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ficará no cargo mais dois dias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - E vai meter o nariz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Vou dizer o que farão. Vão fazer vassouras na prisão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Joe, é Hartwell. Venha logo. Quero que colha o depoimento dos criminosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Chame Liebowitz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Advogados não vão ajudar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Está falando com o "Post". O poder da imprensa! Homens mais importantes que você o conhecem: presidentes, reis&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE entra na sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETIBONE - Aqui está a comutação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Vá embora!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Não pode me subornar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Saia daqui!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Não, aqui está a comutação!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter pega e lê a comutação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Tire-o daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Espere aí. Quem quis suborná-lo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Não quiseram aceitar isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Louco!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não disse? Um poder invisível!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Como ousa inventar isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Tentar enforcar um inocente para ganhar a eleição? É homicídio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Nunca o vi antes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Se eu contar à minha esposa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Como se chama?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - John Pettibone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quando veio entregar isto? Com quem falou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Tentaram me subornar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Aqueles. Eles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Absurdo! Ele fala como uma criança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Da boca de um bebê.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Ele é louco ou bêbado. Se o enforcamento foi suspenso, fico muito satisfeito, não é, Pete?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Enforcaria a mãe para se reeleger.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - É uma coisa horrível de se dizer, Srta Johnson.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Você é ótimo! - Você é inteligente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Vamos ouvir a sua história.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Há 19 anos me casei com...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Pule essa parte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Ela não era Sra. Pettibone...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO (olhando o papel) Xerife, o documento é autêntico. A pena foi comutada. Não haverá necessidade de derramamento de sangue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Guarde isso para o "Tribune".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Tire as algemas dos meus amigos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Estou surpreso! Como pôde fazer isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hartwell retira as algemas de Hildy e de Walter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Walter, não sabe como me sinto... Pete não tem desculpa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Estava cumprindo meu dever.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro. (A Pettibone) Como é mesmo seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Pettibone. A foto da minha esposa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pettibone começa a procurar uma foto da esposa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Muito bonita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Ainda não a viu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Mas é bonita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - É boa para mim, mas se eu contasse...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Entendo perfeitamente. Sendo prefeito...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Só por mais 3 horas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - A edição especial pedirá que renuncie.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - E sua prisão. Vão pegar uns 10 anos cada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Não tome decisões precipitadas. Pode acabar sendo processado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Vai se atritar com o governador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - Ele e eu nos entendemos bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HARTWELL - Eu também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO - O que, seu idiota? Sr. Pettibone, venha. Vamos entregar isso ao diretor. Pete!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PETTIBONE - Se eu contar à minha esposa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não será preciso. Espere até eles lerem o "Post" de amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pettibone, o Prefeito, Hartwell e o policial saem de cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter faz uma ligação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (ao telefone) Chame Duffy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Foi a nossa pior encrenca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que? Chame-o!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - E quando roubamos o estômago de lady Haggerty do legista?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ele nunca está lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Provamos que foi envenenada. Tivemos de nos esconder uma semana, lembra? O Hotel Shereland. Foi onde nós&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Podíamos ter sido presos. Talvez seja um ramo perigoso. Vai se dar bem. É melhor ir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Para onde?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Para Bruce, claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Sabe que ele foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ligue. Ele irá esperá-la. Vá andando!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - O que há com você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (AO TELEFONE) Espere um pouco. (A Hildy) Não entende? Estou tentando fazer algo nobre. Vá antes que eu mude de idéia. É duro o suficiente! Espere. Mande um telegrama. Ele estará esperando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter entrega a bolsa a Hildy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Quem vai escrever a matéria?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Eu. Não ficará tão bom...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - A matéria é minha, eu queria... Finalmente! Já entendi! A mesma encenação. Tentando me mandar embora para eu querer ficar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER (Ao telefone) - Sim. Sei que mereço isso. (ao telefone) Um momento. (a Hildy) Mas agora está errada. Quando sair, parte de mim irá com você. Mas será tudo novo para você. Debochei de Bruce, Albany, sabe por quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Porque?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Ciúmes! Ele pode te oferecer uma vida que eu não posso. É o que você quer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Posso ficar, redigir a matéria, pegar o trem amanhã...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Esqueça. Vamos. Adeus e boa sorte. (Ao telefone) Duffy? Até agora... (outro telefone toca) Um momento. Alô? Quem? Hildy Johnson? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acaba de sair.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Ainda estou aqui. Eu atendo.(pega o fone) Hildy Johnson. 4° distrito? Pode chamá-lo. Achei que estivesse indo para Albany! Por quê? Dinheiro falso! Um momento. Onde o arrumou? Eu dei para você! Vou tentar fazer algo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hildy desliga o telefone e começa a chorar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Querida, não chore, por favor. Não queria fazê-la chorar. Você nunca chorou antes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pensei que fosse me mandar para o Bruce. Não sabia que tinha mandado prendê-lo. Pensei que estivesse sendo sincero. Pensei que fosse me deixar ir embora sem fazer nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Acha que sou burro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Pensei que não me amasse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - O que estava pensando?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Por que estamos aqui falando? Temos de tirá-lo da prisão. (ao telefone) Mande Louie com dinheiro de verdade para ele ir para Albany. Claro. Diga a Louie para esperar. Estamos indo para o escritório. Não se preocupe, Hildy vai escrever. Ela não vai embora. Vamos nos casar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Podemos ter lua-de-mel?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (A Hildy) Claro. (ao telefone) Você será editor-gerente. Só durante a lua-de-mel. Não sei. (a Hildy) Para onde vamos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Niagara Falls.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - (ao telefone) Niagara Falls.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Duas semanas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Claro. Você merece. (ao telefone) O quê? Greve? Que greve? Onde? Albany? Sei que é caminho. Passaremos a lua-de-mel lá. Tudo bem! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(desliga)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HILDY - Que coincidência! Talvez Bruce nos hospede.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;WALTER - Não carregue essa mala!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Walter e Hildy saem de cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FIM&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-6285165681622582144?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/6285165681622582144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/6285165681622582144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/08/parte-4.html' title='Parte #4'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-8834758973317470161</id><published>2009-07-18T23:15:00.001-03:00</published><updated>2009-07-18T23:15:39.440-03:00</updated><title type='text'>CARO DIÁRIO</title><content type='html'>&lt;div&gt;Roteirizado, dirigido e protagonizado por Nanni Moretti&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais um dos meus dez filmes-texto favoritos. Aliás, não tanto um filme-texto, mas sim um filme-pausa, hehe...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/119058245/807ab364/Roteiro_-_Caro_Dirio.html"&gt;Download deste roteiro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CAPÍTULO UM&lt;/div&gt;&lt;div&gt;NA LAMBRETA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI escrevendo. Close em sua mão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Caro diário, existe uma coisa que gosto de fazer mais que tudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI em sua moto, circulando pelas ruas de Roma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (off) No verão em Roma, os cinemas estão todos fechados ou passam filmes como ''Sexo, Amor e Pastoreio'' ''Desejos Bestiais'', ''Branca de Neve e os Sete Negros'' Ou filmes de terror como ''Pesadelo''. Ou, então, algum filme italiano. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vozes em off.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Tenho medo de retomar o jogo. Sou um covarde.  O que aconteceu nesses anos todos? Que houve comigo? Já não sei mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM #2 - Suas têmporas estão grisalhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vemos dois homens e uma mulher falando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - É o peso das derrotas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER - Uma série ininterrupta de derrotas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Nossa geração, no que se tornou? Hoje somos publicitários, arquitetos, corretores, deputados, assessores, jornalistas... Nós mudamos tanto! Sempre para pior. Hoje somos todos cúmplices. Mas por que tem que ser...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI resmunga, sentado numa sala de cinema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Todos cúmplices.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER - Não há nada de concreto na minha vida. Quando foi que saímos para passear? Acho que continuamos juntos só por hábito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Todos se envergonham de mim. Que dor de cabeça! Até os analgésicos não são mais os mesmos. Lembra do barulho que faziam dentro dos vidros antigos? Agora tudo está mudado. Tudo está mudado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER - Sabe o que acontece, Antonio? Você piorou. Não tem mais nenhum sentimento autêntico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM #2 - Ficamos velhos, amargos, não somos honestos no trabalho. Pregávamos coisas horrendas, violentíssimas, queríamos agir... e agora vejam como ficamos embrutecidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI nas ruas, em sua moto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Vocês gritavam coisas horrendas, violentíssimas... e ficaram embrutecidos. Eu gritava as coisas justas... e agora sou um esplendido quarentão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI circulando novamente pela cidade. Dia ensolarado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (off) A coisa que eu mais gosto na vida, é ver as casas, ver os bairros... e o meu bairro favorito é o Garbatella. Fico perambulando pelos bairros populares. Eu não gosto de ver as casas somente por fora... Às vezes gosto de olhar também como são por dentro. Então, eu toco a campainha e peço para fazer uma entrevista. Digo que trabalho na produção de um filme e o dono me pergunta. ''Do que fala esse filme?'' Eu não sei o que dizer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI conversando com alguém&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Eu digo, ''Meu filme é a história de um confeiteiro trotskista... um confeiteiro trotskista na ltália dos anos 50. É um musical. Um musical.''&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI em frente a um prédio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Nada mal, um musical sobre um confeiteiro trotskista na ltália conformista dos anos 50.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI contemplando outro prédio, ao lado de SILVIA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Quando ando de lambreta, gosto de parar para olhar as coberturas onde gostaria de morar. Me imagino reformando os apartamentos lá do alto. Apartamentos que os donos não têm a menor intenção de vender. Um dia vendo uma que parecia mais acessível que as outras eu e Silvia subimos para olhar. Perguntamos quanto custava e eles nos disseram, ''Dez milhões de liras o metro quadrado''. Dez milhões de liras o metro? ''Não se discute o preço do metro dessa rua, é uma rua histórica'', disse o proprietário. ''Foi aqui que Garibaldi fez a resistência.''&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI em sua lambreta, percorrendo uma ponte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Não sei, não consigo compreender. Eu posso ser maluco, mas eu amo esta ponte. Tenho que passar por aqui pelo menos duas vezes ao dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI parado num cruzamento. Um homem num carro vermelho pára também, esperando o semáforo abrir.MORETTI aproxima-se dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sabe no que estava pensando? Estava pensando em uma coisa muito triste, sabe que eu... mesmo em uma sociedade mais decente que esta... estarei sempre entre uma minoria de pessoas. Mas o caso é que não é como acontece nos filmes... em que o homem e a mulher&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se olham e brigam... numa ilha deserta porque o diretor não acredita nas pessoas. Eu acredito nas pessoas, mas não na maioria delas. Acho que sempre me entrosarei melhor com uma minoria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (desinteressado) - Tudo bem. Até logo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM sai de cena, dirigindo. MORETTI permance em pé, surpreso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Até logo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI novamente em sua lambreta percorrendo ruas num dia ensolarado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Na verdade, meu sonho sempre foi saber dançar bem. ''Flashdance'' é o nome do filme que mudou definitivamente a minha vida. Era um filme apenas sobre dança. Saber dançar! Mas no fim eu acabo sempre só olhando. O que também é bom, mas é muito diferente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI chega a uma festa. Pára, desce de sua moto e observa os outros dançando. Pouco depois, vai cantar com uma banda. Depois disso, observa mais o movimento, sorrndo. Aproxima-se de um casal que estava conversando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sabe qual é o meu sonho? Meu sonho é e sempre foi saber dançar. Eu nunca mais fui o mesmo depois que vi... aquele filme ''Flashdance'' com Jennifer Beals. Aquela dançarina lá é a Jennifer Beals?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Puxa, como parece! Vocês viram o filme?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI se afasta e continua a observar os outros dançando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais cenas de MORETTI percorrendo ruas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (off) Spinaceto é um bairro construído recentemente. E todos falam mal dele. ''Aqui não é Spinaceto!'' ''Onde você mora?'' ''Spinaceto?'' Eu lembro que um dia, eu li uma história que se chamava... ''Fuga de Spinaceto''. Falava de um rapaz que fugia daquele bairro... fugia de casa, e nunca mais voltava. Então, vamos ver Spinaceto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pára sua moto próxima a um homem que está sentado sobre um muro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Spinaceto? Esperava coisa pior, não é nada mal. Era exatamente o que eu estava pensando. Tchau.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Tchau.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI sai com sua moto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Casalpalocco. Passando por essas casas, sinto cheiro de agasalhos... que substituem outras roupas. Um cheiro de vídeo-cassete... de cães de guarda nos jardins, pizzas prontas em caixas de papelão. Mas por que vieram para cá, há 30 anos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI pára e fala com um homem que acaba de sair de um carro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Desculpe, mas por que o senhor veio morar aqui em Casalpalocco?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Veja o verde, a tranqüilidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sei o verde... mas deve ter vindo para cá há uns 30 anos, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Em 1962.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Há 30 anos Roma era uma cidade belíssima.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Mas aqui é diferente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É diferente agora... mas na época, Roma era uma cidade linda, entende? lsso me assusta, cães de guarda, vídeo-cassete, chinelos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI percorrendo as ruas. Pára ao ver um casal andando. Fala à mulher.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Jennifer Beals? Jennifer Beals? Jennifer Beals? Jennifer Beals?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O casal finalmente pára e andar e responde.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - De ''Flash Dance''?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - lsso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (em inglês) - Quem é ele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - Eu não sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - O que foi que ele disse?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - ''Quem é você''.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto MORETTI fala, ela vai traduzindo para o homem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É que eu sempre quis muito saber dançar. Por exemplo, se eu morasse em Emilia-Romagna...  onde existem asilos, hospitais que funcionam... escolas de dança, tango, merengue, cha cha cha, mambo... e quando eu ouvisse música, eu pudesse dançar. E não só ficar olhando o pessoal dançar. Que sapatos! Como são cômodos! São simples, mas os pés devem ficar bem confortáveis, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - Sim, são bem confortáveis. (ao homem) Acho que esse cara deve ser...sabe, um maníaco por pés. Não, só vamos relaxar e...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Disse que sou louco?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - Não, não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não disse ''louco''?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - Eu disse, ''Off'.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - O que é isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - Quer dizer especial, peculiar. Quase louco, mas não é bem isso. Acho que ''off' foi a melhor definição, não bem o que eu queria dizer mas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Sei, como ''fora do normal''?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - Sim, porém, algo mais preciso. Algo mais preciso, talvez ''whimsical''.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - ''Whimsical''?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;JENNIFER - É quase bobo. Bobo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI em sua lambreta, olhando mais prédios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Mesmo quando vou a outras cidades... a única coisa que gosto de fazer é olhar as casas. Como seria lindo um filme feito só com casas. Panorâmica de casas. Garbatella, 1927. Vila Olímpica, 1960. Tufello, 1960. Vigne Nuove, 1987. Monte Verde, 1939.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI em frente a uma sala de cinema. O filme, anunciado numa placa grande: "HENRY CHUVA DE SANGUE". MORETTI entra na sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na tela, um homem grita aoutros dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM #1 - Foi o combinado, pegue os 50 dólares e vão para o inferno!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dos outros enfia uma faca na mão do que primeiro falou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM #2 - Vou te pagar. Vou te pagar direitinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começa uma luta entre os dois. MORETTI sentado, um pouco assustado. Enquanto ouve-se os gritos dos homens lutando, MORETTI faz umas caretas. Na tela, um dos homens quebra um monitor na cabeça do HOMEM #1. Ainda no filme: Ext. Noite um carro estaciona.  O homem que sai do carro fala a outro. "Estão precisando de ajuda? Precisa de ajuda ou pode se virar sozinho?"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI saindo do cinema, desencantado e senta-se num banco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Durante horas eu ando pela cidade... tentando me lembrar quem me falou bem desse filme. Eu tinha lido uma crítica no jornal, alguma coisa positiva sobre Henry. De repente, me lembrei. (MORETTI sentado a um amesa, Ext. - Sol) Encontro o artigo e o copio no meu diário. Aqui está. ''Henry mata pessoas, mas é quase um homem bom... de poucas palavras, mas só os fatos contam. Mas seu amigo Otis é um crápula. Henry tem uma louca solidariedade com suas vítimas. É um príncipe de sangue azul da aniquilação... prometendo uma morte piedosa. Otis, não. O diretor acorda o público para um pesadelo ainda pior... com uma ducha final de sangue, olhos perfurados...carne torturada. A abominação.  Henry é o primeiro a desmembrar com grande lucidez... a filosofia criminal lambrosiana de Hollywood.'' Eu fico pensando, será que quem escreve essas coisas... quando chega a noite, antes de adormecer... tem um momento de remorso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DORMITÓRIO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Homem deitado numa cama, chorando em desespero crescente. MORETTI sentado a seu lado, numa cadeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Quando começou? Quando tudo isso começou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Talvez quando tenha escrito... (lendo) ''Esse filme coreano é um melodrama De época com roupas... e sobretudo chapéus delirantes, feminista, flamejante, demoníaco... filmado como se fosse um Spielberg, em ritmo e espaço futuristas.'' Tem também ''O Pasto Nu'' de Cronenberg. ''Um puro underground de custo elevado. Um verdadeiro filme cult. Não que as mulheres, para Jonathan Demme, sejam melhores... ou que equivalham ao que para Lin Piao eram os proletários... e sub-proletários dos três mundos juntos. Só que suas mulheres têm fibra para manter a parte justa... na guerra do imaginário feita nas aulas de ''lntervenções Cirúrgicas''. De fato, antes que Lula e Sailor se abracem em um final feliz... sussurrando ''Love me tender'', ainda que faltem muitos anos de cadeia... para Sailor, cabeças humanas dilaceradas voarão. Vira-latas pegarão mãos decepadas e fumarão centenas de cigarros... de todos os tipos. Longos, suaves e mentolados.''&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ext. Dia. MORETTI lendo os jornais. Manchetes: "A MORTE DE PASOLlNl" "O MEU lNFERNO" "Pasolini estava vivo quando o carro o atropelou várias vezes." "Pasolini Foi assassinado por um garoto de programa."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI percorrendo mais ruas em sua lambreta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Não sei porque, mas nunca estive no local onde mataram Pasolini.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CAPÍTULO 2&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ILHAS&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI num barco, mexendo em uns papéis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - O barco está chegando a Lipari. Vou visitar um amigo que se mudou para lá há 11 anos. Desde então, estuda apenas ''Ulisses'' de Joyce. Eu estou começando a escrever meu filme... e trouxe comigo todos os recortes que vou precisar para o trabalho... e que guardei nos últimos anos. Tenho certeza de que em Lipari farei alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EX. DIA RUAS&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI e GERARD andando por ruas engarrafadas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA PADARIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI observando o balcão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ATENDENTE - Bom dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Bom dia. Um suco de laranja e... um sanduíche...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ATENDENTE - Já vou atendê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - De mussarela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI observa na televisão, a imagem de uma freira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FREIRA (off) Deus, dê-me forças.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Um sanduíche de mussarela com tomate, obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começa a passar um show de dança. MORETTI se empolga e começa a dançar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI e GERARD sentados a uma mesa, bebendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - O que você estava assistindo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Quando?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Lá dentro, na televisão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não, não era a televisão, não. Era um filme estranho. Silvana Margano antes era freira, depois no meio, ela dança. Você deve ter achado também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Nunca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Nunca assiste televisão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Nunca. Há trinta anos que eu não vejo televisão. Sabe o que Magnus Enzensberger disse? Eu concordo com ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - RUA CONGESTIONADA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muitas buzinadas, muitas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Pode não acreditar, mas é a primeira vez em tantos anos que estou aqui que está essa confusão. Não acredita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Acredito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - SALA CASA GERARD&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti e Gerard estão sentados, cada um a uma escrivaninha, mexendo nuns papéis.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Os recortes são de notícias engraçadas, curiosas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Curiosas. Pois é no decorrer dos anos eu só acumulei notícias e artigos bobos, personagens desagradáveis e evidentemente, é... (barulho de buzinas) Sou atraído por essas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI levanta-se  e vai até a janela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - NAVIO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Ambos num navio]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Havia muito barulho, muita confusão em Lipari. Decidimos então partir para Salina, uma ilha mais tranqüila, familiar. Lá existem uns amigos de Gerard que têm filhos. Aliás, um filho. Parece que em Salina todos têm só um filho. Parece que lá conseguiremos fazer alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-8834758973317470161?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/8834758973317470161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/8834758973317470161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/07/caro-diario.html' title='CARO DIÁRIO'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-559026279966456435</id><published>2009-07-18T23:14:00.003-03:00</published><updated>2009-07-18T23:14:55.769-03:00</updated><title type='text'>Parte 2</title><content type='html'>&lt;div&gt;INT. SALA DE ESPERA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI e GERARD estão cada um lendo algo,s entados, concentrados. A televisão está ligada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER (off) Não precisa fazer isso, não é necessário. Não está sendo gentil considerando que estou trazendo seu presente de casamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRA MULHER (off) É mesmo? Quanta gentileza!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD muda de lugar várias vezes, aproximando-se cada vez mais do televisor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (off) Olha quem está aqui. Não vai fechar o cassino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER (off) - Por que diz isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (off) - Vou lhe dizer... porque odeio profundamente pessoas como você. Ilude as pessoas alimentando falsas esperanças. E quando consegue o que quer, joga-as no lixo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM #2 (off) Vá para casa e acalme-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (off, entrando) - Vou lhe dizer, essa Catedral jamais verá a luz do dia. Pelo menos enquanto eu viver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER (off) - Oi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (off) - Oi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER (off) - Que bom que voltou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (off) - Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER (off) - Preciso lhe dizer uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (off) - Espero que seja uma boa notícia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER (off) - Não acho que será uma boa notícia. Encontrei a Gina hoje, e ela disse que Keith quer se vingar de você. A qualquer preço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM (off) - Isso não é novidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER (off) - Há algum tempo ele me disse a mesma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - NOITE - SALA DE ESTAR CASA 3 e 4&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti, Gerard, 3 e 4 estão sentados no sofá, de frente para a TV, que está num volume baixíssimo.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3- É incrível que para Pedro esses primeiros anos não significarão nada, porque não vai saber de mais nada. Não poderá lembrar-se deste período de tanta intimidade, aproximação, quando precisou tanto de mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4- Esta semana aconteceu uma coisa muito importante: ele largou a fralda. Pensamos em tirar umas duas semanas de férias para fazê-lo aprender. E... Ao invés disso ele ficou muito esperto, muito...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3- [interrompendo-o] Ao invés disso ele aprendeu tudo sozinho e não errou nada, começou a comportar-se como uma pessoa adulta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - SALA DE JANTAR CASA 3 E 4&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Todos sentados à mesa, exceto 4. 3 continua a tagarelar, numa quase continuação da cena anterior.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3- E o primeiro dia de creche. Ficamos acordados a noite toda, estávamos preocupadíssimos, agitados...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - A agitação do primeiro dia de escola.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3- É, a agitação do primeiro dia de escola, é... Pedro estava dormindo, tranqüilo, nem podia imaginar que no dia seguinte sua vida mudaria. (a 4, que entra) Está dormindo? (4 responde com um sutil gesto de cabeça. 3 continua) Pedro está atravessando uma fase complicada, apesar de transitória. Passou de um regime em que lidava somente conosco para um regime de creche, diferente...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Gerard tenta aumentar o volume da TV, ao que é impedido pela vaca 3. Gerard, sem alternativa, leva a mão ao ouvido enquanto chega mais para perto da TV, de uma forma hilária)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3- Não, ele está dormindo. O volume está bom. Pôde ver tantas crianças, tantas pessoas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - LOCAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gerard, Moretti, 5, 6 e Danielle andando bem mais rápido que eles, a fim de fugir.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Danielle, Danielle!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Ontem assisti a televisão, foi um programa bom mesmo. Mas eu não entendi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Aquela família.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6- Vocês se assustaram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sim, um pouco, mas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Ah, eles exageraram com Pedro e nós, com Danielle. Temos um relacionamento diferente. Queríamos ter outros filhos, mas temos muito medo que Danielle receba mal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - Perguntamos a ele a cada dois ou três anos: "Danielle, quer uma irmãzinha ou irmãozinho?" Ele fica danado. Tenho medo. Temos medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - RUA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti no orelhão.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Ihh, ohh, o burrinho faz ihh ohhh. Ah, você sabe, mas eu não sei fazer o som de outros animais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - LOCAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti escrevendo num bloco de anotações]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Há anos que Salina estava dominada por filhos únicos. Cada família tinha um filho e somente um, a quem era confiado o comando da situação. Era praticamente impossível a comunicação por telefone porque nas casas os aparelhos eram sempre interpelados pelas crianças...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - RUA/ TELEFONES PÚBLICOS&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos os seguintes personagens estão no orelhão. As crianças, cenário sala de estar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[moça ao telefone] Oi, é a Rosana. O papai ou a mamãe estão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[criança] Eu vou passar para o papai, tchau. [bate o telefone no gancho]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[mulher] Paolo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[homem] Giovani?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[outro homem] Sabe quem sou eu? Como eu me chamo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[criança] Pronto, quem fala? Aqui é o Paolo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti] Como se chama? Quantos anos tem? Me conhece? Como eu me chamo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Paolo] Como faz o porquinho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[homem] Como faz o hipopótamo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti] A girafa eu não sei; ihhh é o porquinho. O rouxinol eu não sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[mulher] A mamãe ou o papai estão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Paolo] A mamãe e o papai estão em casa, mas agora eu vou te contar uma estória. Era uma vez...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[mulher, pausadamente] Você está entendendo o que eu estou dizendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[bebê. Silêncio. Três orelhões ocupados pó uns malucos implorando que as crianças chamem seus pais.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[mulher] Chame a mamãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[homem] Eu não sei imitar isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti] Conta para ele como faz o porquinho óinc óinc.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - LOCAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti encontra uma bola perto da areia e começa a chutar. B.G.: melancólico.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - DORMITÓRIO CASA 5 e 6&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Escuridão. Casal 5 e 6 entra no quarto, acendem os abajures e acordam Moretti e Gerard, tirando-lhes os cobertores.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Acorda, acorda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - [cobrindo o rosto] A luz, a luz!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6- Já acordamos o Danielle, ele está esperando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Há quinze minutos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Pra que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Porque essa é a pior hora do dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Por que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Porque faltam quinze para as três.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Por que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Como assim por que? É a hora do lobo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- A hora do lobo é a pior hora, é a hora em que se está mais sozinho. Por favor, acorda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6- Há doze anos que acordamos o Danielle às três horas e o levamos para a nossa cama. Então, vem com a gente?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - NOITE - SUÍTE CASAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[5, 6, Moretti e Gerard entram no quarto em que Danielle - Dan. - os espera, no centro da cama, sonolento. Seus pais lhe perguntam]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Como está esta noite?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DAN.- Bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Está com medo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[todos se acomodam na cama. Gerard e Moretti voltam a dormir.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DAN.- Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Viu quantas pessoas vieram te fazer companhia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DAN.- Vi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6- Não está com medo, está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DAN.- Ah, estou sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- O Danielle nunca teve uma babá. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não? Por que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5- Porque sempre ficamos com ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Nunca saíram?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6- Nunca. Lemos sempre alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - Lemos Von Kleist.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - Hegel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - Spinoza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - Lemos Frederico Totsi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - Lemos Xenofonte, lemos tudo dele e depois Heródoto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - E depois?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;DANIELLE - Tácito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - Tudo do Tácito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - Tudo. E depois lemos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - Santo Agostinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - Delfino, Meneghello y Capitini..&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - Cícero, lemos e relemos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - E Rousseau. E leibniz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - Wittgenstein.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - BARCO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Caro Diário, passamos diante da ilha de Panarea. Gerard disse que nunca esteve lá, mas me indica um por um os locais, as discotecas, os restaurantes, as cervejarias. Decidimos que era melhor não descer em Panarea. Seguimos rumo a Stromboli, onde temos certeza que finalmente conseguiremos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - De repente me lembrei de uns versos de Tibullo que descrevem a situação em que nos encontramos quando estamos assistindo à televisão. "Mas que lindo quando estamos mergulhados num leito / ouvindo os ventos impetuosos, batalhando entre eles" Eu em lembrei deles quando estava assistindo a um programa de variedades.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - BARCO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gerard e Moretti estão brigando por causa de um papel que está com Gerard]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Me dá o papel, anda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (lendo) Não perder tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Ao chegar a Stromboli, você sente a presença ameaçadora do vulcão. Gerard e eu começamos a brigar porque ele não me lembrou que estou aqui para trabalhar. Eu dei a ele todo um programa de coisas que eu deveria fazer, mas desde que estou aqui, eu não faço outra coisa a não ser perder tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - PERTO DO MATO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[O Prefeito chega perto deles, cumprimentando-os]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- [a Gerard] Eu sou o prefeito, muito prazer, professor. [a Moretti] Bom dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Bom dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Queremos que sejam nossos hóspedes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Não, obrigado, preferimos um hotel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Um amigo tem a casa certa para vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - CALÇADA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Os três de pé em frente a uma porta]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Logo deve chegar do Japão o agrônomo responsável pelos 28 mil hectares que circundam Tóquio, quer falar comigo sobre os meus projetos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Ah...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- (batendo na porta) Ricardo! (a Moretti e Gerard) Ele quer entender o segredo do nosso equilíbrio, principalmente o de Veneza. (bate à porta) Ricardo, sou eu. Escuta, já renunciei ao projeto da avenida com palmeiras importadas de LA. Queria restituir a essa ilha identidade, tradições que já estão perdidas. Praças, mar, jardins, as fontes, teatros... Ricardo! Abre que eles não têm onde dormir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICARDO- (V.O.) Chega!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Desculpe. Eu tenho tantos projetos, mas todos eles acabam mal. São tão hostis aqui. Por que são tão hostis?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - OUTRA CASA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[idem, mas agora a porta está aberta e um homem está escutando o prefeito.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Estou com dois amigos aqui que precisam se hospedar. Será que poderiam... [porta na cara. Fala a Moretti e Gerard] Mas é oposto de Amsterdam, onde se anda à noite como se passeássemos por quartos de visita, quartos de dormir, tudo iluminado, tudo visível. Uma vida sem cortinas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - OUTRA CASA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Mas eu sou o prefeito, vocês não podem me tratar assim. Eles têm que se concentrar durante três ou quatro dias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Fecham-lhe a porta na cara]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - CARRO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Carro em movimento. O prefeito dirigindo. Os outros na carroceria.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Ah, eles não colaboram, não colaboram, não adianta nada. Deve ser a presença ameaçadora do vulcão, só pode ser. Material humano nós temos. Aqui em Stromboli existe uma mistura interessante de italianos e alemães, muito interessante. As famílias são numerosas, não é como em Salina, cujo crescimento é zero. Eu, por exemplo, tenho três filhos. Tanto potencial interessante desperdiçado. Que pecado!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - MATAGAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[PG da montanha, deserta. Eles saem do carro]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Bem, daqui só vão poder prosseguir a pé.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Por esse caminho aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PREFEITO- Por esse caminho aqui, com passos regulares, sem esforço. Desculpem. Eu espero um telefonema do agrônomo japonês responsável pelos 28 mil hectares. [despedindo-se] Prazer em conhecê-los.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Prazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Muito obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Seguem. Moretti e Gerard andando. E o prefeito entra no carro.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - PERTO DO VULCÃO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti e Gerard estão sentados há uma distância segura, nalgum lugar da montanha, observando o vulcão.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Tem algo de hipnótico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Hmm, hmm.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Um antigo elo perdido. [avista um grupo ao longe] Não se vire, não se vire.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Que foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Um grupo de americanos, não olhe, eu tenho vergonha. Eu quero saber se Sally Spector disse ao marido que está esperando um filho. A novela americana, nos EUA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - E também se a Stephanie descobriu alguma coisa sobre a nova mulher de seu ex-marido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti desce até onde o grupo está, mas no meio do caminho ele grita a Gerard]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - [aos berros] E A MARY, COM QUEM ELA É CASADA?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - COM THOR.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - E A STEPHANIE, ONDE FOI QUE ELA COLOCOU OS MICROFONES?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - NA CASA DA ATUAL ESPOSA DE SEU EX-MARIDO.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - E POR QUE?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - PORQUE ELA TEM CIÚÚÚÚMMMEEE.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - [ao grupo] Hello, excuse, everybody. Could you tell me if Sally... (a Gerard) QUAL É O PROBLEMA DE SALLY SPECTOR?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - ELA ESTÁ ESPERANDO UM FILHO. O MARIDO DELA SABE OU NÃÃOOOO?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - [ao grupo] If Sally Spector has told her husband if she's pregnant.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Yes, she was. She told him.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Could you tell if Nancy...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Nancy is madly love for her tennis teacher.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - It's over, that's all over?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Yes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - [a Gerard] NESSE MOMENTO, NANCY ESTÁ LOUCAMENTE APAIXONADA PELO SEU PROFESSOR DE TÊNIS, NÃO HÁ ESPERANÇA PARA THOORRRR.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - BARCO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Homem esquisito dando adeus. Navio desatracando. Cena do vulcão. MORETTI E GERARD dentro do barco.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Anda, vamos para Panarea.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Vamos para Panarea.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Barco atracando noutra ilha. Todos desembarcando. Uma mulher os recebe no porto.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Bem vindos! Com licença, de onde vêm?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Stromboli.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Que tédio. Estou preparando uma linda festa em homenagem ao mau gosto. Levei quase um ano para organizá-la. Tamis Mettler anunciou que vem de cuecas. E depois, no sábado, haverá a festa de comemoração do meu divórcio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Organiza sempre coisas desse gênero?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Minha empresa oferece de tudo. Coquetéis, jantares, viagens, decoração, posso encontrar um elefante branco para um jantar exótico ou um fotógrafo surpreendente para um casamento, um africano para animar uma festa. Idéias, criatividade, atmosferas, contatos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;AMBOS- [interrompendo-a] Até logo e obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Correm em desespero de volta para o barco, que está zarpando.]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-559026279966456435?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/559026279966456435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/559026279966456435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/07/parte-2.html' title='Parte 2'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-7734078055532868967</id><published>2009-07-18T23:14:00.001-03:00</published><updated>2009-07-18T23:14:10.593-03:00</updated><title type='text'>Parte 3</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - BARCO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti dormindo]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Caro diário, eu sou feliz somente no trajeto entre uma ilha que eu acabo de deixar e a outra para onde estou indo. Estamos indo para Alicudi, é a ilha mais distante, mais selvagem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - BARCO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gerard está deitado numa cadeira de praia, conversando com uma mulher]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Com toda certeza a senhora é contrária ao programa "Quem o viu?".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Ela faz um sinal de mais ou menos com a mão]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Podemos negar a Ulisses o direito de após a Guerra de Tróia, perambular pelo mundo, parando para ver Cícero, Calipso ou Nazica? Claro que não. Do contrário, não teríamos a "Odisséia". Mas não podemos negar à família dele o sagrado direito de procurá-lo. É Lêmaco percorrendo as ilhas gregas, atrás de notícias do pai. E a pergunta é: Quem o viu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - MONTANHA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[MORETTI E GERARD andando num caminho deserto. 8 chega perto deles.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Bom dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Não há salvação para a Itália. Ele está esperando vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Ele quem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- O homem que recusou o sucesso. Ele odeia o narcisismo. Todos aqui odiamos o narcisismo. Esta ilha só recebe quem pensa como ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - MONTANHA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[MORETTI, GERARD E 8, subindo a montanha]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Aqui encontramos energia para trabalhar. E Alicudi dá mais que todas as ilhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Eu sei, já me disseram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - [quase sem fôlego] Falta muito?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não há outras estradas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Não há outras estradas aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Não há nenhuma estrada. E essa pessoa que nos espera...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Escreveu um livro de sucesso há alguns anos. Sucesso demais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sucesso demais?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Veio para cá para espiar o demasiado sucesso. Licuchi é a melhor ilha de todas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Já sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Não gosto das outras ilhas, são todas corruptas. Não sabem viver sozinhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Entendi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Aqui todos vivemos sozinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - NOITE - DORMITÓRIO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti e Gerard estão cada um numa cama, se preparando para dormir.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Enzensberger diz que a televisão não é nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Está bem, mas me prove que aquele jogo que vimos no outro dia, com Honduras x Bélgica de três a dois, com 5 faltas cobradas, equivale a nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Para mim, aquele nada pareceu tanto. Para você também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É, está certo, para mim também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Aquele pênalti no último minuto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Desculpe, mas eu tenho que resolver um probleminha. Não há persianas e só sei que amanhã vou acordar bem cedinho e só consigo dormir na escuridão total.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Sim, eu admito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - O que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Nesses dias eu exagerei um pouco com a televisão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Mas agora isso já passou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Pois é, estamos aqui tranqüilos, né?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Ah, esta ilha...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - COZINHA CASA HOMEM QUE RECUSOU O SUCESSO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Homem sentado à mesa, papando um pedaço de queijo. Moretti surge.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Ah, está aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9- Eu nunca saio porque os homens são assustadores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sabe, é que, com a claridade eu não consigo dormir, como não há persianas. Você tem uma fita adesiva aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9- [apontando] Dá uma olhada ali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Eu queria pegar... Tem um papelão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti senta-se]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9- Claro. Quero viver aqui sem raízes. Nossas raízes são pesadas demais. Nesses anos todos tive vergonha da Itália e de sua gente. Sinto vergonha pelas outras ilhas. Tão ávidas, tão ignorantes, onde mora gente que não se sente culpada. Nós ficamos aqui em retiro para pensar nos outros. Os italianos são um dos povos mais condicionados e vulgares do mundo. Este país tem uma vontade desenfreada de rir. Que motivo há para rir?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Se importa se eu pegar a...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9- Não, pega.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - VARANDA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gerard está sentado, escrevendo algo. Moretti está escrevendo no diário]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Estamos em Licuchi há vários dias. É realmente uma ilha diferente das outras, onde finalmente conseguimos nos concentrar. Aqui há muita calma. Uma calma terrível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Estão trabalhando?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É. Agora estou escrevendo em meu diário, mas esses dias eu...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - Estou escrevendo uma carta ao papa... Porque ele excomungou as telenovelas. Disse que são um perigo para a união da família. Eu vou ler. "Caro Santo Padre, perdoe-me, mas está errado. Nossas famílias estão muito fechadas em seu egoísmo, mas graças às telenovelas, exprimimos curiosidade, interesse por outras famílias distantes com as quais compartilhamos igualmente os dramas, problemas e alegrias. [agora, sem ler] "Inês, Uma Secretária", 0h30/ "Veredas", 2h50/ "Quando se ama", 4h/ "Santa Bárbara", mesmo horário, mas outro canal. "Celeste", 6h25/ "Beautiful", 9h. Não assisto televisão há dias, mas não sinto a menor falta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Bom, porque nesta iha...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - [ansioso] Nesta ilha...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Não tem eletricidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - E então...?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8- Não há aparelhos de TV em Licurti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - LOCAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gerard correndo em desespero, descendo a montanha em direção ao barco que já está zarpando, gritando a plenos pulmões]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GERARD - TE-LE-VI-SÃÃÃOOOO! TV! ELEVADOR! TELEFONE! ÁGUA QUENTE! ESPEREEMM! TELEVISÃO... SIM, TELEVISÃO... PAREM! AH, O SENHOR MAGNUS ENZENSBERGER ME DÁ PENA QUANDO DIZ QUE A TELEVISÃO TRANSMITE O NADA. AH, ENZENSBERGER, VOCÊ ESTÁ ENGANADO. A TELEVISÃO NÃO É UM MONSTRO QUE CORROMPE AS CRIANÇAS, PELO CONTRÁRIO. SÃO AS CRIANÇAS QUE SE BESTIALIZAM ASSISTINDO A TELEVISÃO, MAS CHORAM, SONHAM DE OLHOS ABERTOS, COMO NOS VELHOS TEMPOS SONHARAM OUVINDO AS FÁBULAS E LENDAS...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gerard consegue finalmente embarcar.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - SALA ESTAR CASA MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[folha de papel onde se vê escrito: "CAPÍTULO III - MÉDICOS". Moretti está sentado à sua escrivaninha, olhando uns papéis.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Caro diário, guardei todas as receitas médicas acumuladas durante um ano e guardei também as anotações que eu fazia após cada consulta, portanto, nada neste capitulo é inventado. Receitas de farmácias, consultórios médicos e as conversas com eles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - CASA MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti ao telefone]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sei, sei... Usar meia em casa. Tá bom, tchau. A uma e meia em casa, é claro que eu posso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - HOSPITAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti deitado perto da máquina de quimioterapia, sendo preparado por duas mulheres]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Esta é minha última sessão de quimioterapia, tratamento que se faz quando se tem um tumor, e decidi filmá-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[mulher colocando uma faixa em sua testa]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Vá devagar, hein?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sim, está bom. É.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Está muito baixo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Cuidado com a orelha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Está bem apertado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Está bom, está bom.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Está pronto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Tô.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[pausa]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER- Abaixa mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Ahn?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A doutora está aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tem denticene?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É melhor não saber. Está coçando?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um pouco, mas dá para aguentar. Mas não desapareçam daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) A coceira continua, mas graças à recomendação de um amigo, finalmente consegui marcar uma consulta com o príncipe dos dermatologistas, nos últimos dias antes de tirar férias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA CONSULTÓRIO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI e o MÉDICO.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO (lendo) "Giovanni Moretti, nascido em Brunico em 19 de agosto de 1953... mora em Roma. O senhor já foi tratado por esta doença aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, é a primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO -O que você tem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Uma coceira muito forte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO -Há quanto tempo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Várias semanas, há quase um mês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO -Onde?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Nos pés e nos braços.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO -Quando é pior?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Principalmente à noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRA SALA. INT. DIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Moretti deitado. O doutor o examina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - A pele está um pouco seca. Vejamos aqui. Abaixe mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Pensei que fosse sarna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Não, é uma doença que afeta outras classes sociais. Há uma reação. Já teve hepatite?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Já, há muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO  -Outras doenças importantes?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO -Fome?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - -Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO -Tem apetite?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Tenho, tenho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Deve ir a um lugar quente, como a praia. O frio resseca muito a pele, e piora esses sintomas. Tome um comprimido de histamina uma hora antes do jantar. Um de Flantadin por uma semana. E meio comprimido na segunda semana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. NOITE CASA DE MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Moretti deitado em sua cama, se coçando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Tenho tomado os remédios que o médico me receitou... mas a coceira não passa. Voltei ao mesmo instituto... mas o médico que me atendeu a primeira vez, não está lá. Então, outro médico me examina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO MÉDICO - Está com a pele muito seca, mal nutrida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO MÉDICO - O sr. por acaso tem uma moeda?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Uma moeda?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO MÉDICO - Uma qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O médico passa a moeda pela pele de Moretti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO MÉDICO - Cuidado com as verrugas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Sim, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO MÉDICO - Obrigado. Há um dermografismo muito evidente. Creio que se trata de uma alergia de caráter alimentar. Pode vestir-se. Pode ser também um problema de fundo nervoso, stress, talvez. Com a vida que levamos, que o senhor leva, sr. Moretti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Moretti veste  a camisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É. Aqui está a receita que o seu colega me deu. -Histamina, devo continuar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO MÉDICO - Não. Deve fazer alguns exames de sangue. Hemograma completo.  Eu vou fazer o pedido. Deve tomar Fristamim, um comprimido por dia, durante um mês. Prazene em gotas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI em sua casa, vendo os resultados dos exames.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI Deixe-me ver, hematócrito 46%... taxa de hemoglobina 16,3, glóbulos vermelhos normal. Faço os exames de sangue e os resultados são normais. Mas a coceira continua. Não só continua, aumenta. Me lembro, que em Roma falam muito de um dermatologista famoso. Uma espécie de príncipe dos dermatologistas. Então, eu telefono para o consultório do príncipe. (ao telefone) Bom dia, por gentileza, eu gostaria de marcar uma hora... (ouve) Como não é possível antes de três meses? Mas é um caso urgente, senhorita! Estou com muita coceira. Quem é o substituto? Assistente do professor? Os pacientes excedentes são sempre mandados para ele. Pode me dar o número de telefone? 32... (anota) Obrigado, até logo. (desliga)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-7734078055532868967?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/7734078055532868967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/7734078055532868967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/07/parte-3.html' title='Parte 3'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-3820744209505521946</id><published>2009-07-18T23:11:00.000-03:00</published><updated>2009-07-18T23:13:33.149-03:00</updated><title type='text'>Parte 4</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA. Moretti e outro médico (#3), em outro consultório.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO #3 - Você está atravessando um período especial de stress?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Sim, mas por causa da coceira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO #3 - Bebe muito café ou chá?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Tomo muito chá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO #3 - Deve tomar, no máximo, um chá, um café ou um refrigerante por dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Entendi. Bom, estes são os remédios que os outros médicos passaram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO #3 - Ah, sim, os conheço. São colegas muito bons. Mas vou receitar outra coisa. Anfo-3 para o banho. Depois do banho Hidroskin. E, depois, lnfloran. -Um comprimido a cada manhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO #3 - Em jejum. Depois Atarax.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Moretti levanta-se e sai enquanto o médico continua falando e escrevendo a receita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Eu gosto muito de tomar remédios. E acreditar que me fazem bem. Mas o substituto estava muito confuso. Nem com a maior boa vontade eu conseguiria acreditar nele. E aquela foi a única vez que não fui à farmácia comprar remédios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA - MORETTI na sala de espera lotada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) Então, voltei ao instituto dermatológico. Mas não para a sessão de dermatologia. E sim para a alergologia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CONSULTÓRIO INT - DIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Moretti sem camisa. Médico examinando-o.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO #4 - Quer dizer que...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI -Cuidado com as verrugas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO #4 - Pode deixar. Os testes mostrarão se é alérgico como acredito. Primeiro testaremos os grandes grupos. Alimentos, poeira, pólen. Depois as substâncias&lt;/div&gt;&lt;div&gt;individuais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA MORETTI em sua casa, em frente à geladeira aberta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - Durante uma semana tomo trinta picadas por dia nas costas. Descobre-se, então, que sou alérgico aos grandes grupos. Como leite, derivados, nozes, sementes, peixe e carne suína. No dia seguinte, foram identificados os alimentos individuais... aos quais sou alérgico e que por enquanto não posso comer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. DIA FARMÁCIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Moretti e dois atendentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sou alérgico a muitos alimentos e resolvi fazer uma vacina. Os alimentos são, milho, cevada, aveia, alho, cebola, mostarda, amêndoa, feijão, soja, ervilha, fava, grão de bico, salsinha, alface, lúpulo, chá, pimenta, castanha, salmão, sardinha, atum, albumina de leite de vaca, caseína de vaca e cabra, gorgonzola, parmesão, provolone, queijo holandês e carne de porco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. NOITE CASA DE MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Moretti na cama, se coçando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI (off) - A coceira continua. Mas graças à recomendação de um amigo consigo marcar uma consulta com o príncipe dos dermatologistas. Nos últimos dias, antes de tirar férias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - CONSULTÓRIO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti e o MÉDICO, o príncipe dos dermatologistas]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Colopten três vezes ao dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Cinazin, vinte gotas após as refeições. Caprolisin, uma ampola às 18h.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sei, sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Antes de se deitar, você vai alternar Fenistil, Xanax e Atarax.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Cada noite um?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - É, alternados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sei, sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Para as pernas e os braços, os quatro produtos que prescrevi aqui. E para a coceira na cabeça, use o fluido Lecoval Scalp, 3 ou 4 gotas. E não se esqueça de lavar a cabeça todos os dias alternando esses três xampus que prescrevi aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Mas todo dia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Todo dia. Vai ter que me ajudar, moleque. Eu e minha família somos seus fãs.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - Mesmo sendo verão e fazendo muito calor, vai ter que usar sempre, sempre meias de algodão até os joelhos. Estou vendo que não usa meias, está sem meias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não, no verão eu não uso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - E camisas de mangas compridas, mesmo na praia. A pele tem que estar sempre em contato com o algodão, sempre. Vou deixar aqui o telefone de minha casa de praia. Quando eu voltar de férias, já deve ter melhorado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Eu espero que sim. E desculpe se vim sem avisar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO - [telefonando] Senhorita, faça um preço especial para o Sr. Moretti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - FARMÁCIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti de pé, perto do balcão; uma atendente lendo a receita, atendentes colocando os remédios que ele pede em cima do balcão]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Caprolisil, Cinazin... E também tem os cremes. lctiane, Akerat, Cinazin... lctiane creme e Akerat. Suagem para o corpo e Fargan pomada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os xampus. Factan, Apolar e Mavigen.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ATENDENTE #1 -Vou buscar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Tenho que alternar. Temos Factan, Entorgenina, Cinazin, Atarax, Caprolisin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ATENDENTE #1 - lctiane, Akerat, Apolar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. NOITE CASA DE MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dormindo. Começa a coçar-se. Acende o abajur. Levanta-se, ainda se coçando. Vai até a sala de estar. Senta-se no sofá. Folheia um livro de fotografias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - PRAIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti de meias e blusa de mangas compridas. Um minuto e meio de duração]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - CASA MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti sentado à sua escrivaninha]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Até que um dia decidi ler as bulas que acompanhavam os remédios. (lendo) "Caprolisin: anti-hemorrágico, indicado em todas as síndromes hemorrágicas e nas hemorragias internas." Então, Caprolisin é um anti-hemorrágico. Fora com ele. Agora, Cinazin: "ajuda na circulação cerebral". Então, ajuda a circulação. Fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - CASA MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[sentado à escrivaninha. Telefonando.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Caro diário, chegaram as vacinas. Por precaução, resolvi consultar um amigo imunologista. [ao telefone] Ei, Guido, sou eu Nanni. Bem, razoavelmente bem. Escuta, não dá para explicar tudo agora, mas há um mês e meio eu fiz uns testes alérgicos e deu um resultado alérgico múltiplo. Eu mandei fazer umas vacinas que chegaram hoje e naturalmente (pausa, ouvindo) Como um choque anafilático? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - CARRO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Ele está dirigindo. Tudo foi filmado do banco de trás.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Ele me disse que aquele tipo de vacinas é inútil, que pode causar um choque anafilático. As minhas coceiras não tem nada a ver com alergia alimentar que causam urticária, bolhas por todo o corpo. Sim, e não uma simples coceira. Eu recomeço a procurar os dermatologistas. Existe um tal de Magari, não tão famoso quanto o príncipe, mas do qual me falaram muito bem. Marco uma consulta com ele também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - CONSULTÓRIO MAGARI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti coçando-se, falando, sentado à mesa do charlatão Magari]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Hoje minha lambreta quebrou. Tive que sair de carro. Mais de uma hora no trânsito. O trânsito me deu nos nervos. A gente vai ao médico porque está mal e paga caro para ter que ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Magari - Está parecendo um perdedor. Na minha opinião, um caso psicológico. Lamento que seja um perdedor. Por que você está se coçando?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É a coceira...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Magari- Não há necessidade urgente, mas você se coça. [escrevendo] Seja como for, Trimeton injetável, uma injeção à noite durante uma semana. Fenistil, um comprimido após o jantar. E Lagederme, um creme quando coçar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entrega a receita a Moretti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Magari - Eu receitei os remédios, mas lembre-se: depende de você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT. NOITE Moretti dirigindo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Hoje eu me convenci de que a causa da minha coceira é só de natureza psicológica, depende de mim, é culpa minha, unicamente minha. Eu tento me lembrar do que fiz, do que me aconteceu há oito meses, quando começou a coceira. Tudo depende de mim, o médico disse que eu devo colaborar, devo me esforçar para não me coçar. Tudo depende de mim. E, se depende de mim, com certeza eu não vou conseguir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - NOITE - SALA CASA MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[deitado no sofá está Moretti, se coçando]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Droga! (V.O.) Minha mãe me deu um pijama de seda e lençóis de linho para aliviar a coceira. Agora, porem, não se trata somente da coceira. Eu adormeço, mas acordo depois de meia-hora. Eu durmo em média de uma hora e meia a duas horas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - QUARTO CASA MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[MORETTI deitado em sua cama. MASSAGISTA massageando os pés dele.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MASSAGISTA - Sabe, eu fiz algumas sessões de terapia em uma senhora durante algum tempo e consegui reduzir a taxa de seu colesterol. São essas coisas que dão satisfação à gente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Eu não sei mais o que fazer com essa minha coceira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MASSAGISTA - Para a coceira, deve-se evitar completamente todos os alimentos vermelhos: tomate, cenoura, laranja, morango... Nada de alimentos vermelhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Esta noite que passou, eu me cocei o tempo todo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MASSAGISTA - Vejo que feriu seu dedão. O dedão corresponde a cabeça. Você queria machucar sua cabeça esta noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É, eu sei, mas o que eu faço, passo um creme?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MASSAGISTA - Faça compressas com folhas de couve. Pegue as folhas de couve, ponha na água fervendo e faça compressas. Vai se sentir melhor, vai ver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - É, entendi, perfeito, perfeito. (V.O.) Mas eu não sabia se as massagens iam me fazer bem ou não. Mal elas não me fariam. Seja como for, era bem agradável, muito relaxante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - BANHEIRO CASA MORETTI&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Banheira cheia de farelo de trigo. Moretti dentro, claro]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) A reflexologista me receitou, além do creme de calêndula, rives nigrum e gotas de tília tormentosa. Também me mandou tomar banho usando os farelos de trigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - ANTRO CHINÊS DE MEDICINA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dois médicos chineses, YANG E CHU HU estão entre MORETTI, os três sentados. Em frente a eles, há um TRADUTOR.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Continuo emagrecendo e, à noite, começo a suar. Decido procurar o Centro de Medicina Chinesa e sou atendido por dois médicos, Chu Hu e Yang. Eles tomam meu pulso; depois de algum tempo eles trocam de lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Trocando de lado. Medem novamente o pulso de Moretti. Diálogo em chinês.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TRADUTOR - Tem tomado muito vento?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Vento? Eu ando muito de lambreta, mas em Roma não venta muito, não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TRADUTOR - Na medicina chinesa tradicional, a coceira corresponde ao vento no sangue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Mostre a língua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;{Moretti o faz}&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CHU HU- Está branca, pegajosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[outro diálogo em chinês]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CHU HU- Tem os rins caídos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TRADUTOR - O dr. CHU HU quer saber se no ano passado você teve excessos sexuais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - SALA DE ACUPUNTURA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[YANG está espetando agulhas em Moretti, que está deitado na mesa.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Aahhh...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Doeu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Estas são as últimas, está bem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Pronto, acabou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[YANG sai da sala. Moretti permanece deitado, em silencio.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) O dr. YANG me deixou sozinho no quarto. Fiquei sozinho por uns 5 ou 20 minutos e então cochilei um pouco. A certa altura, ele voltou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;{YANG volta com imãs}&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Como está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Sente um pouco de calor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Sinto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA - ESTACIONAMENTO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti está se dirigindo a seu carro.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Por enquanto, a acupuntura não fez qualquer efeito, nem sobre a coceira, nem sobre a insônia. Mas no centro de medicina chinesa são todos gentis, a atmosfera é simpática e eu vou fazer outras tentativas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - SALA DE ACUPUNTURA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti deitado, médicos para lá e para cá, aquela coisa toda]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Aperte com bastante força, tá?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Tá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Como está?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Estou bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Está doendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Está.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Eu posso aumentar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Pode.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Para curar a minha coceira, eles tentaram um tipo de acupuntura elétrica com um instrumento chamado agulha de flor de ameixa. Mas o doutor Iak nota a minha tosse e diz que esse tratamento não serve. Nesse momento, o melhor seria tirar uma radiografia do tórax.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - NOITE - CONSULTÓRIO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti sentado numa cama de hospital, tirando a camisa a fim de tirar uma radiografia]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - A camiseta também?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- [entregando-lhe uma placa] Não, não, não, só a camisa, porque tem botões. Aperte bem esta placa com o queixo, com o queixo ligeiramente levantado. Agora respire, atenção, prenda a respiração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) O técnico que tirou a radiografia a revelou imediatamente e disse à Silvia que havia uma coisa em torno do pulmão, uma espécie de massa, e a aconselhou a fazer logo uma tomografia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - LOCAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- E aí, tem gosto ruim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - Não, tem gosto de anis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;YANG- Anis?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - SALA DE TOMOGRAFIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti deitado, fazendo o exame.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MÉDICO- (V.O.) Respire. Pára. Não respire, parado. (pausa) respire. Parado. Não respire. Parado, respire.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Enquanto faço uma tomografia de cabeça, o radiologista da clínica examina a do tórax. E fala a Silvia e Ângelo. Diz ele que, em sua opinião, eu tenho um sarcoma no pulmão. Pergunto o que é isso e ele diz que é câncer nos pulmões e que em sua opinião, minha situação é incompatível com qualquer tipo de tratamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERIOR - DIA - CAFE&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Moretti sentado à uma mesa]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MORETTI - (V.O.) Bem, por sorte, o radiologista estava enganado. Dois dias depois, eles acabaram me operando e o meu amigo que é médico e que estava presente à operação, mais tarde em contou que o cirurgião, observando, olhando um pedaço do material que eles haviam extraído de mim teria dito: "Aposto qualquer que se trata de um Linfoma de Hodgkin. Os dois, não; mas um, sim." O Linfoma de Hodgkin é um tumor no sistema linfático, um tumor curável. Depois, um dia em casa, folheando um manual chamado "Enciclopédia Médica Garzanti", na palavra Linfoma vejo escrito: "Os sintomas são coceira, emagrecimento e transpiração". Mas uma coisa eu aprendi com toda essa estória: a primeira é que os médicos sabem falar, mas não sabem ouvir e agora estou rodeado por todos os remédios inúteis que tomei durante um ano. A segunda coisa que aprendi é que antes de tomar café, faz bem tomar um copo d'água. Ouvi dizer que faz bem para os rins, qualquer coisa assim, mas faz bem. [ao garçom] E agora vou querer um café com leite e um croissant, obrigado. E um copo d'água. [servem-lhe a água] Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[B.G. de vitória / Moretti bebe a água.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FIM&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-3820744209505521946?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/3820744209505521946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/3820744209505521946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/07/parte-4.html' title='Parte 4'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-510505022658360004</id><published>2009-07-06T00:09:00.005-03:00</published><updated>2009-07-11T20:22:19.666-03:00</updated><title type='text'>QUANDO PARIS ALUCINA</title><content type='html'>&lt;div&gt;Título original: "Paris - When It Sizzles" USA 1964&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Comédia romântica, dirigida por Richard Quine, com roteiro baseado em história de Julien Duviviver e Henri Jeanson.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CORTA P/&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Opa! Comédia romântica?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, mas não é o que parece. Eis a última boa comédia dos tempos áureos do cinema americano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, eles existiram, meus caríssimos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais um filme-texto, do tipo que tanto aprecio. Contém poucas externas (a não ser no metafilme); tem vários e apetitosos minimonólogos bensonescos; diálogos ágeis e espirituosos; um clima encantador; deliciosas e intermináveis alocuções; atuações resplandecentes e gostosamente exageradas, como no antigo teatro grego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi o filme que Audrey Hepburn mais gostou de fazer e certamente o mais interessante que ela fez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;William Holden está mais do que encantador nesta película, e seu personagem, o mau-caráter Richard Benson, esbanja charme do começo ao fim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que diabo não se fazem mais comédias assim, hein?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.4shared.com/file/116531535/9eb96856/Roteiro_-_Quando_Paris_Alucina.html"&gt;download deste roteiro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT. DIA - SOL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GPG de uma ilha. Meyerheim ditando e desenhando nas costas de uma mulher de biquini. Outra garota de biquini escreve num bloco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MEYERHEIM - "Memorandum à Paramount Pictures,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hollywood, Califórnia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De: Alexander Meyerheim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assunto: A última produção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cavalheiros, enquanto se sentam nos vossos confortáveis gabinetes, nós aqui... nas trincheiras, fazemos bom progresso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quanto às vossas ansiedades acerca do roteiro, falei com o autor em Paris. Assegurou-me ter já 138 gloriosas páginas a serem dactilografadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Juntamo-nos em Paris no Domingo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ponto final.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parágrafo."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MEYERHEIM - Cavalheiros, o sucesso é inevitável. É uma produção de Alexander Meyerheim de uma história e roteiro originais de Richard BENSON.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mulher em quem ele desenhava levanta-se exaltada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER - Richard Benson?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MEYERHEIM - Conhece-o, meu anjo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MULHER - Se conheço? Detesto-o!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MEYERHEIM - Richard Benson... Parece ter facetas que conhece melhor que eu. Nem imagino como acha tempo para escrever.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;HOMEM - lnfelizmente teve tempo de me escrever um roteiro. Acharam as últimas dez páginas ao largo de Malibu, numa garrafa de vodka.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;MEYERHEIM - Envie a Benson o telegrama do costume. O Richard assegura-me que se tornou abstémio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT. DIA - SOL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GPG Torre Eiffell. BENSON deitado ao sol, bebendo em sua varanda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cenas num parque e mais cenas das ruas. Numa das cenas surge SIMPSON, andando com seu pássaro. Ela entra num prédio e entra no elevador. Ao chegar ao apartamento de BENSON, lê as placas: "NÃO lNCOMODAR" e "REFERE-SE A VOUS!" "E A VOUS TAMBÉM! MERCI RB"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON já saiu do terraço e adentrou a sala de estar. SIMPSON toca a campainha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Está aberta. Entre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON entra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Sim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele está vestindo-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - É a jovem dactilógrafa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Para um relacionamento feliz e harmonioso, peço-lhe, nunca responda com perguntas. Fui claro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Fiz isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Lá está de novo, respondendo com perguntas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - O meu 'sim' foi uma pergunta, inferida, claro. Sabe o que é inferido e pressuposto? Não é uma pergunta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - É. Respondeu à pergunta com outra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - lnferir é indicar sem dizer aberta ou directamente, pressupor é concluir a partir do conhecido ou suposto. Chamo-me Gabrielle SIMPSON.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Isso é um pássaro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Como este trabalho vai durar dias, não tinha ninguém com quem o deixar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Bem cá estamos. O escritório é ali, eu vivo aqui em cima, o terraço é lá fora. Aquele mostrengo proeminente no horizonte é a Torre Eiffel. Mandei pô-la ali para me situar melhor. Se a ofende, mandarei removê-la. O seu quarto é por aqui. É contíguo, o que, não duvido, lhe trará à mente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;conotações sinistras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - De modo algum...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Ponha-as de parte. Dava-lhe um quarto lá ao fundo, mas tenho a choça cheia. Dia da Bastilha, sabe como é.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Deixe. Trabalhei com um autor americano que só escrevia na banheira. Habituei-me a tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Pode desfazer a mala. (pausa) Na banheira?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sim. Ofereci-lhe gel para o banho e demo-nos como peixes na água.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Entendo. Devo subentender que o pássaro se chama Richelieu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - lnferir, creio eu, e não subentender.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Como peixe na água. Metáfora interessante. Chama-lhe Richelieu porque queria um cardeal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - (rindo) Que engraçado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Não, não é. É o que faz ser um espirituoso internacional, que sou. Não posso parar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Estou tão feliz com este trabalho, Sr. Benson. E por poder trabalhar com um guionista da sua estatura. lnteresso-me por cinema. Decerto que aprenderei muito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Trabalhei com Roger Roussin, o realizador da Nova Vaga. Conhece-o?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Eu sou mais da Velha Vaga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - O filme é interessante. Muito avant-garde. É sobre umas pessoas, numa festa, que decidem não jogar Scrabble. Chama-se "O Jogo de Scrabble Não Terá Lugar". O próximo será sobre uma moça que não quer festa de anos. Soprar Velas É Mentira. Roger acredita que o importante é o que não se vê. O seu filme já tem título?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Claro. "A garota Que Roubou A Torre Eiffel".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - "A garota Que Roubou A Torre Eiffel". Soa fascinante. O título é simbólico? Ela não rouba mesmo a Torre Eiffel. Rouba? Qual é a história?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - É uma tragédia romântica com acção e suspense. Com muita comédia, claro. E, lá no fundo, um substrato de comentário social.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Bem, se me mostrar as páginas que escreveu poderei avaliar o volume de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON -  As páginas estão aqui mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON (lendo e enfileirando os papéis em branco) - Uma produção de Alexander Meyerheim. "A garota Que Roubou A Torre Eiffel" História e roteiro originais de Richard Benson. Aqui, com uma página ou duas de cenas de abertura filmadas, talvez, dum helicóptero, um moço e uma moça conhecem-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Mas, Sr. Benson...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Após conversa miúda, tipo 'quem-sou-quem-és', que escrevo muito bem, sente-se uma atracção inconsciente entre os dois. lndicando aos espectadores os trémulos começos dum amor. De seguida, conflito! Adivinha-se pela música, quão plena de perigo é toda a situação. E agora a primeira permuta. O público engole em seco ao ver que foram enganados. As coisas não são o que parecem. De modo algum. Na verdade, a situação reverte-se por completo, o que envolve uma magnífica e engenhosa permuta... à permuta. Atônitos com o súbito desenrolar dos acontecimentos, o rapaz e a garota constatam o quanto estão errados. Nesse ponto, a música retoma um tom fatídico. Dão-se conta do perigo em que estão, e a perseguição começa! Derrapagens, telhados, figurinhas ao longe, correndo pela cidade aterrorizada. De súbito, num beco deserto, sentado numa lata de lixo, o pêlo emaranhado e molhado da chuva, e em primeiro plano, o gato! Ao aproximarmo-nos gradualmente do clímax, a música ascende. E ali&lt;/div&gt;&lt;div&gt;totalmente inconscientes da chuva torrencial que lhes cai em cima, caem, feliz e ternamente, nos braços um do outro. E, enquanto os espectadores se babam de prazer sexual subliminal, as duas enormes e exorbitantemente pagas cabeças aproximam-se para o inevitável momento final. O que agita o solo, paga a renda, enche cinemas, e vende pipocas... O beijo final.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON e SIMPSON beijam-se, sentados na escada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - A imagem desvanece. Fim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON a solta e levanta-se. SIMPSON permanece sem ação, surpresa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Aqui está. 138 páginas. Porquê mais longo? Teríamos de o cortar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Sim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - O roteiro, quando tem que estar acabado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Bem, vejamos, hoje é sexta-feira. O meu amigo, patrono e produtor, Sr. Alexander Meyerheim chega a Paris, de Cannes, às dez horas da manha de domingo. Que calha ser o Dia da Bastilha. Perfeito! Ás 10:01 damos-lhe o roteiro acabado e iremos celebrar. Beber champanhe, dançar nas ruas, fazer o que se faz a 14 de Julho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Muito amável, mas tenho um encontro. Ainda não escreveu nada?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Tem um encontro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - O filme inteiro tem que ser feito em dois dias?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Menina Simpson, se não está à altura, diga-mo já. Posso arranjar outra pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Não, não quis dizer isso. É apenas, bem, bastante invulgar, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Para mim, não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Mas tem pensado muito no filme?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Não, não tenho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Então, que tem feito?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - O que qualquer escritor de garra americano faria, ou deveria fazer, nas primeiras 19 e tal semanas da comissão. Esqui aquático em St. Tropez, apanhar sol em Antibes, estudar Grego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Grego?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Conheci uma aspirante a actriz, uma representante grega no festival de Cannes. E claro, umas semanas a desaprender Grego, o que envolveu carradas de vodka, uma ida imprevista às touradas de Madrid as quais, e felizmente, já que não suporto sangue, tinham seguido há muito para Sevilha. Nas semanas 17 e 18 estive no casino de Monte Carlo, a tentar, insensatamente, ganhar dinheiro suficiente para comprar o meu contrato, que vale $5.000 à semana, ao meu amigo, empregador e patrono, Sr. Alexander Meyerheim, para não ter de escrever o filme. Tome nota. Para o manual sobre guiões que um dia escreverei, nuncajogar no 13, 31 e cantos respectivos por muito tempo e com quantias consideráveis. não resulta. Agora, tenho de mostrar resultados. Comecemos? Uma produção de Alexander Meyerheim. Aspas, reticências. A garota Que Roubou A Torre Eiffel. Gosta do título?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sim, é intrigante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Também intrigou Meyerheim. Comprou-o, sem ver o roteiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON passa a ditar. SIMPSON anota.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - História e roteiro originais de RICHARD BENSON. Página um. Acção. Exterior. Paris, naturalmente. Vejamos, noite ou dia? Dia. Começa-se... com uma imagem... da Torre Eiffel. Primeiro plano. Numa plataforma, solitária e ao vento, está uma misteriosa mulher de negro. Olha para o relógio. E vemos... Como raio hei-de saber? Mulher misteriosa de negro. Como caem os poderosos! O filme não pode ser tão óbvio, não podemos dar todas as informações tão cedo. [pensando] Certo. "Início. Exterior - Dia do Sagrado Coração", escreva isto. "Grand Palais". Ah, devemos fazer a audiência sentir o gosto, o cheiro da verdadeira Paris. Certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT. - DIA - RUA EM FRENTE A CHRISTIAN DIOR&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Carro parando, motorista sai, abre a porta para mulher, que também sai do carro... Tal qual BENSON narra]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [off] "Exterior - Christian Dior. A câmera focaliza e agora vemos um Rolls-Royce parando ali." Espera um pouco, devemos colocar um... O motorista, todo de branco sai do carro e abre a porta. De dentro sai uma atriz belíssima, do tipo clássico como [pensando] Marlene Dietrich... e agora ela entra magistralmente na loja... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON, SIMPSON, MESMAS POSIÇÕES]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Essa é a última cena que temos dela. Mas não faz muito sentido, Alex teria adorado isso. Ele poderia [a Simpson] Como é mesmo o seu nome?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Gabrielle Simpson.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Há quanto tempo está morando em Paris?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Dois anos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - E veio aqui para escrever.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - É, para isso também. Mas eu vim para... [arremata sorridente] Eu vim para viver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Viver... [pausa para pegar um copo] Se não se importa... Você estava dizendo que veio aqui para viver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - É, passei os primeiros seis meses fazendo um estudo compreensivo sobre depravação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Está brincando?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sério. Jamais ia para cama antes das oito da manhã. Nem posso contar as inúmeras xícaras desse café preto e venenoso que eu devo ter consumido. Eu não bebia, então era mais difícil entrar no espírito da coisa. Realmente a depravação pode se tornar muito chata se você não fuma nem bebe, mas uma pessoa deve de fato tentar crescer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - E esse rapaz com quem você tem um encontro no Dia da Bastilha é parte do processo de crescimento?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ah, não, ele é só um amigo. É um jovem ator muito esforçado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Um ator?! Ah, o tipo de relação desastrosa para quem está começando. Eu só espero que ele não seja um desses atores metódicos que pula palavras, murmura e hesita bastante, destruindo o ritmo impecável da prosa do autor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ah, ele é um pouco dramático, mas muito engraçado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - E você e esse atorzinho... O que vão fazer no Dia da Bastilha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Vamos passar o dia inteiro juntos, começando pelo café da manhã na lanchonete que freqüentamos; depois vamos dançar de um extremo a outro de Paris; Ópera às cinco; vamos ver a troca da guarda, o canto da Marselhesa; vamos para Montmartre para um show de fogos com ceia e champanhe, enfim, viver!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Você realmente gosta disso...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - De que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ah, todas as manhãs, quando eu acordo e vejo que há um dia inteiro me esperando, eu viro uma caricatura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Pausa)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Eu tenho uma idéia, a primeira que eu tenho em quatro meses. Não, não é verdade. Há poucas semanas eu tive a idéia de abandonar a bebida, mas não emplaquei. Mas esta poderá ser ótima, muito boa mesmo. Uma estória simples sobre uma parisiense simples e trabalhadora e como ela passa o 4 de julho. Todo o filme se passa em um só dia. E eu tenho dois dias para escrevê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT - DIA - RUA LOTADA, PRÓXIMA A LANCHONETE&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [off] "exterior de Paris", nossa estória começa na manhã do Dia da Bastilha. E todos os trompetes de Paris estão soando. Acima de um plano do Arco do Triunfo superpõe-se "Produção de Alexander Meyerheim". Corta para a Torre Eiffel, título principal: "A Garota que Roubou a Torre Eiffel"; os trompetes continuam na inevitável música do título. Segue-se então a interminável lista dos outros créditos dando conhecimento dos esforços dos outros membros da equipe aos quais gentilmente agradeço no meu discurso na Academia de Cinema [letreiro: pessoa pequena] E, ao soar dos instrumentos: "Texto original e roteiro: Richard Benson. Início de cena: Uma simples trabalhadora parisiense que se parece muito com você, senhorita Simpson, surge vinda de uma simples moradia parisiense e atravessa a praça através da multidão. Senta-se à uma mesa nesta pequena lanchonete. Com uma ansiosa premonição, aguarda a chegada de seu namorado, um ator."&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[mesmas posições da cena 1]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Agora eu acho que devemos descrevê-lo. Eu o vejo como uma pessoa curiosamente pouco atraente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Não, não, ele é muito bonitão, aliás, ele é um pouco parecido com [expressão sonhadora] Tony Curtis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Eu o vejo como um desses sussurrantes e hesitantes atores destinados apenas a papéis menores em substituições a personagens importantes e seu nome não é Philip, é Maurício.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT - DIA SOL - LANCHONETE&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[A cena descrita por BENSON. PHILIP chega em sua motoca, desce e cumprimenta GABI. Atuações ainda mais exageradas, especialmente a de PHILIP, bem afetada]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Bom dia, neném.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Ai, querido, eu estou tão ansiosa que nem dormi um segundo a noite toda. Você gostou do meu vestido?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - [sem olhar para ela] É engraçadinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Eu gostaria de saber se você acha ruim se, no lugar de um café da manhã tomarmos um champanhe aqui mesmo antes de começarmos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Ah, escuta, nenê.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - O que é, Maurício?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Esse negócio de Dia da Bastilha... Vamos ter que esfriar esse negócio um pouquinho, entendeu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Mas, Maurício, eu não estou entendendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Escuta, veja bem, nenê, eu vou ter que cancelar. Veja o que aconteceu ontem à noite, quando eu estava fazendo uma cena na drogaria. Estava esperando por um expresso com um cara da cidade quando de repente esse cara de vanguarda entra e me diz que o seu nome é Roger Roussin e que ele está fazendo um filme sobre o Dia da Bastilha. [ainda mais afetado] "Não há dança nas ruas!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - "Não há dança nas ruas!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - No filme de Roger está chovendo... Não importa, ele me ofereceu a direção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Ah, Maurício, estou tão feliz por você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Nenê, eu vou ter que ir embora, estaremos gravando o dia todo dentro dos esgotos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Eu entendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Sabe o que é, eu estou motorizado, eu posso te levar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Não, obrigado, eu prefiro ir andando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Despedem-se]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Tchauzinho, tá. Até a próxima. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [off] Com um narcisismo quase lunático, peculiar à sua curiosa ocupação, Maurício, de maneira realmente afetada, monta na sua patinete motorizada. Nossa heroína é deixada angustiada e aflita e não percebe que agora sua condição é melhor do que a anterior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON, parando de escrever, comenta num misto de tristeza e sutil indignação]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Mas eles iam passar o dia inteiro juntos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Minha querida, você acaba de testemunhar a primeira mudança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Pode ser, mas Maurício jamais se comportaria assim. Além disso, o nome dele não é Maurício, é Philip.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [elegantemente ignorando-a] Agora então, tendo se livrado com sucesso de seu namorado no feriado da Bastilha, evoluímos para assuntos importantes: o conflito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Conflito?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Outro homem! A terceira posição obrigatória de um triângulo. O tal Rogê que você falou não te ensinou nada sobre roteiro de filmes?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Hmm...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - "Então, por um momento Gabi senta-se..."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [interrompendo-o] Gabi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Nós temos que chamá-la de algum nome. "Por um momento, Gabi senta-se ali. Uma figura solitária e patética. Mas sem que ela saiba, essa pequena cena de quebrar o coração foi testemunhada por... um misterioso desconhecido."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [entusiasticamente] Um misterioso desconhecido! Que excitante!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - srta. Simpson, antes que a senhorita deixe os confins deste despretensioso quarto de hotel, a minha intenção é mostrar-lhe como pode ser tão excitante um misterioso desconhecido, então eu suponho que tenhamos que descrevê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ah, sim, eu também acho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Ele é americano, é claro. Eu posso descrevê-lo melhor assim. [fica em frente a um espelho]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT - DIA - LANCHONETE&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON, ou melhor, Rick, está dançando animadamente com Gabi]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [off] Vejamos então o que mais. Eu o vejo como um homem realmente alto, bronzeado de sol, com um corpo tipo atlético, com um rosto severo, mas curiosamente sensível. [pausa] Pobre e triste criatura, não consegue imaginar que em poucos minutos ela e o público terão esquecido completamente esse bobo e estúpido Maurício ou Philip, ou seja, lá qual for seu nome. Nesse momento mágico, sua vida de fato começou. Ele a toma ternamente em seus braços e movendo-se com a graça e a agilidade um Fred Astaire, dança com ela através da multidão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Em exatamente dez segundos eu quero que você bata em meu rosto sem razão alguma para confiar em mim. Há alguma coisa sobre seus grandes olhos mágicos e eu sou... Bem, o nome não importa. Pense em mim como o número 1331 da Inteligência dos EUA.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - [desacreditando-o] Isso só pode ser brincadeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON entrega um buquê a ela]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Se olhar de leve para sua esquerda, sem mexer com a cabeça, você verá naquela janela [close em todos os espiões] No buquê de flores que eu acabo de lhe dar, há uma espécie de microfilme. Eu não posso lhe dizer o que é, é claro. Tudo o que posso lhe dizer é que se ele cair em mãos erradas, poderá significar o fim de nossa civilização atual. Chegou a hora de bater em mim o mais forte que puder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Ela o faz, a multidão começa a se dispersar, espiões se mostram, BENSON corre, enorme confusão.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Pare, pare! Espiões vestidos com sobretudos? Eu estou achando que me excedi, srta. Simpson. Volta tudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;&lt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXTERIOR - DIA, SOL - LANCHONETE&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [OFF] Certo, isso nos leva de volta onde estávamos. Estávamos bem na hora de nos vermos livres do namorado dela no feriado da Bastilha. O rapaz e a moça se encontram e dançam, dançam, dançam...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - E dançam, e dançam, e dançam... Sr. Benson?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Agora então o misterioso desconhecido... O que ele está fazendo? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Está tocando a campainha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [ignorando-a com a costumeira classe] Que tormento está causando esta profunda tristeza através de seus olhos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON levanta-se e vai atender a porta. É um telegrama. Ela o pega, agradece, fecha a porta e volta ao posto.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Por que enquanto ainda nos fazemos perguntas não escuto meu pai para aprender a fazer alguma coisa útil?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Chegou um telegrama. Você não vai abri-lo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Não, srta. Simpson, não vou abri-lo porque estou inteiramente crente do que ele diz. A razão pela qual eu sei o que ele diz é que nas últimas dezenove e meia semanas eu recebi 134 telegramas do senhor Alex Meyerheim e todos exatamente dizendo a mesma coisa. "Quando estará o texto do filme terminado?" Como é que ele espera que eu termine? Como é que ele espera que eu escreva se ele fica me chateando dessa maneira? Noite e dia, telegramas, mensagens, telefonemas! "Como foi o dia de hoje? Trabalhou bem?" Triiiimmmmm! "Quando é que o roteiro estará terminado?" Fala de homens usando sobretudo, me espiona sempre, seu pessoal está em todos os lugares. Pelo que eu sei você também pode ser um deles, hein?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [indignada] Sr. Benson!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Ah, me desculpe. Nesses dias eu tenho me sentido... Como é o nome dele, o de "Os Miseráveis"?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Jean Valjean.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Ah, acho que é isso mesmo. Foi ontem à noite mesmo. Ontem eu jurei a ele que tinha 138 páginas na mesa em minha frente. Eu disse-lhe: "Alex, qualquer homem que pegue seu dinheiro e diga a você que tem 138 páginas na mesa em sua frente é nada além de um mentiroso e um ladrão." [pausa] Algumas vezes eu sinto que ele não confia em mim. [pausa] Eu já sei quem é o misterioso desconhecido, é um mentiroso e um ladrão. Certamente, em dias passados François Vior, que vivia de sua habilidade do que podia roubar, um ladrão de jóias, talvez. Um especialista em arrombar cofres. Não há cofre no mundo que ele não consiga abrir. E em segundos, só com as mãos. Significa que devemos começar tudo novamente, embora não seja tão sério. Só temos até agora oito páginas. Vejamos, estamos bem com "Produções de Alexander Meyerheim" e "A garota que roubou a Torre Eiffel" "História original de Richard Benson", e podemos aproveitar o jazz do dia da Bastilha. Só que nesse momento não começamos com GABI e sim com... Rick.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Rick! Que nome excelente para um misterioso desconhecido!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Não fique opinando, comece a datilografar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT - DIA - PRAÇA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [V.O.] "Exterior - dia - Uma praça pitoresca. Entra um enorme grupo de festeiros barulhentos, a câmera focaliza um americano bem alto e muito bem bronzeado [ele mesmo]. Vamos colocar nele um tipo de roupa de mentiroso e ladrão, você sabe, várias sombras negras. Então, movendo-se com toda a graça de um gato selvagem, Rick aproxima-se da mesa onde Gabi está sendo repudiada por seu ator. Sua sobrenatural inteligência percebe a situação de uma só vez. Ele hesita. Se há uma única fissura na armadura de Rick é uma cara bonita. Ele finalmente decide e vai em direção à uma outra mesa onde dois habitantes do submundo estão esperando-o.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick senta-se à mesa onde eles estão.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS - Então, Rick, pensou sobre o assunto?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Digamos que eu andei considerando sua proposta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS - Trata-se de um plano extremamente simples e bonito. E aliás, muito original, bem fácil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Garçonete se aproxima com uma bandeja e, pondo o copo em cima da mesa]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GARÇONETE - Aqui está, sr. Rick.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[garçonete sai de cena.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS - Precisamos de você para somente duas coisas: para abrir o cofre e liberar a importância.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;OUTRO- Umas poucas horas de trabalho e para isso um milhão de dólares que vamos, evidentemente, dividir em três partes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Metade para mim e a outra metade a ser dividida entre vocês dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS- [indignado] Mas, Rick, você já havia concordado!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Senhores, é fato já conhecido que eu sou não só um excelente arrombador de cofres como também um mentiroso e um ladrão. Metade para mim e a outra metade a ser dividida entre vocês dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS- [V.O.] Muito bem, então, eu te pego com o carro às quatro horas. Até quatro horas então [levanta-se] Rick, resista de todas as formas a seu contínuo impulso de fazer o contrário do que deixamos combinado, sim. Nós dessa vez não seremos tão compreensivos como no ano passado em Tânger.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Aposentos de BENSON, ambos estão sentados na cama.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Agora, srta. Simpson, tendo estabelecido um clima de suspense, intriga e grande romance, chegamos mais uma vez a esse momento em que o rapaz e a moça se encontram. Precisamos agora de mais conflito. Um novo personagem talvez. Ah, encontrei! Sentado bem perto está o inimigo número 1 de Rick, o inspetor Gillet, da Força de Polícia Internacional. Parece que ele sabe alguma coisa que o público desconhece. E agora, srta. SIMPSON, que temos determinadas as bases do encaminhamento do enredo e temos inflamado o público com o desejo apaixonado de descobrir o que vem em seguida, eu não os culpo, eu estou louco para descobrir também, podemos fazer uma pausa por algumas páginas para um rápido bate-papo, para conhecer esse tipo de coisa que eu faço tão brilhantemente. A pergunta é: Onde essa cena tão charmosa deveria ocorrer?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-510505022658360004?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/510505022658360004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/510505022658360004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/07/quando-paris-alucina.html' title='QUANDO PARIS ALUCINA'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-7987441568441622739</id><published>2009-07-06T00:08:00.001-03:00</published><updated>2009-07-06T00:08:24.814-03:00</updated><title type='text'>cont.</title><content type='html'>&lt;div&gt;EXT - DIA - RESTAURANTE&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick e SIMPSON estão caminhando em direção à mesa.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [V.O.] Durante o almoço, isso mesmo. Ele a leva até um bonito restaurante para almoçarem no Bois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Isso é ridículo! Ela simplesmente não iria almoçar com uma pessoa que ela acabou de conhecer na praça. Ele é um... estranho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - srta. Simpson, ninguém é perfeito. Enquanto dançam, dançam, ele pergunta "Por que está triste, enquanto todos estão tão alegres?" e então uma sugestão do estranho misterioso: "Se você tentasse levantar pelo menos um pouco seu lábio superior, poderia ao menos criar a ilusão de um sorriso" [ela sorri desajeitadamente] essa maneira meio desastrosa de aliciá-la faz com que ele tenha agora de usar de todo o seu charme. Você sabe o significado da palavra serendipty?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON balança a cabeça em negativa]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - srta. Simpson, eu estou surpreso, essa palavra significa "abrir seus olhos a cada manhã e olhar para o novo dia que brilha e ficar absolutamente abobalhado".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Serendipty?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Você está inventando isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Não, serendipty é uma palavra verdadeira, ela de fato significa habilidade para descobrir o prazer, a excitação, a alegria em tudo o que acontece, não importando o quanto é inesperado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Serendipty.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Ele explica para ela o significado da palavra de modo mais fascinante que eu e, no momento certo, propõe que eles tenham um maravilhoso almoço no Bois. Ela fica tentada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Claro que está, mas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - srta. Simpson, ele não está pedindo a ela que passe um fim de semana com ele em um motel num Bosque de Bolonha, ele a está convidando para um almoço. Você não acha que, se ele fosse terrivelmente charmoso, ela iria?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Bem...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Serendipty!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Bem, talvez ela vá, mas se ele prometer que isso não vai passar de um almoço, absolutamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Ele promete. A não ser, é claro, que ele consiga pensar numa coisa que ela queira fazer depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ela não vai querer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Sério? Está bem. Então ele chama uma charrete e eles vão a direção ao bosque, combinado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Combinado, mas agora vamos escrever isso tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - De modo algum, a audiência está muito à nossa frente. Eles souberam que ela iria almoçar com ele há uma hora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Mas como tiramos eles da praça com todo esse charme, serendipty e todas essas coisas que faz tão bem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - No negócio de cinema nós dispomos de uma técnica que cuida exatamente desse tipo de situação: a dissolução. Há muitos anos, o público vem sendo condicionado a entender que, quando uma cena desaparece como um velho soldado em frente de seus olhos e uma outra cena aparece gradativamente para tomar seu lugar, um certo período de tempo passou. Então, srta. Simpson, nós dissolvemos, dissolvemos muito lentamente em direção ao Bois. Uma charrete elegante levando nosso elegante par vai abrindo caminho por entre as quedas d'água e arvores até o magnífico restaurante. Veja, srta. Simpson, como inteligentemente eu vou tocar o nosso suspense melodramático de encontro a um ambiente de feriado que revela uma alegre Paris. Vamos poupar o público de ter que ouvir páginas e mais páginas de conversa chata e vamos diretamente ao âmago da questão, pelo simples uso do recurso que eu acabo de te explicar, a dissolução.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT. - RESTAURANTE, DIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gabi e Rick dançando]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Quem é você e o que você faz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Quem sou eu e o que faço... Não sou ninguém e fiz tudo e nada. Dirigi carros de corrida, cacei por uns tempos, toquei piano em um curioso estabelecimento em Buenos Aires, isso e aquilo, tudo e nada. É o destino inevitável de quem nasceu rico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Ah, eu entendo muito que quer dizer, sobre o destino daqueles que nasceram ricos. Por essa razão, eu saí do Castelo e vim para Paris, para viver. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - O Castelo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Temos casas pelo mundo inteiro, evidentemente. Mas a minha favorita é a de verão em Dorwill, com meu zoológico particular. Quando eu era criancinha, nas manhãs de domingo, dependendo do meu comportamento, me era permitido dar alimento às girafas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - [surpreso] Girafas! Não me diga que você também tinha girafas!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Quer dizer que você teve?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Mas é claro que tinha!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Que gracinha, nós dois tivemos girafinhas quando éramos crianças. O mundo é tão pequeno...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolve. Brinde]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ao Rick.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - A Gabi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GARÇON - Se eu puder ajudar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Ah, pode deixar, eu prefiro escolher. Teremos finíssimas fatias de presunto cuidadosamente enroladas em volta de fatias de melão da Pérsia; a seguir, uma porção de linguado levemente passado em champanhe e manteiga. Para acompanhar, uma garrafa de...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Pouilly-Fuissé.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Pouilly-Fuissé serve. Queremos um chateaubriant para dois. Prepare esse para quatro, tostado e dourado e ainda bem passado por fora e bem cru por dentro. E com a filé teremos aspargos claros e uma garrafa de Château Lafite Rothschild 47 e para a sobremesa, uma enorme porção de framboesas silvestres.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [intrometendo-se no bocal do telefone] Servidas obviamente com um creme tão denso que você deve servi-lo com uma pá mecânica, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Você escutou a senhorita, e faça tudo rapidamente, estamos morrendo de fome. [desliga o telefone, a ela] Então, enquanto aguardamos as lâminas de fatias de presunto cuidadosamente enroladas em volta de fatias de melão da Pérsia; a seguir, uma porção de linguado levemente passado em champanhe e manteiga...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Pára, por favor, eu não agüento mais. Você acha mesmo que eles vão preparar o linguado em champanhe e manteiga?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Acho. Em todo caso, enquanto aguardamos, eu imagino que a graciosa senhorita Gabrielle Simpson vai querer acompanhar o talentoso Richard Benson em um leve aperitivo seco. Eu acho que ele está merecendo, acho que os dois estão merecendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Está bem, acho que seria ótimo. Sabe, a princípio eu não gostava do Rick, mas ele está começando a ficar interessante. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolve. Mostra a mesa desarrumada, os pratos e copos vazios e sujos. SIMPSON está sentada como se estivesse empanzinada.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Você dizia que o Rick está começando a ficar interessante?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ah, sim, muito atraente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Importante a reação do público feminino. Muito bem, o almoço está terminado, os mártinis, os dois tipos diferentes de vinho e o brandy fizeram seu efeito. Um glorioso e emocionante sonho está nascendo entre eles. As páginas, senhorita Simpson, essas que acabamos de narrar com nossa conversa gloriosa. Aqui você vai perceber, como anunciado na discussão de hoje cedo, a abertura, uma série de planos de fotografia muito interessantes e o rapaz e a moça, se é que um desconhecido misterioso de meia-idade pode ser chamado de rapaz, encontram-se...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [interrompendo-o] Nós não somos de meia-idade, Sr. Benson. Acho até que somos muito bem conservados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Compreendo que isso me envaidece como nunca, srta. Simpson, entretanto, só para continuar, as páginas 8, 9 e 10 de um romântico bate-papo...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - O senhor faz isso tão bem...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Muito obrigado, srta. Simpson. Então, você já pode perceber a atração inconsciente entre os dois, os inícios trêmulos do amor. Veja como é fácil quando se tem conhecimento profissional e experiência a seu favor, srta. Simpson, eu não acredito que saiba, mas a vida de um escritor é terrivelmente solitária.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson, já tem alguma idéia do que vai acontecer em seguida?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Você tem, srta. Simpson, alguma idéia do que vai acontecer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Não. Devemos nos lembrar que apesar de ele ser terrivelmente charmoso é também um ladrão e mentiroso, está escrito aqui...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON tenta beijar-lhe o pescoço, mas ela distraidamente dá um salto, sorridente]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson, eu já sei o que acontece em seguida! O que acontece em seguida é a segunda mudança. A audiência fica sem ar quando constata que foi enganada. Ele a está alimentando com mártinis, vinho branco, tinto, brandy, por uma única razão: fazê-la ficar bêbada! [cambaleando] O que, aliás, ela não está nem um pouquinho, não importa o que ele pense. Então, enquanto ele força um último brandy em seus lábios em desejo... Pobre menina ingênua! Foi chamada e atraída pela idéia de que estaria a salvo nas mãos desse americano elegante e bronzeado. Ai, meu Deus! As coisas não são como parecem ser, não são mesmo. A música torna-se ameaçadora, o misterioso desconhecido...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON morde-lhe de leve o pescoço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Quem é ele? Como ele é realmente? Como? E por que ele fica mordendo o pescoço dela o tempo todo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - CAVERNA ARTIFICIAL&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON e SIMPSON estão adentrando a caverna. Um morcego surge, ela grita escandalosamente]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Não fique assustada, minha querida, é só um morcego. As criaturas da noite são amigas minhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Ela grita, agora assustada por conta dele, que começa a persegui-la]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Agora eu sei porque você insiste em morder meu pescoço, você é algum tipo de lobo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Não, não, minha querida, eu sou um vampiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON grita ainda mais alto e aperta o passo. Ambos o fazem.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - O interior dessas cavernas é o lugar ideal para o meu laboratório.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [OFF] Há alguma coisa sob esses olhos, ainda que sejam bem avermelhados. A vida de um vampiro deve ser muito solitária. Mas não! Não foi por acaso que ela fez um estudo sobre depravação. Suponho que hajam moças que deixam que um vampiro sugue seus pescoços no primeiro encontro, mas não a nossa Gabi. Ela consegue livra-se de seu controle e a perseguição começa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON sai da caverna, atravessa o parque perseguida por BENSON. Dois índios percebem, a perseguição.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ÍNDIO- Você é pele vermelha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Sou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ÍNDIO - Eu também sou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Toca aqui, camarada! E, nesse meio tempo, Rick captura Gabi.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON está deitado no sofá, dormindo. SIMPSON, está falando entusiasticamente]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Ele a pegou, ele a pegou. Não, Gabi, você não pode desistir agora. Você conseguiu brigar com ele nas cavernas, brigou com ele nas planícies. É isso! Nas planícies! Aviões, perseguição aérea. O rosto dela denota terror! Sr. Benson, Sr. Benson! [acordando-o] Ela o matou! [chorando]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [abraçando-a] Ora, ora, srta. Simpson, está tudo bem. Isso deve ser dito em sua defesa, você bebeu demais. De qualquer maneira, ele provocou isso, alimentando-a com essa intoxicante bebida, deixando-a bêbada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - O que, aliás, não está nem um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - É claro que não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Mas quando eu penso naquele pobrezinho daquele cavalo, apanhando com aquele chicote terrível. Pensando bem, acho que ela teve uma parcela de culpa em tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Que foi que disse?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Não importa o que ele ia fazer com ela. Eu não entendo por que eu estava fazendo tanta confusão. Ele não se parecia com um tipo de vampiro, não. Eu acho até que ele era muito atraente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Srta. Simpson, eu acho que seria uma excelente idéia se fosse para a cama dormir um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Mas e o senhor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Eu vou pensar. Agora, tenha a bondade de recolher-se e deitar-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Bom, talvez se eu dormir algumas horas... Mas e se o senhor tiver alguma idéia e eu sei que o senhor vai ter, prometa que vai me acordar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Combinado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Promete?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Prometo. Boa noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON sobe a escada e sai de cena. BENSON caminha até o telefone e tira-o do gancho.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Telefonista, eu queria uma chamada para o sr. Alex Meyerheim em Cannes. Bem, como é 1h30, você deve encontrá-lo no cassino. Benson, Richard. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TELEFONISTA- [V.O.] BENSON chamando. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Estou aguardando. [começa a datilografar] "Caro Alex, é meu desagradável dever informar-lhe que 'A garota que Roubou a Torre Eiffel' não irá acontecer. Não há sentido em você vir até Paris para ler o texto porque não há texto. E, como eu posso perceber, não haverá nenhum." Telefonista, por favor, tente achá-lo na sala de jogos, na mesa maior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON surge, de camisola, para pegar a capa da gaiola do pássaro, deixando BENSON levemente inebriado com sua presença.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Me desculpe, eu esqueci de cobrir Richelieu. Ah, Sr. Benson...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolve.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON enfileira papéis pela sala de forma ordenada. SIMPSON surge e o observa.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - E eles dançam e dançam e dançam.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Infelizmente, srta. Simpson, não estamos fazendo um musical.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson, o senhor redigiu todas essas páginas ontem à noite, tudo sozinho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Enquanto uns de nos dormia confortavelmente em suas camas, outros cidadãos mais produtivos trabalhavam extenuadamente no campo das belas artes. Eu só me ressinto que você, a jovem escritora, não estivesse presente para observar com seus grandes olhos mágicos um profissional da antiga em ação. Nessas altas horas eu fui como DiMaggio voltando e voltando e voltando para fazer um ponto. [acerta uma bolinha de papel no cesto de lixo] Eu fui um grande Moretti em Sevilha indo com seus chifres para espetar o inimigo e perdendo, graças a Deus, porque eu não suporto ver sangue. Enfim, Pablo Picasso adicionando cegamente o terceiro olho ao retrato de sua amada. Como é que se soletra "ingênua"?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - I-N-G-Ê-N-U-A.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Eu estava com medo disso. Além dos três metros e meio de páginas que eu escrevi ontem à noite, eu descobri alguns erros nas páginas iniciais que tiveram de ser corrigidos. Relativos basicamente ao personagem Rick. Descobri que, num momento de insegurança, subestimei o brilhantismo desse homem. Ele não é só um arrombador de cofres, mas um mestre do crime procurado pela polícia de três continentes. O intrincado esquema foi dolorosamente arquitetado passo-a-passo durante um ano pelo próprio Rick. Os dois outros personagens são subalternos, então, isso nos remete a onde estávamos. A essa hora, Rick e Gabi já haviam devorado um maravilhoso almoço e já são quase 4 horas, momento da chegada do carro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Página 14.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Agora sente-se [ela senta-se] e segure-se bem. Agora vem a troca da troca. Em um minuto e meio você e o público ficarão chocados ao perceberem que foram enganados. As coisas não são como aparentam ser, não mesmo. De fato, a atuação como um todo é completamente revestida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [maravilhada] Sr. Benson.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Srta. Simpson, não fique ai sentada me observando em muda adoração, leia o texto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [em voz alta] "Rick e Gabi estão sentados com os copos de brandy à sua frente, os grandes olhos mágicos dela estão radiantes."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT. DIA - RESTAURANTE&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Não me recordo de ter tido um almoço tão maravilhoso! Não sei como agradecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Por favor.. e agora, se me permite, vou lhe contar os planos para o resto da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - O resto da tarde?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Exatamente. Eu pedi que meu carro com o chofer estivesse aqui às quatro horas para fazer um tour por Paris e vermos as festividades. Uma parada rápida no meu escritório para pegar um negócio e então direto à festa que está sendo organizada em minha honra no restaurante da Torre Eiffel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Garçom surge.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GARÇOM- Com licença, o senhor é o Rick?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GARÇOM- Ah,o seu chofer está aqui. Ele disse que tem uma importante mensagem para o senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Ah, obrigado. [a Gabi] Um instantinho, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick caminha até o carro, François espera]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS- São quase quatro horas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Eu sei, eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS- O que é que há? Você ficou maluco, é? Trazer uma garota conosco num trabalho como esse, rapaz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - No nosso acordo, meu caro François, é suposto que você dirija e eu planeje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS- Mas... é que... Pra que você precisa de uma garota nesse trabalho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - A habilidade para improvisar com brilhantismo num momento de crise é uma das razões porque eu sou um profissional bem sucedido. Se olhar para sua esquerda, bem atrás de forma mais casual possível, [François vira-se e o vê. Close em Gillet] você vai ver o inseto Gillet tentando estupidamente se esconder atrás do jornal de ontem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS- O que estará fazendo em Paris? Você acha que ele suspeita de alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - É claro que não. Eu sempre estou um passo a frente dele. Por que acha que eu peguei a garota?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;FRANÇOIS- Bom, por causa daqueles grandes olhos mágicos, por isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Por isso também, mas o fato é que eu a peguei para colocar nosso inspetor fora de cena. Nunca em sua vasta imaginação ele vai pensar que o bem pago e bem sucedido Rick seria tão bobo de levar uma jovem com ele num trabalho, entretanto é exatamente o que eu vou fazer. Ela é um álibi perfeito. Eu o vejo no carro em um minuto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick vai até a mesa onde Gabi o espera e paga o almoço. Ela acaba de guardar o batom em sua bolsa. Caminham ambos em direção a mesa onde Gillet tentava se esconder.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Meu caro Gillet, nossos caminhos se cruzam novamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- Meu caro Rick, que extraordinária coincidência!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gabi chega até eles]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - [a ela] Meu amigo, sr. Gillet, ele é curiosamente um dos meus associados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Gabi estende sua mão em silêncio a ele, que a beija ao mesmo tempo em que o guardanapo cai no chão. Ela o pega e o entrega a ele.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- Encantado. Qualquer amigo de Rick é também amigo meu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Ah, por favor, sente-se e desfrute seu almoço. E tome muito cuidado com as calorias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick e Gabi se despedem e vão até o carro. Entram enquanto Gillet os observa e sorri confiante. Philip fica de pé à frente da mesa de Gillet, de costas para a câmera]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- Esse momento merece ser saboreado. Por três longos anos venho esperando e agora finalmente o brilhante e bem pago profissional caiu na armadilha, hêhê. O que não sabe o pobre Rick é que a garota é nossa. Você tem certeza de que ele não suspeitou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - [indo para o lado de Gillet] Inspetor, a minha imitação de ator metódico foi impecável. Eu representei o papel internamente, claro, indicando todos os elementos básicos desse profundo e quase lunático narcisismo. A falta de delicadeza pessoal, o vocabulário falho... [sentando-se] Puxa, foi... Não houve falhas, eu fui brilhante. Eu cheguei numa motocicleta vestindo umas calças desbotadas, óculos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- [interrompendo-o] Eu te imploro, meu caro Philip, por favor, não se deixe levar por tanto orgulho. Deixe-me lembrá-lo que você não é o astro desse drama, mas um personagem de suporte e muito sem importância, diga-se. Se a vida, como o teatro, viesse unida de um programa, a sua referência bem embaixo da planilha em letras miúdas, seria simplesmente "segundo policial". Como eu estava dizendo, o que ele não sabe é que a garota é nossa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Mas será ela confiável? Uma criatura de rua com um gravador de polícia tão grande quanto seu braço?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- Nada acontecerá de errado, meu caro Philip. Existe uma pequena fissura na armadura de Rick: um bonito rosto. De uma maneira ou de outra, usando seu talento, a garota vai extrair dele o detalhe do plano, muito importante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - O plano... Mas, eles não deveriam ser seguidos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- Não teria sentido. Rick é um mestre nas ruas de Paris, não há um policial vivo que consiga ficar na sua pista se quiser driblá-lo. Não, ficarei aqui e farei um ótimo almoço, todo cozinhado é claro, neste notável óleo emagrecedor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Maravilhoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- Eventualmente, tendo sucedido meu almoço com alguns digestivos e uma rápida caminhada, reencontrarei meu amigo à noite para o clímax dessa aventura na... [abre o guardanapo que ela lhe dera]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Torre Eiffel! Brilhante, inspetor, brilhante!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT/ EXT - DIA - CARRO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[PG da avenida, do carro. Plano interno. Rick e Gabi estão o banco de trás. Aparece apenas o ombro de François.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Para o estúdio, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Estúdio?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Eu já lhe disse, eu tenho que parar um momento em meu trabalho para pegar uma coisa. Você já esteve antes num estúdio de cinema?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Não. Você trabalha com cinema?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - De certa forma, sim. O estúdio é particularmente maravilhoso em dia de feriado. Vazio. Enormes palcos completamente desertos, como a véspera do Natal, sem nenhuma pessoa em ação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Externa. Plano geral do portão abrindo e o carro adentrando a propriedade. Gabi e Rick sai do carro e diz ao motorista]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Espere aqui, eu não vou demorar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolve. Reaparecem num dos estúdios. Gabi perambulando, encantada. Rick está perto de um cofre]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Ah, que simpático. Eu não entendo, você é ator, escritor, produtor, diretor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Nada tão criativo quanto essas profissões. Meu interesse no cinema é puramente financeiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Puxa, nem sei como dizer como é excitante para mim, eu simplesmente adoro cinema. Não esses filmes terríveis de vanguarda onde nada acontece, é claro. Eu gosto é de westerns, bons filmes fora de moda, com grandes viradas e viradas das viradas, essas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Você tem uma lixa fina na sua bolsa? Qualquer coisa para afiar as unhas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - [mexe na bolsa] Acho que sim. [entrega a lixa a ele]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Muito obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Eu gosto mesmo é de roubos bem complicados, você não gosta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Absolutamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Eu sei que pode parecer infantil, mas é que depois de filmes de assaltos, acho que prefiro filmes de terror. Não vai acreditar, mas quando eu era menina, era apaixonada pelo Drácula. Minha mãe ficava tão chateada. Ela ficava me achando doente, sabe? Costumava dizer: "Esse vampiro tem idade suficiente para ser seu pai, menina!" Aliás, eles se parecem muito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - [fechando o cofre] Estou satisfeito. Não que seu pai se pareça com o Drácula.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Ah, mas ele se parecia. Não depois de colocar os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Mas então se interessa por filmes, assim temos duas coisas em comum: cinema e girafas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Girafas e cinema. É um mundo pequeno, não acha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick vê o rádio que ela deixa transparecer, por descuido. Ele tenta pegar o rádio]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Me deixe ver isso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Não, não, por favor, está me machucando...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - O batom! Esteve escrevendo com ele! O guardanapo que deu a Gillet, o que havia nele? [começam a correr em círculos] O que havia nele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[B.G.: de ação/ Continua a perseguição por dentro do estúdio, até que chegam a OUTRO CENÁRIO, onde Rick encurrala Gabi. Ela lhe aponta um revólver]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Pare, Rick! Eu vou atirar, juro que vou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Mesmas posições]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson, o que acontece depois?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Não sei, não sei, eu só cheguei até aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson, sabe o que eu acho? Eu acho que vai haver uma outra troca da troca da troca da troca da troca da troca... Eu pensei que gostasse de fazer cinema, mas quando eu trabalhei com Todd Russell, nunca foi assim. Eu me pergunto sobre essas viradas de troca, de troca, de troca eu acho que ele não conhecia, não. Isso teria mudado toda a sua concepção de vida. De repente, eles não estariam só jogando um jogo de palavras, bem como outros jogos. Eu devo admitir, a mente dá voltas. Entretanto, você sabe o que eu acho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Eu sei. Você acha que ela não é realmente uma garota de rua com um gravador de polícia tão grande quanto seu braço. Você acha que ela é agente da Inteligência Americana. Bem, srta. Simpson, acontece que está enganada. A nossa Gabi parece ser um personagem da Literatura popular o mais confiável e leal e que você realmente não pode deixar de colocar, mesmo que escreva mal. A prostituta com um coração de ouro. Não, isto realmente você não pode deixar de fazer. O melhor é o Frankestein. Com certeza, alguém que cria ou refaz outro humano e ainda cai de amores por ele ou o destrói. Ele pode ir para ambos os lados, isso é o que lhe dá tanta flexibilidade. srta. Simpson, já percebeu que "Frankeinstein" e "My Fair Lady" são a mesma estória? Uma termina alegremente e a outra, não. Pense sobre isso por um instante. [chegando perto dela] Seu cheiro está maravilhoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - É o óleo de banho. Quando tomei banho hoje de manhã eu botei um pouco de óleo de banho. Só umas gotinhas, é claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - E eu agradeço muito por isso, por beneficiar a nós dois. Onde nós estávamos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[SIMPSON levanta-se bruscamente]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Bang, bang, bang. Nós estávamos aqui, ou melhor, o senhor estava aqui. Ela estava em pé com a arma na mão e ele ia em direção a ela. Eu não entendo como "My Fair Lady" e "Frankenstein" são a mesa coisa. [pensando] Ah, eu entendo sim. O professor Higgins criou Eliza e o Dr. Frankenstein criou o monstro. É claro, é evidente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Mas não diga a ninguém, estou guardando para um livro sobre a arte do cinema. Ele a caçou pela selva e tudo o mais e blablablá e passada a banheira e... Se pensa que vai ver um filme de Richard Benson sem uma banheira, você está fora de si. E dentro do quarto, ela puxa a arma e blablablá blablablá,e a menina querida, de grandes olhos mágicos, de banho de óleo perfumado é onde estamos. Lentamente Rick continua em sua direção...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4631402428644342472-7987441568441622739?l=roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/7987441568441622739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4631402428644342472/posts/default/7987441568441622739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://roteiroscinematograficoserrimos.blogspot.com/2009/07/cont_06.html' title='cont.'/><author><name>Giselly Grix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11474740009381783009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://2.bp.blogspot.com/_-XDnoxDWXo8/SOIWwC0FrEI/AAAAAAAAAA4/mSa647Xn5IE/S220/carregando+(pequeno).jpeg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4631402428644342472.post-3579686217302105043</id><published>2009-07-06T00:07:00.001-03:00</published><updated>2009-07-06T00:07:57.146-03:00</updated><title type='text'>cont.</title><content type='html'>&lt;div&gt;INT. DIA - DORMIT.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Posições idênticas às da cena. Rick está se aproximando dela, mexendo no bolso]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Vá em frente, puxe o gatilho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Não procure sua arma, estou avisando!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Cigarro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - [pegando um] Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Fogo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Cada um pega um isqueiro e acende o cigarro do outro. ela senta-se na cama]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Rick, se importa de tirar meus sapatos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - [tirando-lhe os sapatos] Então, minha Gabi de grandes olhos mágicos, que veio a Paris para viver, virou espiã da policia, uma informante, uma pombinha comum informante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Claro que não, não diga isso. É esse terrível Gillet, ah, como eu o detesto! Ele é persistente, não vai desistir até derrotar você. Jamais se perdoará pelo que aconteceu em Tânger ou no ano passado em Hong Kong. Você é a obsessão dele. Ele é o gordo e enlouquecido gatão Ahab procurando você, sua Moby Dick, sua baleia branca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - E você é...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Eu? Eu não sou nada. Sou uma criatura com um gravador de polícia tão grande quanto meu braço. Ele me liberou da prisão só por isso. para ser a deliciosa e irresistível isca no fim da uma armadilha preparada por ele. Se eu não conseguir extrair de você esse plano que você preparou passo-a-passo dolorosamente no último ano, minha vida está terminada. Estarei de volta atrás das grades, aprisionada com aquele uniforme horroroso. Não serei mais Gabrielle, nem Gabi, mas simplesmente um número. Mas se eu conseguir...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Se você conseguir...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Estarei livre!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - O que exatamente você deve fazer para extrair este plano?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Qualquer coisa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Qualquer coisa, não tão difícil assim. Eu também tenho meus métodos, é claro, eu sou uma profissional bem paga, não tão bem paga como você, talvez, mas uma profissional. Somos dois tipos diferentes, Rick, não há razão para sermos inimigos, podemos talvez até ser amiguinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Talvez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[B.G. romântico. Eles se beijam.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [V.O.] Seus dois corpos agora se movendo como um rolo que se quebra ao bater em um longínquo alto-mar, e tão lentamente e relutantes, nós dissolvemos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolução]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Graças.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Exatamente, srta. Simpson, bem dito. Você pode ainda acrescentar "Graças aos céus"... Qual é o problema, você não gosta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Bem, eu gosto, mas... Vai poder manter essa cena?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Manter a cena? Mas que cena?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Essa cena com eles nessa posição na cama, é muito sugestiva. Não acha que a censura vai cortar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Como é que eles podem fazer cortes, nós dissolvemos, não foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Srta. Simpson, como eu disse antes, a dissolução é a tática mais útil: não só o leva de um lugar para o outro, mas também deixa o que está acontecendo na tela para a imaginação. Agora, se eu fosse você, srta. Simpson, eu pararia de ir a esses teatros de arte e começaria a ver bons e familiares filmes americanos típicos. Não sei o que você ou os censores pensam que eles farão naquela cama, mas eu mantenho a firme posição de que eles vão jogar algum jogo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolve.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;CENÁRIO DORMIT. - INT. DIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Tem um jogo de tabuleiro no centro da cama, onde RICK E GABI estão jogando]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Eu me diverti tanto com nosso joguinho, mas já são quase oito e meia, momento para o clímax do nosso dia glorioso. Devemos sair.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Sair para onde?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Você sabe perfeitamente para onde. Para a festa à fantasia da Torre Eiffel, para terminar o trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Não, Rick, você não deve ir. Deve desistir do plano, seja ele qual for. Gillet estará lá e o lugar será todo cercado pela polícia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Gillet estava em Tânger no ano passado, a cidade inteira foi cercada pela polícia, então se me dá licença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Para onde você está indo, Rick?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Para o guarda-roupas para encontrar alguma roupa que possamos usar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick vai até o carro, volta com umas roupas. Gabi está dentro da banheira, cheia de espuma]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Ai, que gostoso! Eu sempre tenho um pouco de espuma para banho na minha bolsa. Eu vou ficar por aqui nadando. Olá, desconhecido!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Você deve ser a nova professora. Eu detesto apressá-la, mas está ficando tarde. Quanto tempo ainda precisa para sair dessa banheira, vestir uma fantasia e entrar no carro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Absolutamente nem um minuto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolve]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT/EXT - NOITE - CARRO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Mesmas posições]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - E agora, de acordo com nosso plano-mestre, chegou a hora de dar o passo mais perigoso de todos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - É, Rick?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Eu preciso confiar em você e lhe contar os detalhes. Posso confiar em você, não é, Gabi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Você ainda pergunta, Rick? Depois do nosso joguinho hoje à tarde eu sou sua para sempre, para sempre, para sempre!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Eu posso confiar em você, Gabi. Na mala desse carro existem 28 latas de filme. A festa na Torre Eiffel está sendo dada pelo produtor do filme.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Pode me contar o plano em um minuto, Rick. É um longo percurso até a Torre Eiffel, e o tráfego está péssimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[dissolve]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT - DIA - QUARTO HOTEL BENSON&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[BENSON e SIMPSON estão se beijando, mesma posição que Rick e Gabi. Sem se desgrudarem, ela se levanta, ele pega a maquia de escrever e se deitam na cama mais próxima]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Sr. Benson...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - Rick.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - Gabi, talvez... mas e não sou esse tipo de garota. Ah, eu detesto garotas que falam assim... [ele continua, ela derrete-se] Ai, meu Deus... talvez eu seja esse tipo de garota, sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Dissolve.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT/ EXT - NOITE - CARRO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Panorâmica vertical, de cima para baixo, da Torre Eiffel. Carro estaciona.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [V.O.] "Exterior, Torre Eiffel, à noite. Rick e Gabi estão andando de carro, e vão indo, vão indo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [V.O.] Através de todo esse maravilhoso tráfego.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [V.O.] A Torre está iluminada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [V.O.] Rick, como é que eu posso datilografar se você está...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [V.O.] está bom, está bom... A torre está iluminada e o chofer que dirige a limusine t chegando. Como é que eu posso ditar se você está...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SIMPSON - [V.O.] Confie em mim, querido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[cenário da festa.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BENSON - [V.O.] Eu confio, vamos. Agora, querida, Rick e Gabi entram no elevador que os levará e a todos nós até o inevitável cenário da festa, tão querido nos corações dos produtores de cinema por toda parte. É verão e a vida é doce. O café-da-manhã é na Tiffany's e todos estão meio altos. Então, tendo o diretor distraído a audiência com essas estranhas vinhetas, relutante ele volta ao enredo, um novo personagem, o produtor, o anfitrião e vítima, que se parece muitíssimo com meu produtor e vítima, sr. Alexander Meyerheim. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick e Gabi estão dançando animadamente]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Se você olhar casualmente para sua esquerda, bem atrás de você, verá o idiota do Guillet, vestido muito apropriadamente como u carrasco. Você está pronta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Pronta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Um instantinho, por favor, querida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick se desvencilha de Gabi e ela vai dançar e conversar com Gillet]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUILLET- Está atrasada!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Mentira, Gillet. Tudo está acontecendo precisamente de acordo com o planejado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUILLET- E o plano, você o tem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Claro. Embora não esteja sendo muito bem paga, eu sou uma profissional.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GILLET- Que foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Se fosse gentil em ler isso, eu acredito que toda a situação ficaria imediatamente esclarecida. Nesse exato momento ele está entregando a mensagem de resgate.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUILLET- A mensagem de resgate?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Exatamente. Ele guarda na mala do carro 28 carretéis de filmes. Eles são o negativo e único trabalho impresso do produtor que acabou de completar seis milhões de dólares com o espetáculo "A garota que roubou a Torre Eiffel".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. NOITE - FESTA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick e o produtor, conversando]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PRODUTOR- Tem certeza de que você tem ambos o negativo e a cópia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Absoluta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PRODUTOR- E é sua intenção verdadeira destruí-lo? Tem certeza?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - A não ser que você me dê a chave de seu cofre de banco em Casablanca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PRODUTOR - [beijando-o] Meu jovem rapazinho, eu não tenho a menor idéia de quem você é, mas você é maravilhoso. Absolutamente maravilhoso! E não é só isso, não. Você acaba de salvar minha vida. "a garota que roubou a Torre Eiffel" é francamente um desastre. E o título, aliás, é simbólico, ela não a rouba, eu não acredito que o faça. Mas o filme é tão confuso que é difícil cortar. De qualquer forma, o roteiro é tão ruim que jamais poderia ser exibido. Está acabado. Festa de hoje foi planejada como um gesto final de despedida, como o último canto do pássaro. À meia-noite, quando a conta fosse apresentada, eu planejava assiná-la, acrescentar uma extravagante e imaginária gorjeta e então, enquanto os fogos estivessem explodindo num negro e aveludado céu, jogar-me-ia do topo desse prédio grotesco agora, assim de repente, n último minuto, num momento critico e não me diga que não existe alguém lá em cima cuidando de um dos vários produtores de cinema, você aparece. Não posso acreditar! Se você me jurar que irá destruir esse filme e tudo o mais ligado a ele, eu não só lhe dou a chave do banco em Casablanca, mas dividimos o seguro. 60 a 40. Que que você me diz, hein?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - 50 a 50.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PRODUTOR - Meu rapaz, meu caro rapaz, se algum dia você pensar em entrar no negócio de cinema, não hesite em me procurar. Eu procurei por um parceiro como você durante toda a minha vida. Nós nos entendemos perfeitamente bem. É tão bonito... Um rosto marcado, mas curiosamente sensível, tão bonito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;INT. NOITE - FESTA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[mesmas posições]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Seu avião está esperando no aeroporto Le Bouget, o piloto já deve estar até esquentando o motor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUILLET- Boa menina. Amanhã mesmo sua ficha na polícia vai desaparecer e tão misteriosamente que ficará livre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Obrigada, Gillet. [aponta uma arma para ele] E agora, meu querido, espero que seja gentil e vá casualmente dançando pelo salão até nós sairmos daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUILLET- Sua boba! Ele está te usando como fez com aquela pobre infeliz no ano passado em Tânger.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Continue dançando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUILLET- Deveria ter notado, deveria ter percebido que este homem é irresistível para as mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GABI - Ele é, querido. Continue dançando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;GUILLET- Sua boba, grande boba.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[saem dançando animadamente, a arma apontada para Gillet]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EXT - NOITE - RUA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Philip de pé, perto do carro, falando sozinho.]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Trabalhei esta questão com meu analista. Eu não odeio realmente meu inspetor sr. Gillet, eu sinto muita pena dele. Ele insiste em projetar a si próprio no elenco de astros e me relegar a uma posição inferior. Me põe esperando do lado de fora da torre Eiffel. OK. Me põe dizendo frases como "Brilhante, inspetor, brilhante!" ou então "Eu estou com o carro bem aqui, senhor".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[Rick e Gabi surgem. Rick mudou de fantasia, agora está com a que usava o inspetor]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Maurício!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PHILIP - Inspetor, eu sou o Philip.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RICK - Não importa. Rick está realizando sua escapada no aeroport
